Sistemas de equações diferenciais com atrasos fixos - SIRS

De Física Computacional
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O sistema

O exemplo a ser considerado é da biologia matemática, muitas ferramentas matemáticas utilizado na dinâmica de populações encontra-se também na dinâmica de epidemias. O objetivo deste tópico não é se aprofundar na modelagem em si, mas a utilizar como motivação para compreender melhor os sistemas de equações diferenciais com atraso baseado no artigo "Oscillations in SIRS model with distributed delays".

Uma doença do tipo SIRS é caracterizada por um tempo de infecção τi e um tempo de imunidade τr. Isto é, um indivíduo que se infecte em um tempo t vai deterministicamente se recuperar em um tempo t+τi, tornando-se temporariamente imune por um tempo τr. Então no instante t+τi+τrt+τ0 perde a imunidade tornando-se suscetível novamente. Este sistema pode ser representado por um conjunto de equações para a fração de população infecciosa (e infectada) i(t) e suscetível s(t):

s˙(t)=βs(t)i(t)+βs(tτ0)i(tτ0)

i˙(t)=βs(t)i(t)βs(tτi)i(tτi)

Onde β é a taxa de contágio por indivíduo. A fração da subpopulação em recuperação (imune) é dada por r(t)=1s(t)i(t). O primeiro termos em ambas as equações representa o contágio dos suscetíveis pelos infecciosos, daqui em diante muitas vezes será referido como: c(t)=βs(t)i(t). Os segundos termos representam a recuperação ou a perda de imunidade após τi e τ0 decorrido desde a infecção, respectivamente. Isto é:

s˙(t)=c(t)+c(tτ0)

i˙(t)=c(t)c(tτi)

Em outras palavras, uma fração c(t) se contagia no instante t, no instante t+τi ela se recupera, diminuindo os infecciosos. No instante t+τi+τr ela perde a imunidade, aumentando a quantidade de suscetíveis. Estas equações exigem condições iniciais, matematicamente usualmente se fornece funções arbitrárias s(t) e i(t) no intervalo [τ0,0]. Porém de um ponto de vista epidemiológico, é razoável prover condições iniciais em t=0 e dinâmicas complementares nos intervalos [0,τi) e [τi,τ0) .

  • [0,τi) somente contágio local. Utiliza-se as equações apenas com os primeiros termos, sem atraso.
  • [τi,τ0)Transição do estágio de infeccioso para em recuperação, ou seja, retira-se apenas o segundo termo na equação da dinâmica dos suscetíveis.

E com as condições iniciais:

s(0)=1i0,i(0)=i0,r(0)=0

Ponto de equilíbrio

Para análise dos pontos de equilíbrio uma representação integral é uma forma melhor forma de representar o sistema, pois se fizermos algo análogo ao que foi feito em Equações diferenciais com atrasos, não será possível obter nenhuma informação sobre o ponto de equilíbrio, pois aparentemente qualquer par de valores poderia representar um ponto de equilíbrio. Para a dinâmica dos infecciosos é proposto então:

i(t)=c1+tτitc(u)du

A interpretação é direta, integra-se sobre sobre todos os indivíduos que se contagiaram entre o tempo tτi e t. Estes serão os infecciosos no instante t, uma vez que todos infectados anteriormente a este tempo já estarão recuperados. A constante de integração c1 a princípio é arbitrária, mas espera-se que c1=0 pois não deve haver outras fontes de infecções adicionais. Complementariamente:

1r(t)=c2tτ0tτic(u)du

Pelo lado esquerdo, pode-se perceber ver que isto se refere a população que não está se recuperando, isto é 1r(t)=s(t)+i(t), ou seja, os infectados e suscetíveis. A integral cobre os contágios que ocorreram durante τr anterior. Desta forma, esta integral fornece o número de pessoas que estão no período de recuperação, logo é razoável supor que c2=1 uma vez que também não há outras fontes de pessoas em recuperação. Para um estado de equilíbrio então que a fração de contagiados em um instante t qualquer é constante, pode-se escrever c(u)=c0 . Para i(t0):

i(t0)=c0t0τit0du=c0(t0t0+τi)=c0τi

E para s(t0), de maneira análoga:

s(t0)=1t0τ0t0τic(u)dui(t0)=1c0t0τ0t0τiduc0τi=1c0(t0τit0+τ0)c0τi=1c0(τi+τi+τr)c0τi=1c0τrc0τi=1c0(τr+τi)=1c0τ0

Uma vez que s(t)=1r(t)i(t). Lembrando que c(t)=βs(t)i(t) , então no estado de equilíbrio c0=βs(t0)i(t0), denotando os pontos de equilíbrio apenas como s(t0)=s* e i(t0)=i*, obtém-se do primeiro resultado:

i*=βs*i*τis*=1βτi

E do segundo:

1=1βs*i*τ01=1s*βi*τ0βi*τ0=βτi1i*=βτi1βτ0

Assim o ponto de equilíbrio é: (s*,i*)=(1βτi,βτi1βτ0).

