Modelo de Lotka-Volterra: mudanças entre as edições

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== Versão tradicional ==


No modelo de Lotka-Volterra temos as seguintes considerações:
No modelo de Lotka-Volterra temos as seguintes considerações:
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Como temos raízes puramente imaginárias e <math display="inline">\lambda_{1}=\lambda_{2}^{*}</math>, temos um centro, ponto de estabilidade. Isto é, se a condição inicial for próxima de <math display="inline">\left(\frac{c}{\gamma},\frac{a}{\alpha}\right)</math> o sistema evoluirá de forma que o estado do sistema permanecerá próximo do ponto de equilíbrio.
Como temos raízes puramente imaginárias e <math display="inline">\lambda_{1}=\lambda_{2}^{*}</math>, temos um centro, ponto de estabilidade. Isto é, se a condição inicial for próxima de <math display="inline">\left(\frac{c}{\gamma},\frac{a}{\alpha}\right)</math> o sistema evoluirá de forma que o estado do sistema permanecerá próximo do ponto de equilíbrio.


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=== Segundo método de Lyapunov ===
=== Segundo método de Lyapunov ===
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Um exemplo resolvido numericamente pode ser visto em [[Modelo de Lotka-Volterra amortecido]], onde foi aproveitado os códigos desenvolvidos para este mesmo.
Um exemplo resolvido numericamente pode ser visto em [[Modelo de Lotka-Volterra amortecido]], onde foi aproveitado os códigos desenvolvidos para este mesmo.
== Versão adimensional ==
Originalmente temos 4 parâmetros, mas podemos realizar uma série de manipulações visando uma redução da quantidade de parâmetros. Escrevendo o sistema como:
<math display="block">\begin{align}
\frac{dN}{dt} & =aN-bNP\\
\frac{dP}{dt} & =cPN-dP
\end{align}</math>
Podemos definir então <math display="inline">\widehat{t}=at</math>. Multiplicando ambas equações por <math display="inline">1/a</math>:
<math display="block">\begin{align}
\frac{1}{a}\frac{dN}{dt} & =N-\frac{b}{a}NP\\
\frac{1}{a}\frac{dP}{dt} & =\frac{c}{a}PN-\frac{d}{a}P
\end{align}</math>
Se definimos <math display="inline">p=\left(b/a\right)P</math> e multiplicamos a segunda equação por <math display="inline">b/a</math>:
<math display="block">\begin{align}
\frac{dN}{d\widehat{t}} & =N-Np\\
\frac{d}{d\widehat{t}}\left(\frac{bP}{a}\right) & =\frac{c}{a}\left(\frac{b}{a}P\right)N-\frac{d}{a}\left(\frac{b}{a}P\right)
\end{align}</math>
Agora se multiplicamos a primeira linha e definimos <math display="inline">n=\left(c/d\right)N</math>:
<math display="block">\begin{align}
\frac{d}{d\widehat{t}}\left(\frac{c}{d}N\right) & =\frac{c}{d}N-\left(\frac{c}{d}N\right)p\\
\frac{dp}{d\widehat{t}} & =\frac{c}{a}pN-\frac{d}{a}p
\end{align}</math>
Definindo então <math display="inline">\alpha=\frac{d}{a}</math>:
<math display="block">\begin{align}
\frac{d n}{d\widehat{t}} & =n-np\\
\frac{dp}{d\widehat{t}} & =\frac{c}{a}\frac{d}{c}pn-\alpha p
\end{align}</math>
Ou então, ficamos apenas com um único parâmetro.
<math display="block">\begin{align}
\frac{dn}{d\widehat{t}} & =n\left(1-p\right)\\
\frac{dp}{d\widehat{t}} & =\alpha p\left(n-1\right)
\end{align}</math>
=== Separação de variáveis ===
Aplicando a separação de variáveis, temos então: <math display="block">\begin{align}
\frac{dp}{dn} & =\frac{\alpha p\left(n-1\right)}{n\left(1-p\right)}\\
\frac{\left(1-p\right)}{p}dp & =\alpha\frac{\left(n-1\right)}{n}dn\\
\left(\frac{1}{p}-1\right)dp & =\alpha\left(1-\frac{1}{n}\right)dn\\
\ln p-p+K & =\alpha\left(n-\ln\left(n\right)\right)\\
K & =\alpha n+p-\alpha\ln\left(n\right)-\ln p
\end{align}</math>
Ou ainda, apenas:
<math display="block">K=\alpha n+p+\ln\left(n^{\alpha}p\right)</math>
== Referências ==


=== Principais materiais utilizados ===
=== Principais materiais utilizados ===
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=== Citações ===
=== Citações ===
<references />
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Edição atual tal como às 03h42min de 10 de novembro de 2022

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Versão tradicional

No modelo de Lotka-Volterra temos as seguintes considerações:

  • Na ausência de predadores, a população de presas aumenta a uma taxa proporcional à população atual;
  • Na ausência de presas, os predadores irão à extinção;
  • O número de encontro entre presas e predadores é proporcional a produto das duas populações.
    • Estes encontros beneficiam os predadores em detrimento das presas.

