Linearização de sistemas de equações não lineares

De Física Computacional
Revisão de 19h03min de 12 de abril de 2021 por Jhordan (discussão | contribs)
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  Primeiro temos que um mapa linear é um mapa VW entre dois espaços vetoriais, isto é, um mapa que preserva as operações de adição de vetores e multiplicação escalar:

f(u+v)=f(u)+f(v)f(cu)=cf(u)


Onde u,vV são vetores e cK é escalar. Uma equação linear é então uma equação da forma:

a1x1++anxn=bjajxj=bOnde as variáveis e os coeficientes são xj e aj respectivamente. De maneira análoga, uma equação diferencial linear tem a seguinte forma geral:

a0(t)y+a1(t)dx(t)dt++an1(t)dn1x(t)dtn1+an(t)dnx(x)dtn=b(t)nan(t)dnx(t)dtn=b(t)

Lembrando que os termos aj(t) e b(t) podem ser não-lineares, e também que equações diferenciais lineares possuem o princípio da superposição, isto é, a superposição de duas ou mais soluções para uma equação diferencial linear homogênea, também é uma solução. Uma equação diferencial de primeira ordem (n=1) pode ser escrita então como:a0(t)x(t)+a1(t)dx(t)dt=b(t)x˙=b(t)a1(t)a0(t)a1(t)x(t)Para facilitar, vamos denotar sem perda de generalidade g(t)=b(t)a1(t), a(t)=a0(t)a1(t) e x(t)x:

x˙=a(t)x+g(t)=f(t,x)

Se g(t)=0, então temos apenas x˙=a(t)x, que é classificada como equação homogênea. Podemos perceber que t ainda pode aparecer explicitamente em a(t), porém se isto não acontecer, ou seja, a for constante, temos então uma equação autônoma x˙=ax=f(x). Se temos então um conjunto de equações diferenciais de primeira ordem, podemos escrever na forma vetorial:(x0˙x˙n)=(a0(t)x0+g0(t)an(t)xn+gn(t))


Os termos gj(t) podem ser reescritos em termo das outras equações xj, Por exemplo g0=g01(t)x1+g0n(t)xn+b0(t), então:

(x0˙x˙n)=(a0(t)x0+g01(t)x1+g0n(t)xn+b0(t)an(t)xn+gn0(t)x0+gnn1(t)xn1+bn(t))=(a0(t)g0n(t)gn0(t)an(t))(x0xn)+(b0(t)bn(t))

Que ainda pode ser reescrito sem perda de generalidade como:

x˙=Ax+b=Ax+𝕀b=Ax+BuÉ comum encontrar na literatura u sendo chamado de entrada. Podemos nos atentar que com a matriz B podemos escrever u com elementos linearmente independentes. Tendo como exemplo o seguinte sistema:

x˙=cos(t)(x+1)+sin(t)(y+1)+t2y˙=cos(t)(x+1)sin(t)(y+1)+tPodemos reescrever x˙ por exemplo:

x˙=[cos(t)]x+[cos(t)+sin(t)(y+1)+t2]=a(t)x+g(t)


Podemos ver que precisamos conhecer y(t) para conhecermos completamente o comportamento de x(t), o que é uma característica de sistemas. Reescrevendo o sistema na forma diferencial tradicional:x˙=Ax+b(x˙y˙)=(cos(t)sin(t)cos(t)sin(t))(xy)+(cos(t)+sin(t)+t2cos(t)sin(t)+t)


Ou seja, temos b=(cos(t)+sin(t)+t2,cos(t)sin(t)+t)T. Mas ainda podemos reescrever como:

x˙=Ax+Bu(x˙y˙)=(cos(t)sin(t)cos(t)sin(t))(xy)+(11101101)(cos(t)sin(t)t2t)

Onde temos u=(cos(t),sin(t),t2,t)T. Agora, considerando que as matrizes A e B sejam independentes do tempo, temos:

