A equação de Ginzburg-Landau complexa (CGLE) surgiu inicialmente em 1969 como um modelo para o inicio de instabilidades em problemas de convecção de fluídos. A partir de então, ela se tornou uma das equações não lineares mais estudadas da física, descrevendo uma variedade enorme de fenômenos como:
- Ondas não lineares;
- Transições de fase de segunda ordem;
- Supercondutividade;
- Superfluidez;
- Condensado de Bose-Einstein.
A equação de Ginzburg-Landau complexa, quando escrita de modo a minimizar o número de constantes, é dada pela equação abaixo:
É possível deduzir a CGLE a partir do oscilador linear harmônico por meio de argumentos de simetria, encontrando a equação de Stuart-Landau, e, em seguida, considerando um sistema estendido no espaço.
Dedução
Espaço de fase do oscilador harmônico
A energia de um oscilador harmônico é expressa pela equação abaixo, onde
é a energia,
e
a coordenada e seu respectivo momento,
é a massa e
a frequência angular
Ao realizar as seguintes mudanças de variáveis,
e
, a equação da energia produz trajetórias circulares no espaço de fase de
e
Essa é uma importante simetria do oscilador harmônico linear, resultando que a sua energia é proporcional ao quadrado da amplitude de oscilação, não dependendo da fase. Isso sugere uma motivação, qual é o menor termo não linear que pode ser adicionado de modo a preservar essa simetria. Para tanto, o estado do sistema será descrito em coordenadas polares, onde
é a amplitude e
a fase
Define-se, então, a variável complexa
, portanto a equação acima pode ser reescrita como
Ao realizar a transformação de variável
, com
, a equação acima permanece inalterada. Ou seja, a equação é invariante a rotações. Então, busca-se uma função não linear
tal que
também seja invariante a rotações.
Então, perante às transformações
e
, a função
deve satisfazer
para que seja possível fatorar o termo responsável pela rotação e obter novamente a equação original.
Considerando pequenas oscilações, é possível expandir
em potências de
e
até a menor ordem possível que satisfaça a condição e que introduza uma não linearidade à equação. Com isso, obtém-se
Utilizando o resultado encontrado e expressando em coordenadas polares por meio de
Em seguida, muda-se para o referencial que gira com a mesma frequência do oscilador harmônico por meio da definição de
. As novas equações obtidas são
Para encontrar a amplitude estacionária, pode-se tomar
na equação, o que resulta na solução trivial
e
. Então, para que exista uma amplitude estacionária não nula, os sinais de
e de
devem ser opostos. Além disso, por inspeção observa-se que, caso
e
, pequenos valores de amplitude irão diminuir e grandes valores de amplitude irão aumentar, o que indica que a solução estacionária não trivial será instável. Portanto, define-se
para
,
,
com
e
. Por fim, ao voltar para a representação no plano complexo, chega-se em
Esta é a equação de Stuart-Landau. Para obter a equação complexa de Ginzburg-Landau, é necessário considerar um sistema espacialmente extenso, em que cada ponto é um oscilador modelado pela equação acima.....
Método FTCS
Para estudar o comportamento das soluções foi utilizados o método FTCS(Foward-Time Central-Space) que consiste em discretizar a solução temporal e a solução espacial da equação, resolvemos as derivadas espaciais por uma aproximação dos pontos vizinhos ao ponto que queremos encontrar, enquanto atualizamos a parte temporal, também por uma aproximação como na parte espacial porém fazemos por uma diferenciação entre a taxa de variação (solução futura) e a solução atual.
A partir da CGLE em duas dimensões:
para
Aplicamos o método da seguinte maneira:
Agora reorganizando a equação para deixar o tempo futuro na esquerda e o tempo atual na direita e considerando que os passos na direção x tem o mesmo tamanho do que os na direção y (
), chegamos em :