Equação de Fitzhugh-Nagumo

De Física Computacional
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Grupo: Bernardo Boatini, Murilo Kessler Azambuja e Natália Ferrazzo

O objetivo deste trabalho é implementar e estudar a dinâmica do modelo FitzHungh-Nagumo, e das equações que o compõem, para potenciais de ação em células e tecidos excitáveis. Os métodos computacionais utilizado para resolver os problemas e implementar o modelo foi o FTCS (Forward Time Centered Space) e o método de Crank-Nicolson.

Potencial de Ação em Neurônios

A células vivas são sistemas eletricamente sensíveis, ou seja, podem reagir a estímulos elétricos. Isso se dá devido ao fato de que substâncias carregadas estão naturalmente vinculadas a seus processos internos de interação com o ambiente, principalmente por intermédio de canais iônicos e proteínas transmebrana como, por exemplo, a Bomba de Sódio e Potássio(Bomba Na⁺/K⁺ ATPase)[1].

Naturalmente todas as células vivas possuem um potencial de repouso(PR) elétrico, ou seja, uma diferença de potencial elétrico, em relação ao meio(cerca de 0,1); mantida por um equilíbrio químico de concentração de íons dentro e fora da membrana plasmática.

Existem células que reagem estímulos elétricos apenas reestabelecendo o PR original por transporte passivo(sem gasto de energia) através da membrana, e estas são ditas células não-excitáveis.

Por outro lado, existem células que sob a ação do mesmo estímulo produzem um tipo de resposta bem característica: potencial de ação(PA); um pulso elétrico intenso(capaz de inverter a polarização do Potencial de Membrana) que se propaga ao longo da membrana da célula, sustentado por uma cadeia de transportes ativos(com gasto de energia) e que não decai ao longo do tempo e espaço; a esse tipo de células damos o nome de excitáveis[1].

Os Neurônios são as células excitáveis do tecido nervoso(que constituem o encéfalo e medula espinhal, gânglios e nervos do reino animal) e com já vimos são capazes de gerar PA. Um potencial de ação pode assumir diversos formatos, mas ao longo do axônio(Figura 1) de um neurônio eles tendem a uma curva como a da Figura 2.

Figura 1 -Representação de um potencial de ação(vermelho) ao longo de um axônio de neurônio, partindo do soma neural em direção a arvore dentrítica.
Figura 2 -Curva de um Potencial de Ação genérico no tempo, em um ponto do axônio de um neurônio.

Olhando para Figura 2 vemos alguns aspectos importantes:

  • O potencial de ação necessita de um estímulo mínimo(limiar) para ser ativado, abaixo desse valor o estímulo decai como em uma célula não excitável;
  • Acima desse limiar a célula segue o principio de "Tudo ou Nada", ou seja, assume o valor máximo possivel dentro de sua capacidade, independente do estímulo aplicado;
  • A etapa de despolarização(crescimento) é brusca e varia mais rapidamente que a repolarização(decaimento);
  • O período que contém a repolarização e hiperpolarização da membrana é chamado período refratário, e se caracteriza por não permitir que ocorra nenhum disparo até que a membrana atinja o potencial de repouso.


Modelo

Equação de Nagumo

Para iniciar a modelagem do sistema, devemos antes enfatizar três condições básicas que o potencial deve obedecer para que seja um PA:

  • Deve existir um limiar de voltagem para que um estímulo desencadeie o PA;
  • Uma vez atingido o limiar, a voltagem deve aumentar até o máximo possível;
  • Caso o estímulo não atinja o limiar, ele deve desaparecer rapidamente.

Podemos então definir υ como a variável normalizada que fará o papel do potencial elétrico no axônio, sendo que υ=0 é definido como o potencial de repouso, υ=1 é o estímulo máximo e υ=α é o limiar de voltagem (0<α<1). Desta forma podemos escrever as condições acima como

{Se υ>αυ1Se υ<αυ0

Pode-se dizer que estas condições impõem que v=0 e v=1 sejam pontos de equilíbrio estável, enquanto v=α seja um ponto de equilíbrio instável.

Assim, a variação temporal do potencial elétrico na célula pode ser dada por

υt=f(υ)(1)

Onde f(υ) é alguma função que faz v satisfazer as condições do potencial.

No modelo de Nagumo, utiliza-se o polinômio de terceiro grau fN(υ)=v(vα)(v1).

Substituindo fN(v) em (1), é fácil notar que v=0, v=α e v=1 são pontos de equilíbrio de v. Por outro lado, como podemos ver na Figura 3, se 0<v<α, temos que υt<0, logo o valor de v diminui até atingir o ponto de equilíbrio em v=0. Se α<v<1, υt>0, fazendo o potencial v crescer até atingir o valor máximo em v=1. Desta forma, temos que v=1 e v=0 são pontos de equilíbrio estável, enquanto que v=α é um ponto de equilíbrio instável, assim como se esperava pelas condições do potencial.