Validade da aproximação e sistema de equações sem atraso

Uma atenção especial deve ser dada a consideração de que c1=0 quando foi proposto a equação integral para i(t). A formulação matemática do modelo sem atraso é usualmente escrito como:

ds(t)dt=βs(t)i(t)+r(r)τrdi(t)dt=βs(t)i(t)i(r)τidr(t)dt=i(r)τir(r)τr

Integrando a equação da dinâmica de i(t) do sistema sem atraso, de t*τi a t*, obtém-se:

di(t)dt=βs(t)i(t)i(t)τii(t*τi)i(t*)di=t*τit*βs(t)i(t)dt1τit*τit*i(t)dti(t*)=t*τit*βs(t)i(t)dt+[i(t*τi)1τit*τit*i(t)dt]eq:tri

Considerando no equilíbrio que i(t*)=i(t*τi):

0=t*τit*βs(t)i(t)dti*τit*τit*i(t)dti*τit*τit*i(t)dt=t*τit*βs(t)i(t)dt

Sendo que no equilíbrio os valores são constantes i(t)=i* e s(t)=s*:

i*τit*τit*dt=βs*i*t*τit*dti*=βs*i*τieq:siete

De onde é possível obter também o mesmo ponto de equilíbrio obtido anteriormente:

s*=1βτi

Outra formar de comparar as equações, é que para obter versão integral apresentada para i(t) a partir de::

i(t*)=t*τit*βs(t)i(t)dt+[i(t*τi)1τit*τit*i(t)dt]

É é necessário que o termo entre colchete seja zerado. Isto é, considerando que no equilíbrio i(t*τi) e i(t*τi) sejam constantes:

i(t*τi)=1τit*τit*i(t)dti(t*τi)=i(t*)

Desta forma a condição imposta anteriormente é recuperada. Agora percebe-se que o ponto de equilíbrio é independente das condições iniciais, depende apenas dos parâmetros escolhidos β,τi e τr. Por exemplo, resolvendo numericamente o sistema de equações diferenciais proposto, com os parâmetros β=0.4, τi=5 e τr=50, e condições iniciais (s0,i0)=(0.5,0.5), o sistema atinge o equilíbrio precisamente nos pontos calculados.

Solução numérica do sistema de equações diferenciais sem atraso obtido via Mathematica.


Além disto, pode-se verificar que i*0.45 e c*=βs*i*τi0.45, concordando com nossos cálculos analíticos. Isto implica que no equilíbrio, a população total infecciosa em um instante t é sempre dada inteiramente pelos que foram infectados durante um período anterior tτi, ou seja, a área dada pelo retângulo de largura τi e altura βs*i*, uma vez que no equilíbrio as frações i(t) e s(t) são constantes. Estes resultados concordam com a suposição de que c1=0.

Porém tentando o mesmo procedimento para a equação com atraso, obtém-se:

di(t)dt=βs(t)i(t)βs(tτi)i(tτi)i(t*τi)i(t*)di=t*τit*βs(t)i(t)dtt*τit*βs(tτi)i(tτi)dti(t*)=t*τit*βs(t)i(t)dt+[i(t*τi)t*τit*βs(tτi)i(tτi)dt]eq:cat