Dessa forma, as equações são:

  • dxdt=x(aαy)
  • dydt=y(c+γx)

Onde:

  • a: taxa de crescimento de presas sem predadores;
  • α:taxa de decréscimo da população de presas devido a predação;
  • c: taxa de mortalidade da população de predadores sem presas;
  • γ: taxa de crescimento de predadores devido a predação.

Separação de variáveis

Utilizando a separação de variáveis, temos:

dydtdtdx=y(c+γx)x(aαy)

Logo:

dydx=y(c+γx)x(aαy)(aαy)ydy=(c+γx)xdx(ayα)dy=(cx+γ)dxIntegrando ambos os lados:

alnyαy=clnx+γx+Calnyαy+clnxγx=C

Onde C é uma constante de integração. Para plotarmos um gráfico, considerando apenas a=α=γ=c=1 Temos então:

lny+lnx(x+y)=C

Um ponto de equilíbrio fora da origem é obtido quando:

dxdt=x(aαy)=0y=aα=1dydt=y(c+γx)=0x=cγ=1

Então neste caso, o sistema oscila em torno de (1,1) e a constante C é definida pelas condições iniciais (x0,y0). Para a condição em que x0=y0=1, então:

ln1+ln1(1+1)=C2=C

Então para este conjunto de parâmetros e condições iniciais: lny+lnx(x+y)+2=0

Neste caso o sistema vai permanecer no ponto de equilíbrio. Para outras condições iniciais, o sistema vai oscilar em torno do ponto de equilíbrio. Obviamente além do ponto (1,1), temos um ponto de equilíbrio em (0,0). Vamos analisar a dinâmica na vizinhança dos pontos através de um processo simples de linearização.

f(x,y)=lny+lnx(x+y)C com as condições a=α=c=γ=1 e condição inicial arbitrária, plotado no GeoGebra.

Linearização em torno do ponto de equilíbrio

Primeiro podemos perceber que o sistema é quase-linear em torno de (0,0), verificando que satisfaz:

lim(x,y)(0,0)[parte não linearparte linear]=0

Então lembrando as equações:

  • dxdt=[xa](αxy)=[linear](não linear)
  • dydt=[yc]+(γyx)=[linear]+(não linear)

Logo:

lim(x,y)(0,0)αxyxa=lim(x,y)(0,0)αay=0lim(x,y)(0,0)γxycy=lim(x,y)(0,0)γcx=0

Desprezando então os termos não lineares podemos escrever o seguinte sistema linearizado em torno da origem:

(x˙y˙)=(a00c)(xy)Calculando os autovalores da matriz, obtemos então:

(aλ)(cλ)=0(aλ)(c+λ)=0


os seguintes autovalores λ={a,c}. Como um dos valores tem parte real positiva, então é um ponto instável, especificamente devido aos sinais opostos é um ponto de sela. Como é instável significa que se a condição inicial for próxima de (0,0), a evolução do sistema vai se afastar do ponto de equilíbrio. Essa aproximação também indica que próximo do ponto de equilíbrio, a dinâmica pode ser descrita tanto pelo conjunto de equações não lineares, como pelo sistema linear.

Agora o segundo ponto de equilíbrio, de maneira geral é (cγ,aα). Primeiro reescrevemos o sistema em torno do ponto de equilíbrio, isto é, fazemos um deslocamento u=xcγ e v=yaα. Então temos dx=du e dv=dy e substituindo, para x˙:dudt=(u+cγ)aα(u+cγ)(v+aα)dudt=ua+cγaαuvαcγvuacaγdudt=αuvαcγvE para y˙:

dvdt=(v+aα)c+γ(v+aα)(u+cγ)dvdt=cvcaα+γvu+γaαu+cv+caαdvdt=γvu+γaαuPodemos analisar o comportamento em torno do ponto de equilíbrio:

lim(u,v)(0,0)αuvαvcγ=lim(u,v)(0,0)γcu=0lim(u,v)(0,0)γvuγauα=lim(u,v)(0,0)αav=0Desprezando os termos não lineares então:

(u˙v˙)=(0αcγγaα0)(uv)Então os autovalores correspondentes:

λ2γaααcγ=0λ=±ac=±aci

Como temos raízes puramente imaginárias e λ1=λ2*, temos um centro, ponto de estabilidade. Isto é, se a condição inicial for próxima de (cγ,aα) o sistema evoluirá de forma que o estado do sistema permanecerá próximo do ponto de equilíbrio.

Classificação dos pontos de estabilidade de acordo com os autovalores[1].