Figura 3 — Curva de fN(v)×v com α=0.4

Em outras palavras, vemos o caráter "tudo ou nada" do potencial quando utilizamos o polinômio fN(v). Se o valor do estímulo inicial se encontrar entre 0 e α, o estímulo desaparece, porém se o estímulo inicial estiver entre α e 1, o estímulo é amplificado até o valor máximo. Entretanto, neste modelo inicial o PA não é propagado por todo axônio, ele atua apenas localmente, onde ocorreu o estímulo. Além disso, uma vez estimulado o neurônio nunca volta para o seu estado de repouso, permanecendo no valor máximo de potencial.

Equação de Nagumo difusiva

Para resolver o problema do modelo

Método de Crank-Nicolson

(explicar o método --> Natália)

Equação de Nagumo Difusiva 1D

(aplicar o método na equação e testar estabilidade --> Natália)

Método FTCS

(explicar o método --> Murilo)

Equação de Recuperação 1D

(aplicar o método na equação e testar estabilidade --> Murilo))

Modelo FitzHung-Nagumo 2D

(aplicar o método na equação e testar estabilidade --> Bernardo)

O sistema de EDP's em 2 dimensões, assumindo uma difusão isotrópica, é dado por


vt=D(2vx2+2vy2)+fN(v)w

wt=ϵ(vγw)


Como a equação de recuperação já foi discretizada, e não depende da dimensão do problema, precisamos apenas aplicar o FTCS na equação difusiva de naumo em 2D, assumindo Δx=Δy, temos


vi,jn+1vi,jnΔt=D(Δx)2[(vi1,jn2vi,jn+vi+1,jn)+(vi,j1n2vi,jn+vi,j+1n)]+fNi,jnwi,jn


vl,jn+1=vl,jn+DΔt(Δx)2[(vl1,jn2vl,jn+vl+1,jn)+(vl,j1n2vl,jn+vl,j+1n)]+ΔtfNl,jnΔtwl,jn


vl,jn+1=vl,jn+DΔt(Δx)2[vl1,jn+vl+1,jn+vl,j1n+vl,j+1n4vl,jn]+ΔtfNl,jnΔtwl,jn


onde os índices i e j se referem às coordenadas x e y respectivamente; e o índice n referente ao tempo.

Vamos verificar as condições de estabilidade do problema por modos de Fourier:

  • substituindo vl,jn=Anei(xqx+yqy)=Aneiβ
  • usando k=DΔt(Δx)2
  • por simplicidade, como fizemos na seção 3.1, vamos linearizar fNl,jnαvl,jn=αAneiβ
  • por fim, desconsiderar Δtwl,jn


An+1eiβ=Aneiβ+kAn[ei((xΔx)qx+yqy)+ei((x+Δx)qx+yqy)+ei(xqx+(yΔy)qy)+ei(xqx+(y+Δy)qy)4eiβ]ΔtαAneiβ


An+1eiβ=Aneiβ+kAneiβ[eiΔxqx+eiΔxqx+eiΔyqy+eiΔyqy4]ΔtαAneiβ


Dividindo os dois lados da equação por Aneiβ temos


An+1An=1+k[eiΔxqx+eiΔxqx+eiΔyqy+eiΔyqy4]Δtα


Sabendo as seguintes identidades trigonométricas:

  • eiθ+eiθ=2cos(θ)
  • cos(2θ)=12sin2(θ)

Aplicando consecutivamente a equação


An+1An=1+2k[cos(Δxqx)+cos(Δyqy)2]Δtα


An+1An=1+2k[(12sin2(Δxqx/2))+(12sin2(Δyqy/2))2]Δtα


An+1An=1+4k[sin2(Δxqx/2)+sin2(Δyqy/2)]Δtα

Sabemos que a condição de estabilidade por modos de Fourier é obtida quando |An+1An|<1, portanto


|1Δtα+4k[sin2(Δxqx/2)+sin2(Δyqy/2)]|<1


Como 0<Δt<1 e 0<α<1, no pior dos casos os teremos de senos ao quadrado são 1, e a condição de estabilidade fica


αΔt8<k<2+αΔt8

Resultados

Equação de Nagumo Difusiva 1D

(explicar os testes e os gráficos/animações --> Natália)

Modelo FitzHung-Nagumo 1D

(explicar os testes e os gráficos/animações --> Murilo)

Modelo FitzHung-Nagumo 2D

(explicar os testes e os gráficos/animações --> Bernardo)

Discussão

(Contextualizar resultados --> Bernardo)

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Referências