Utilizando a consideração i(t*)=i(t*τi), é possível obter apenas i(t*)=i(t*). Para recuperar a equação original seria necessário que, de modo análogo a equação sem atraso, a seguinte igualdade fosse válida:

i(t*)=t*τit*βs(t)i(t)dt

Isto é, de modo análogo ao caso anterior, que no equilíbrio a fração de infecciosos em um tempo t seja dado inteiramente pelos que foram contagiados em um tempo tτi. Porém neste caso qualquer par de pontos (i*,s*) poderia consistir em um ponto de equilíbrio para um conjunto de parâmetros {β,τi,τr} qualquer. A dependência se torna das condições iniciais. Utilizando por exemplo condições iniciais constantes como frequentemente é utilizado na literatura de equações com atraso, a própria condição inicial se torna um ponto de equilíbrio i0=i*. Pode-se pensar que desta fração i* de infecciosos , a cada instante t, uma quantidade de c=βi0s0 de infecciosos são curados, porém outra quantidade igual c de suscetíveis são infectados, mantendo a taxa de variação zerada e a quantidade total de infecciosos constante. Assim sendo, pensando em situações reais, para um instante t, há quantidade ic=i0c da fração que permanece infecciosa mesmo após τi, que soma-se aos novos infectados, mantendo a fração constante. Isto é, para a equação:

i(t)=c1+t*τit*βs(t)i(t)dt

Então c10. Para retirar esta constante, pode-se pensar que é como se no equilíbrio precisasse de n=i0c=i0βi0s0=1βs0 tempo para que uma pessoa infecciosa se curasse, ao invés de τi. Pois após n tempo toda a população i0 terá sido substituída por uma nova população infecciosa isto é i0nc=0, uma vez que a cada instante t=n tem-se que uma fração c da população suscetível sendo infectada, e outra fração c da população infecciosa que se recuperou pois foi infectada em um instante anterior tτi. . Reescrevendo a integral com este novo limite

i(t)=t*nt*βs(t)i(t)dt=βs*i*n=βs*i*βs0=i*

Uma vez que s0=s* para estas condições iniciais. Além disto, a expressão para n é análoga a equação encontrada para o ponto de equilíbrio do sistema sem atraso, isto é τi=1/βs*. Toda discussão foi feita para condições iniciais constantes, quando se utiliza o método proposto, a análise torna-se mais complicada, mas ainda é notável que o ponto de equilíbrio depende das condições iniciais.Utilizando o conjunto de parâmetros β=0.4, τi=5 e τr=50, para diferentes valores iniciais é possível obter:

Solução em equilíbrio do sistema de equações diferenciais com atraso para diferentes valores iniciais de infecciosos.

Pode-se notar que aproximadamente:

i0= τic i*
0.20 0.06 0.26
0.15 0.06 0.21
0.10 0.06 0.16
0.05 0.06 0.11


Lembrando da integral proposta para a condição de equilíbrio condição de equilíbrio:

i(t)=c1+t*τit*c(t)dteq:veinte

Novamente c10, mais especificamente i0=c1. Este resultado faz sentido, pois de acordo com o procedimento proposto, não há momento em que os infecciosos iniciais i0 se recuperam. Durante o tempo 0t<τi uma fração da população se infecta, e então esta mesma fração começa a se recuperar após t>τi, mas os infecciosos iniciais, nunca se recuperam, funcionando como fontes permanentes de infecção. Outra forma de comparar, é que olhando o conjunto de equações diferenciais originais o termo responsável pela recuperação dos infecciosos no instante t depende da quantidade total de infecciosos no próprio instante t. No conjunto de equações com atraso, é a fração da população da população que foi contagiada em um instante anterior. Ou seja, uma fração da população que se infectou em um instante t, é a mesma que se recuperara em um instante posterior t+τi, porém a quantidade inicial de infecciosos não se contagiou em nenhum momento desta ’linha do tempo', então também não se recuperam em nenhum momento.

Porém ainda que c10, quanto mais próximo a população inicial de infecciosos for de 0, melhor será aproximação, Por isso a análise em torno do ponto de equilíbrio, e o próprio ponto de equilíbrio se torna uma aproximação válida apenas quando é adotado valores próximos de 0 para i0.

Análise do ponto de equilíbrio

Obtendo a equação transcendental

Aplicando então uma perturbação nos pontos de equilíbrios, isto é: s(t)=s*+x(t) e i(t)=i*+y(t) pode-se obter uma aproximação linear em torno do ponto de equilíbrio (uma observação é que o teste utilizando os limites leva a uma indeterminação, uma vez que não há termo linear). Então analisando o termo que chamamos de contágios:

c(t)=βs(t)i(t)c(t)β=(s*+x(t))(i*+y(t))=s*i*+i*x(t)+s*y(t)+x(t)y(t)

Ignorando os termos não lineares e denotando f(t)=f e f(tτ)=fτ:

cβ=s*i*+i*x+s*y

Tem-se então:

x˙β=(s*i*+i*x+s*y)+(s*i*+i*xτ0+s*yτ0)=(i*x+s*y)+(i*xτ0+s*yτ0)