Segundo método de Lyapunov

Para avaliar o ponto (x1,y1)=(0,0), podemos usar de maneira análoga ao exemplo do segundo critério de Lyapunov:

V(x)=x2αy2γ

Como já discutimos V(x0)=0 e a região W+{(x,y)||x|>|y|} onde V(x)>0 para xx0 , sendo x0 um ponto de acumulação em W+[2]. Então:

V˙(x)=[V][f(x)]=(2xα,2yγ)(x˙,y˙)=2x2aα2x2y+2y2cγ2y2x=2x2(aαy)+2y2(cγx)Lembrando do nosso segundo ponto de equilíbrio (x2,y2)=(cγ,aα):

V˙(x)=2x2(y2y)+2y2(x2x)


Então se estamos próximos suficiente do ponto de equilíbrio em análise (x1,y1)=(0,0), temos então uma instabilidade local pois V˙(x)>0 é positivo definido em W+, uma vez que |y|<|y2| , |x|<|x2|. Olhando o segundo ponto de equilíbrio, (x2,y2)=(cγ,aα), podemos manipular as equações da seguinte forma:

  • dxdt=x(aαy)=xα(aαy)=xα(y2y)
  • dydt=y(c+γx)=yγ(cγ+x)=yγ(x2+x)

Definindo então a seguinte função de Lyapunov:

V(x,y)=xx2[1+ln(xx2)]+αγ(yy2[1+ln(yy2)])

Analisando no ponto de e equilíbrio, temos:

V(x2,y2)=x2x2[1+ln(x2x2)]+αγ(y2y2[1+ln(y2y2)])=x2x2+αγ(y2y2)=0

Agora precisamos que para (x,y)0 tenhamos V>0, na região próxima ao ponto de equilíbrio. Separando em dois termos:

V(x,y)=[xx2(1+ln(xx2))]+αγ[yy2(1+ln(yy2))]=V(x)+αγV(y)

De forma geral temos V(z)=zz2(1+ln(zz2)), e precisamos que V(z)>0 quando zz2. Além de ser facilmente visto via gráfico para todos os valores aceitáveis z,z2[0,1], também podemos analisar a seguinte desigualdade:

zz2(1+ln(zz2))>0z>z2(1+ln(zz2))zz2>1+ln(zz2)ezz2>ezz2eu>euPodemos ver quer a desigualdade desigualdade é válida exceto se x=1. Mas como fizemos a seguinte substituição u=zz2 então u=1z=z2, e de fato que queremos que seja positiva definida fora do ponto de equilíbrio. Uma vez que sabemos que V(x,y) é positivo definido, calculamos então:

V˙(x)=[V][f(x)]=[V(x)x,αγV(y)y][xα(y2y),yγ(x2+x)]=[1x2x,αγ(1y2y)][xα(y2y),yγ(x2+x)]=(xx2x)(xα(y2y))+αγ(yy2y)(yγ(x2+x))

Então:V˙(x)=α(xx2)(y2y)α(y2y)(xx2)=0Temos então a condição de estabilidade V˙0 concordando como que já havíamos obtidos anteriormente.

Solução numérica

Um exemplo resolvido numericamente pode ser visto em Modelo de Lotka-Volterra amortecido, onde foi aproveitado os códigos desenvolvidos para este mesmo.

Versão adimensional

Originalmente temos 4 parâmetros, mas podemos realizar uma série de manipulações visando uma redução da quantidade de parâmetros. Escrevendo o sistema como:

dNdt=aNbNPdPdt=cPNdP

Podemos definir então t^=at. Multiplicando ambas equações por 1/a:

1adNdt=NbaNP1adPdt=caPNdaP

Se definimos p=(b/a)P e multiplicamos a segunda equação por b/a:

dNdt^=NNpddt^(bPa)=ca(baP)Nda(baP)

Agora se multiplicamos a primeira linha e definimos n=(c/d)N:

ddt^(cdN)=cdN(cdN)pdpdt^=capNdap

Definindo então α=da:

dndt^=nnpdpdt^=cadcpnαp

Ou então, ficamos apenas com um único parâmetro.

dndt^=n(1p)dpdt^=αp(n1)

Separação de variáveis

Aplicando a separação de variáveis, temos então: dpdn=αp(n1)n(1p)(1p)pdp=α(n1)ndn(1p1)dp=α(11n)dnlnpp+K=α(nln(n))K=αn+pαln(n)lnp

Ou ainda, apenas:

K=αn+p+ln(nαp)

Referências

Principais materiais utilizados

  1. A survey of constructing Lyapunov functions for mathematical models in population biology (Sze-Bi, Revista Taiwanesa de Matemática )
  2. Estabilidade de pontos de equilíbrio e existência de soluções periódicas em alguns modelos bidimensionais (Salvador Tavares de Oliveira, UNESP)
  3. Modelagem Matemática e estabilidade de sistemas predador-presa (Paulo Laerte Natti e outros, UEL)
  4. Modelo de Lotka-Volterra: a dinâmica predador-presa (Rafael Biasi Pata e Elisa Regina Cara, UNIPAMPA)

Citações

  1. Análise de sistemas não-lineares (Vilma A. Oliveira e José Ricardo Rosolen, USP)
  2. Stability Analysis of Nonlinear Systems (Roberto Zanasi, Universidade de Módena e Reggio Emília)

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