Grupo3 - Ondas2

De Física Computacional
Revisão de 01h21min de 25 de outubro de 2017 por Lucasdoria (discussão | contribs) (A Corda Ideal)
Ir para navegação Ir para pesquisar

Introdução

Equações diferenciais parciais (EDP's) hiperbólicas geralmente podem ser formuladas a partir de teoremas de conservação. Um exemplo é a equação do tipo:

Ut+F(U)=S(U),

onde U é o vetor de densidades da quantidade conservada, i.e., U=(U1,...,Un), F é o fluxo de densidade e S é um termo genérico representando fontes ou sumidouros.

Uma classe especial de equações hiperbólicas são as chamadas equações de adveção, na qual a derivada temporal da quantidade conservada U(x,t) é proporcional à sua derivada espacial. Nesses casos, F(U) é diagonal e dada por:

F(U)=vIU,

onde I é a matriz identidade.

Considerando apenas uma dimensão e com Uu, temos a equação de adveção:

ut+vux=0,

onde v é a velocidade de propagação do pulso gerado. A equação admite uma solução analítica da forma u=f(xvt), representando uma onda se movendo na direção x.

A equação da onda em uma dimensão é uma EDP hiperbólica de segunda ordem dada por

2ut2=v22ux2.

E admite duas soluções, representadas por pulsos, f(x+vt) e f(xvt).

Assumindo que vv(x) na equação da onda, nos restringimos a problemas lineares. Além disso, se escrevermos

k=vux, s=ut,

então a equação da onda pode ser escrita como um sistema de três equações diferenciais de primeira ordem:

{kt=vsxst=vkxut=s

Em notação vetorial, o sistema acima pode ser reescrito na forma conservativa como: Ut+F(U)x=0,

onde U=(ks),eF(U)=(0vv0)

O Problema Fìsico

A Corda Ideal

Para uma primeira abordagem da equação da onda, podemos primeiro dividir o comprimento L da corda em K intervalos de comprimentos iguais, dessa forma Δx=LK. Cada intervalo é discretizado, portanto, como xi, i=0,1,...,K. Também podemos dividir o tempo em intervalos iguais Δt e denotá-los como tn, n=0,1....

Tendo feita a discretização das variáveis, podemos aproximar a equação da onda por diferenciação finita:

u(i,n+1)2u(i,n)+u(i,n1)(Δt)2=v2u(i+1,n)2u(i,n)+u(i1,n)(Δx)2.

Sabendo que essa discretização da equação da onda pode ser verificada como sendo o método Leapfrog (ver seção do método de Leapfrog), podemos resolver a equação para u(i,n+1) para sabermos o deslocamento de uma partição da corda no momento de tempo seguinte, assim obtendo

u(i,n+1)=2(1r2)u(i,n)+r2[u(i+1,n)+u(i1,n)]u(i,n1),

onde r=vΔtΔx.

Um Quadro Mais Realístico

Para nos aproximarmos de um modelo mais real, podemos adicionar um termo à equação original da onda que corresponde ao efeito de fricção em uma corda. De acordo com [1], a equação da onda mais geral com efeito de fricção pode ser escrita como

onde v é a velocidade transversal de propagação do pulso na corda, dada pela relação v=Tρ (sendo T a tensão na corda e ρ a densidade linear da mesma), ϵ é um parâmetro adimensional de fricção que representa a rigidez da corda e L o comprimento da corda.

O parâmetro ϵ é dado por

,

onde κ é o raio da corda, E é o Módulo de Young e S a área da secção da corda.

Ao discretizarmos a equação da onda em uma corda com fricção e a resolvendo para uin+1 obtemos:

uin+1=[22r26ϵr2K2]uinuin1+r2[1+4ϵK2][ui+1n+ui1n]ϵr2K2[ui+2n+ui2n].

O fato de essa discretização depender do deslocamento da corda em posições i2 e i+2 implica em precisarmos simular "pontos fantasmas" quando integramos os extremos das cordas. Para fazermos isso, podemos ou utilizar a aproximação u1n=u+1n ou podemos considerar esses "pontos fantasmas" como pontos presos e, portanto, sempre iguais a zero.

Os Métodos Utilizados

Foi realizada uma abordagem ao problema da corda real a partir de três métodos diferentes de integração numérica. Os três são métodos para fins de resolução de equações diferenciais parciais da forma apresentada anteriormente.

O método mais básico é chamado de FTCS (Forward-Time-Centered-Space) e consiste em duas expansões de Taylor ao redor do ponto xj:

Subtraindo as duas expressões, encontramos a expressão

,

A qual podemos substituir na equação da onda, juntamente com a discretização da derivada parcial temporal. Temos então que, para um sistema linear de equações hiperbólicas:

Ujn+1=UjnΔt2Δx[Fj+1nFj1n]+𝒪(Δt2,Δx2Δt)

Visto que essa última notação é mais genérica, ela será utilizada para a explicação dos métodos posteriores.

O Método de Lax-Friedrichs

O método de Lax-Friedrichs consiste em substituir o termo Ujn com sua respectiva média espacial, i.e., ujn=(uj+1n+uj1n)/2. Logo, temos a seguinte equação de recorrência:

Ujn+1=12(Uj+1n+Uj1n)Δt2Δx[Fj+1nFj1n]+𝒪(Δx2)

O Método de Leapfrog

O Método de Lax-Wendroff

O método de Lax-Wendroff é a extensão do método de Lax-Friedrichs de segunda ordem. Calculamos o vetor U a partir de um passo médio de Lax-Friedrichs:

Uj+12n+12=12[Uj+1n+Ujn]Δt2Δx[Fj+1nFjn]+𝒪(Δx2),

Uj12n+12=12[Ujn+Uj1n]Δt2Δx[FjnFj1n]+𝒪(Δx2),

E encontramos os fluxos Fj±12n+12 a partir dos valores de Uj±12n+12.

Logo, com um meio passo de Leapfrog, temos a expressão final do método:

Ujn+1=UjnΔtΔx[Fj+12n+12Fj12n+12]+𝒪(Δx2)