E:

y˙β=(s*i*+i*xτi+s*yτi)+(s*i*+i*x+s*y)=(i*x+s*y)(i*xτi+s*yτi)

O sistema linearizado em torno do ponto de equilíbrio é então:

x˙β=(i*x+s*y)+(i*xτ0+s*yτ0)y˙β=+(i*x+s*y)(i*xτi+s*yτi)Reescrevendo matricialmente:(x˙y˙)=β(i*s*i*s*)(xy)+β(i*s*00)(xτ0yτ0)+β(00i*s*)(xτiyτi)Ou ainda:x˙(t)=A0x+A1x(tτ0)+A2x(tτi)

A equação característica para um sistema do tipo:

x˙(t)=A0x(t)+i=1kAix(tTi) É dado por:

det[Δ(λ)]=det[λ𝕀A0i=1kAieλTi]

A função Δ(λ) é chamada de quase-polinômio característico. Como de costume, se para para todo λ, for Re(λ)<0 o sistema é assintoticamente estável.

Detalhes:

  • Se não houver atraso, a equação é reduzida a det[λ𝕀A0]. Como para achar as raízes deve-se fazer det[Δ(λ)]=0, obtém-se o resultado tradicional.
  • Se houver apenas uma equação, e não um sistema, então os termos Aj serão constantes e não uma matrizes. Substituindo x(t)=ceλt:

λceλt=A0ceλt+i=1kAiceλteλTiλ=A0+i=1kAieλTi

Então:

λA0i=1kAieλTi=0

Obtém-se o quase-polinômio característico proposto pro sistema conforme. Dessa forma, a equação transcendental característica para o sistema que estamos interessados é:

det[Δ(λ)]=det[λ𝕀A0A1eλτ0A2eλτi]=det[(λ00λ)β(i*s*i*s*)β(i*s*00)eλτ0+β(00i*s*)eλτi]=det[(λ+βi*(1eλτ0)βs*(1eλτ0)βi*(eλτi1)λ+β(eλτi1)s*)]=[λ+βi*(1eλτ0)][λ+β(eλτi1)s*]i*β(eλτi1)s*β(1eλτ0)=λ2+λβ[s*(eλτi1)i*(eλτ01)]+β2s*i*(eλτi1)(1eλτ0)β2s*i*(eλτi1)(1eλτ0)=λ2+λβ[s*(eλτi1)i*(eλτ01)]

Para encontrar as raízes

λ2+λβ[s*(eλτi1)i*(eλτ01)]=0

Esta equação é chamada de equação característica transcendental. Uma raiz é λ=0, e a outra pode ser obtida a partir de:

λ+β[s*(eλτi1)i*(eλτ01)]=0

Como uma raiz é λ1=0, se λ2>0 há um equilíbrio instável próximo ao ponto de equilíbrio.

  • Observações:
    • Equação transcendental: equação que contém uma função transcendental da variável que deve ser resolvida.
    • Função transcendental: função que não satisfaz uma equação polinomial, em contraste com uma função algébrica, isto é, transcende a álgebra”. Um exemplo é a função exponencial.
    • Função algébrica: função que pode ser definida como a raiz de uma equação polinomial.

Soluções aproximadas são obtidas por métodos gráficos conforme feito anteriormente para soluções reais em Equações diferenciais com atrasos, ou até simplesmente observando o gráfico. Mas neste caso será utilizado algoritmos.

Obtendo as raízes da equação transcendental

Método de Newton

Também conhecido como método de Newton-Raphson, aproxima a função com uma linha. Esta linha atravessa o ponto (xi,f(xi)) e tem inclinação igual a derivada da própria função. Matematicamente isto é:

f(xi)=yi+1f(xi)xi+1xixi+1=xi+(yi+1f(xi))f(xi)

Então encontra-se o x que atravessa o eixo e o utiliza como uma nova tentativa. Ou seja o segundo ponto sobre a reta é (xi+1,0), então:

xi+1=xif(xi)f(xi)

Para estender o método para o plano complexo, basta substituir variável real x por uma variável complexa z=x+yi. A partir disto, o loop é repetido.