(x1˙x˙n)=(a11a1nan1annn)(x1xn)+(b11b1mbm1bmm)(u1um)x˙(t)=Ax(t)+Bu(t)Então x˙(t)=f(x(t),u(t)). Omitindo a informação da dependência no tempo (t), temos o seguinte vetor:

f(x,u)=(f0(x,u)fn(x,u))Onde x=(x0,,xn)T e u=(u0,,un)T. O ponto de equilíbrio x0 ocorre quando para uma entrada constante u(t)=u0 temos x˙=0:

0=Ax0+Bu0x0=A1Bu0

  • Se a matriz A é inservível, temos um único ponto de equilíbrio.
  • Se a matriz A é singular, ou seja, não é inservível (seu determinante é nulo, e como o determinante é o produto dos autovalores[1], consequentemente então um autovalor ao menos é nulo), então dependemos do posto matricial (quantidade de linhas ou colunas independentes) do produto AB:
    • Posto[A]=Posto[AB] há um infinito número de pontos de equilíbrio;
      • Nesse caso podemos obter todas soluções a partir de uma solução particular, fazendox0=x0+kernel[A] (lembrando que o kernel é um sub-espaço formado por vetores v que satisfazem Av=0[2]).
    • Posto[A]Posto[AB] não há pontos de equilíbrio.

Para sistemas lineares, a estabilidade do ponto de equilíbrio não depende do ponto em si. A estabilidade do sistema é completamente determinada pela posição dos autovalores da matriz A.

Considerando então um sistema não linear:

x˙=f(x,u)

Novamente o ponto de equilíbrio x0 ocorre quando para uma entrada constante u(t)=u0 quando temos x˙=f(x,u)=0. Mas agora a estabilidade não é uma propriedade global do sistema, mas local. Então a análise deve ser feita em cada ponto de equilíbrio. Vamos expandir então a função f(x,u) na vizinhaça do do ponto de equilíbrio (x0,u0). Para uma variável, temos a seguinte expansão em série de Taylor em torno de c:

Pn(x)=f(c)(xc)00!+f(c)(xc)11!++f(n)c(c)(xc)nn!

Para o primeiro grau, uma função para duas variáveis próxima ao ponto (a,b) pode ser aproximada por[3]:

f(x1,x2)f(a,b)+f(x1,x2)x1|(a,b)(x1a)+f(x1,x2)x2|(a,b)(x2b)

Mas escrevendo então x~1=(x1a) e x~2=(x2b):

f(x1,x2)f(a,b)+f(x1,x2)x1|(a,b)x~1+f(x1,x2)x2|(a,b)x~2

E tendo os vetores x~=(x~1,x~2)T e x=(x1,x2)T :

f(x1,x2)f(a,b)+f(x1,x2)(x2,x2)|(a,b)x~

Onde:

f(x1,x2)(x2,x2)=f(x1,x2)x=(f(x1,x2)x1f(x1,x2)x2)T

Generalizando para nosso caso temos então:

f(x,u)=f(x0,u0)+fx(x0,u0)(xx0)+fu(x0,u0)(uu0)fx=f(x,u)x=(f1,,fm)(x1,,xn)

Uma vez que agora ambos f(x,u)=(f1,,fm)T e x=(x1,,xn)T são vetores . E como f(x0,u0)=0, fazendo o deslocamento x~=xx0 e u~=uu0, temos:

f(x,u)=Ax~(t)+Bu~(t)

Onde:

A=(f1,,fn)(x1,,xn)B=(f1,,fn)(u1,,um)

Onde a matriz A é a matriz jacobiana que representa a diferenciação de f em cada ponto onde f é diferenciável.

A=(f1x1f1xnfnx1fnxn)B=(f1u1f1xnfnu1fnum)

Principais materiais utilizados

  1. Analysis of Ordinary Differential Equations (J. M. Cushing, Universidade do Arizona)
  2. Linearization of Nonlinear Systems (Roberto Zanasi, Universidade de Módena e Reggio Emília)

Citações

  1. Facts About Eigenvalues (David Butler, University of Adelaide)
  2. Lecture 13: Image and Kernel (Oliver Knill, Harvard University)
  3. Taylor Polynomials of Functions of Two Variables (Paul Seeburger, LibreTexts)