Modelo de Potts 2D

De Física Computacional
Ir para navegação Ir para pesquisar

Modelo de Potts

O "modelo de Potts de Q-estados" trata de um sistema de rede com N spins interagentes s={s1,s2,..si,...sN}, onde um spin si pode assumir valores discretos q{0,1,2,...,Q2,Q,Q1}. Cada spin do sistema está limitado a interagir com outros spins em sua vizinhança e a energia da interação entre dois spins si e sj é dada pelo potencial

V(si,sj)=Jδ(si,sj)

onde δ(si,sj) é a função delta de Kronecker e J é a constante de interação entre os spins. Dessa maneira, a interação entre dois spins vizinhos contabiliza um valor J de energia ao sistema apenas se si=sj. A hamiltoniana do sistema é dada pela soma entre todas as interações entre spins vizinhos:

=Ji,jδ(si,sj)

Este modelo é tido como uma generalização natural do Modelo de Ising e para o caso Q=2 ambos modelos são equivalentes a menos de uma constante:

ising=potts+i,jJ2=J2i,j[2δ(si,sj)1]

Nesse caso, a interação entre dois spins si e sj assume a mesma dinâmica do modelo de Ising a contribuição para a energia do sistema será

V(si,sj)={J2,se si=sjJ2,se sisj

Neste trabalho, o modelo de Potts foi estudado em uma rede quadrada 2D com vizinhança de von Neumann para primeiros vizinhos e condições de contorno periódicas. A quantidade de spins no modelo é N=L×L com interações ferromagnéticas com J=1, favorecendo vizinhanças de spins que compartilham o mesmo valor de q para minimizar a energia do sistema.

Método de Monte Carlo

Algorítmo de Metrópolis

O primeiro algoritmo utilizado para gerar as configurações do sistema foi o algoritmo de Metropolis. O algoritmo escolhe repetidamente um novo estado para o sistema ν e aceitando ou rejeitando ele de acordo com uma probabilidade de aceitação A(μν) de transitar de um estado antigo μ para o novo estado ν. O algoritmo que iremos descrever utiliza a dinâmica de inversão única de spins. Para o modelo de Potts, um spin é selecionado aleatoriamente e se sorteia um novo valor de q, que o algoritmo irá aceitar ou não.

Temos que a condição de balanceamento detalhado é dada por [1]:

A(μν)A(νμ)=eΔEkBT,(3)

onde ΔE=EνEμ é a diferença de energia entre o novo e o antigo estado.

Vamos supor que tenhamos os estados μ e ν e que temos a relação de energias: Eμ<Eν. Então, a maior das duas chances de aceitação é A(νμ), portanto iremos igualar essa probabilidade a 1. Para que (3) seja respeitada, iremos definir o valor de A(μν) como eΔEkBT. Temos, assim, o algoritmo de Metropolis:

A(μν)={eΔEkBT,se ΔE>01,caso contrario.

Dessa forma, sempre que tivermos um estado cuja energia seja menor do que a do estado atual, iremos aceitar a transição, mas se a energia for maior, teremos uma pequena probabilidade de trocarmos de estado.

Algoritmo de Banho Térmico

O algoritmo de Metropolis para inversão única de spins é eficaz para o modelo de Potts em baixos valores de Q ou temperaturas acima da temperatura crítica, entretanto para valores altos de Q ou baixas temperaturas o algoritmo falha em gerar estados com maiores probabilidades de transição, que são estados onde o novo valor de um spin é igual ao spin de outros spins interagentes. Considerando um caso onde Q=100 e um spin que possui 4 vizinhos, se todos os vizinhos do spin possuem valores diferentes uns do outro e do próprio spin, poderá levar em média 100/4=25 passos de Monte Carlo para sortear um spin com maior probabilidade de aceitação de transição, e dessa forma o algoritmo irá demorar mais tempo para alcançar a configuração de equilíbrio do sistema. Para contornar este problema podemos utilizar o algoritmo de banho térmico.

  1. M. E. J. Newman, G. T. Barkema, "Monte Carlo Methods in Statistical Physics". Oxford University Press Inc., New York, 1999.