Aplicando o método

Então sendo:

f(λ)=λ+β[s*(eλτi1)i*(eλτ01)]f(λ)=1+β[τ0i*eλτ0s*τieλτi]

Foi utilizado um algoritmo em Python para buscar as raízes complexas. O gráfico original é R0×τrτi. Onde R0=βτi é chamado de taxa de reprodução básica. Para facilitar foi escolhido denotar R1=τrτi. Com poucas manipulações é possível mostrar que:

τi=R0βτr=R1R0β

Assim para um β constante pode-se variar apenas R0 e R1. Deste modo o algoritmo proposto busca a existência de raízes com parte real positiva, isto é, o conjunto de equações apresenta comportamento instável na proximidade do ponto de equilíbrio. Esta busca ocorre para cada par de valores (R1,R0) na malha formada por R0×R1, onde 1<R0<10 e 0R1<3.5, com intervalos de Δ=0.1. Especificamente em cada par de valores é executado o algoritmo de Newton-Raphson com o chute inicial partindo de cada ponto possível do plano complexo dentro da região delimitada por 1(λ),𝕀(λ)<1 , com espaçamento entre os pontos de Δ=0.1. Isto ocorre enquanto nenhuma raiz com parte real positiva seja encontrada, além disso, é realizada no máximo N=107 tentativas de aproximação, e é considerado f(x)=0 se |f(x)|<1012.

A esquerda a imagem original retirada do artigo. A região preta são soluções sem oscilação e a colorida onde há a presença de oscilações. A direita a imagem obtida através do algoritmo proposto onde a região verde indica que foi encontrado autovalores positivos.


Algoritmos

O conjunto de equações diferenciais sem atraso pode ser solucionado via Mathematica:

tmax = 400; b = 0.4; ti = 5; tr = 5;
sol = NDSolve[{
    s'[t] == -b*s[t]*i[t] + r[t]/tr,
    i'[t] == +b*s[t]*i[t] - i[t]/ti,
    r'[t] == i[t]/ti - r[t]/tr,
    s[0] == 0.5, i[0] == 0.5, r[0] == 0},
   {s, i, r}, {t, 0, 500}];
Plot[{i[t] /. sol, s[t]} /. sol, {t, 0, 500}, PlotRange -> {0., 1.}]

O sistema de equações diferenciais com atraso pode ser pode ser solucionado via Python utilizando o método de Euler conforme proposto :

import matplotlib.pyplot as plt
import numpy as np
#Função para resolver o sistema de equações diferenciais
def sistema(R0,R1):
    #Parâmetro R0=b.ti
    #Parâmetro R1=tr/ti
    #Parâmetros da dinâmica
    b =4
    ti=R0/b
    tr=R1*R0/b
    to=ti+tr
    # Listas para guardar a evolução do sistema
    s=[]
    i=[]
    d=0.001 #Passo para o método de Euler
    #Primeira parte:
    N1=int(ti/d)     #Quantidade de passos
    i.append(1e-16)  #Condição inicial de inectado i0
    s.append(1-i[0]) #Condição inicial de suscetíveis s0=1-i0
    #Resolve o sistema Usando o método de Euler
    for k in range(N1):
        s.append(s[k]+d*(-b*s[k]*i[k]))
        i.append(i[k]+d*(b*s[k]*i[k]))
    #Segunda parte
    N2=int(to/d)
    for k in range(N1,N2):
        s.append(s[k]+d*(-b*s[k]*i[k]))
        i.append(i[k]+d*(b*s[k]*i[k]-b*s[k-int(ti/d)]*i[k-int(ti/d)]))
    #Terceira parte
    N3=int(1800/d)
    for k in range(N2,N3):
        s.append(s[k]+d*(-b*s[k]*i[k]+b*s[k-int(to/d)]*i[k-int(to/d)]))
        i.append(i[k]+d*(+b*s[k]*i[k]-b*s[k-int(ti/d)]*i[k-int(ti/d)]))

O sistema também pode ser resolvido via Mathematica:

b = 0.8; ti = 5; to = 20;
ci1 = NDSolve[{
    s1'[t] == -b*s1[t]*i1[t],
    i1'[t] == +b*s1[t]*i1[t],
    s1[0] == 0.99, i1[0] == 0.01},
   {s1, i1}, {t, 0, ti}];
ci2 = NDSolve[{
    s2'[t] == -b*s2[t]*i2[t],
    i2'[t] == +b*s2[t]*i2[t] - b*s2[t - ti]*i2[t - ti],
    s2[t /; t <= ti] == s1[t] /. ci1, 
    i2[t /; t <= ti] == i1[t] /. ci1},
   {s2, i2}, {t, 0, to}];
sol = NDSolve[{
    s'[t] == -b*s[t]*i[t] + b*s[t - to]*i[t - to],
    i'[t] == +b*s[t]*i[t] - b*s[t - ti]*i[t - ti],
    s[t /; t <= to] == s2[t] /. ci2, i[t /; t <= to] == i2[t] /. ci2},
   {s, i}, {t, 0, 300}];
Plot[{i[t] /. sol, s[t] /. sol}, {t, 0, 300}, PlotRange -> {0., 1.}]

O código abaixo foi escrito em Python e é responsável por buscas raízes complexas com a parte real positiva na equação transcendental discutida anteriormente.

#Código para resolver a equação transcendental
def raizes():
    sol=np.zeros((35,90)) # Matriz para guardar as raízes
    err=1e-12             # Erro admitido   
    sy=0
    for R0 in np.arange(1,10,0.1):      #Percorrer os valores RO=b.
        print(str(100*(sy+1)/90)+"%")
        sx=0
        for R1 in np.arange(0,3.5,0.1): #Percorrer os valores R1=tr/ti
            #Parâmetros da dinâmica
            b =4
            ti=R0/b
            tr=R1*R0/b
            to=ti+tr
            #Pontos de equilíbrio
            io=(b*ti-1)/(b*to)
            so=1/(b*ti)
            #Matriz das raízes para os parâmetros atuais
            r=np.zeros((20, 20))
            #Os chutes iniciais serão pontos dentro da malha [-1,1] em 2D
            m=0
            for a in np.arange(-1,1,0.1):
                n=0
                for y in np.arange(-1,1,0.1):
                    i=y*1j
                    x=a+i  # Ponto inicial
                    N=10000000 # Quantidade máxima de aproximações
                    #Valor da função para o chute inicial
                    f=x+b*(so*(np.power(np.e,-x*ti)-1)-io*(np.power(np.e,-x*to)-1))
                    for k in range(N):
                        if (k==N-2):
                            print("!") #Indicando que chegou no último passo sem achar a raízs
                        if (abs(f)<err):
                            break        # Se chou a raíz, do loop
                        try:
                            f =x+b*(so*(np.power(np.e,-x*ti)-1)-io*(np.power(np.e,-x*to)-1))
                            df=1+b*(to*io*np.power(np.e,-x*to)-ti*so*np.power(np.e,-x*ti))
                            nx=x-f/df        # Próximo chute
                            x=nx
                        except:
                            print(str(R0)+","+str(R1))
                            break
                    if(abs(np.real(x))<err):   # A raíz é zero
                        r[m,n]=0
                    elif (np.real(x)>0):        # Raíz positiva
                        r[m,n]=1
                        break
                    else:
                        r[m,n]=-1               # Raíz negativa
                    n=n+1
                else:        # Quando acabar o loop interno
                    m=m+1
                    continue # Continua
                break        # Se o loop interno foi encerrado antes da hora, encerra o externo
            res=[]        
            for i in range(20):
                res.append(max(r[i]))
            sol[sx,sy]=max(res)                 # Se houve raíz positiva, obtém.
            sx=sx+1
        sy=sy+1
    #Registra
    f = open("raizes.dat", "w")
    for i in sol:
         for j in i:
             f.write(str(j)+"	")
         f.write("\n")
    f.close()
raizes()

A partir dos dados gerados com o código anterior, é possível visualizá-los em R com o seguinte código:

library('tseries')      #Bibliotea pra ler matriz
library('plot.matrix')  #Biblioteca pra plotar matriz

m <- read.matrix( "Raizes.dat") #Os dados são lidos no formato de matriz
m<-t(m)                         # São feitas algumas correções devido à ordem que os dados são gravados
m <-m[90:2, 1:35]
rownames(m) <- (99:11)/10       #Ajusta-se os nomes das linhas e colunas
colnames(m) <- (0:34)/10
#E plota-se
plot(m, col=c('black', 'white', 'green'), breaks=c(-2, -0.25,0.25, 2), xlab='R1', ylab='R0',main='Raizes',border=NA)   

Principais materiais utilizados

  1. Oscillations in SIRS model with distributed delays (S. Gonçalves e outros, The European Physical Journal B)
  2. Root finding algorithms (Eugeniy E. Mikhailov, Faculdade de William e Mary)
  3. Stability and stabilization of time-delay systems ( Gerhard Manfred Schoen ,Instituto Federal de Tecnologia de Zurique)


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