Pêndulos Estocásticos

De Física Computacional
Revisão de 03h18min de 20 de agosto de 2024 por Marcospasa (discussão | contribs)
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Grupo : Gustavo H. Guesser, Joshua L. Kipper, Marcos Pasa.

Pêndulo Simples

Equação de movimento

Primeiramente vamos inserir ruído em um pêndulo simples, que é constituído de uma barra de comprimento l, sem massa e rígida que contém uma massa m pontual em sua ponta, conforme ilustrado na figura a seguir.

Esquema de um pêndulo simples em um campo gravitacional constante.

Considerando que o pêndulo está sob o efeito da gravidade e se encontra submerso em um fluido viscoso (como o ar), tal que a força de resistência que atua na massa é 2bv, a equação de movimento é dada por:

θ¨(t)=2bmθ˙glsen(θ)

Vamos supor que existe uma força ruidosa atuando em m (Fr(t)), que pode ser modelada por um ruído branco gaussiano ξ(t) da seguinte forma

Fr(t)=mαξ(t)

em que α é a intensidade do ruído. ξ(t) é caracterizado pelas seguintes propriedades:

ξ(t)=0,ξ(t2)ξ(t1)=δ(t2t1)

Adicionando essa nova força nas equações de movimento, ficamos com

θ¨(t)=2bmθ˙glsen(θ)+αlξ(t)

A partir de agora, por questão de simplicidade, vamos supor que g=l=1, então

θ¨(t)=2bθ˙sen(θ)+αξ(t)

Método de integração

Vamos montar um métodos para integrar o sistema no tempo. Primeiramente vamos dividir a equação em duas equações diferencias de primeira ordem, introduzindo a variável ω:=θ˙, então ficamos com o seguinte sistema

θ˙=ωω˙=2bωsen(θ)+αξ(t)

que pode ser escrito na forma diferencial

dθ=ωdtdω=(2bωsen(θ))dt+αξ(t)dt

mas ξ(t)dt é o incremento do processo de Wiener (W(t)=0tξ(t)dt), então

dθ=ωdtdω=(2bωsen(θ))dt+αdW(t)

Discretizando o tempo e lembrando que a densidade de probabilidade de transição de W(t) para W(t+Δt) tem desvio padrão igual a Δt

θj+1=θj+ωjΔtωj+1=ωj+(2bωjsen(θj))Δt+αRGjΔt

em que RG é uma amostra de uma distribuição gaussiana com média 0 e variância 1, e o método de Euler foi utilizado para a parte determinística da equação.

Nas próximas seções será analisado a energia do sistema, e como o método de Euler não é muito bom para preservar a energia de sistemas conservativos, será utilizado o método preditor corretor (com adição do método de Heun para θ) para a parte determinística da equação, que consiste nos seguintes passos:

  • Calcular um theta intermediário:
   θj+1(2)=θj+ωjΔt
  • Com θj+1(2) calcular um theta médio e utilizá-lo para obter um omega intermediário:
   θ¯j=θj+1(2)+θj2ωj+1(2)=ωj+f(θ¯j,ωj,RGj)
Em que f é a expressão do método de Euler visto logo acima.
  • Recalcular theta utilizando um omega intermediário
   ω¯j=ωj+1(2)+ωj2θj+1=θj+ω¯jΔt
  • Recalcular omega com um theta intermediário atualizado
   θ¯j(2)=θj+1+θj2ωj+1=ωj+f(θ¯j(2),ω¯j,RGj)
OBS: No cálculo de ωj+1(2) e ωj+1 foi utilizado o mesmo RGj.

Energia (Sem amortecimento)

Logo após terminar a implementação do método numérico, rapidamente notamos que a adição do ruído aumento a energia mecânica do pêndulo (E), vamos explorar esse fenômeno, sempre utilizando β=0. Para ilustrar esse efeito, segue uma animação do pêndulo partindo do repouso na configuração de equilíbrio estável (θ(0)=0,ω(0)=0) com α=0.1

Pêndulo partindo do repouso com ruído.

Para realizar uma exploração quantitativa, o seguinte procedimento foi feito para vários valores de α:

  • Utilizando Δt=0.01, integrar o sistema até tf=100, calculando e armazenando a energia em cada passo temporal. Repetir essa integração 700 vezes para fazer médias temporais. Como exemplo, segue os dados obtidos da energia em função do tempo (com a média temporal feita) para um determinado α utilizado
Energia média em função tempo.
O gráfico nos indica que o ruído gera uma potência média sobre o pêndulo.
  • Realizar um ajuste linear nos dados Et×t para obter o coeficiente angular, que corresponde a potência média gerada pelo ruído (P¯).

Com as simulações executadas, foi realizado o gráfico P¯×α. Notamos que os dados se alinham em linha reta com os eixos em escala logarítmica, ou seja, os mesmos seguem uma lei de potência P¯=aebα), então foi realizado outro ajuste linear para encontra o expoente b, a figura a seguir ilustra os dados e os resultados do ajuste:

Potência em função do ruído (α). O painel da esquerda possui eixos em escala linear e o da direita em escala logarítmica.

Portanto, P¯ aumenta, aproximadamente, de forma quadrática com α. Por fim, gostaríamos de mostrar que mesmo para α muito pequeno, ainda existe energia sendo injetada no sistema com taxa constante, e isso não é um artefato da simulação. Para tal, foram realizadas 700 simulações com α=5104 e os resultados foram comparados com α=0

Energia média para α muito pequeno comparado com α nulo.

Energia (Com amortecimento)

Até o momento, o amortecimento foi negligenciado. Vamos, então, introduzi-lo e rodar várias simulações (700, neste caso) e observar como a média temporal da energia evolui ao longo do tempo, assim como foi feita na seção anterior. Utilizando β=0.1 e α=0.485 foi obtido o seguinte resultado

Energia mecânica média em função do tempo com amortecimento.

claramente o comportamento neste caso é diferente do observado sem amortecimento, agora a anergia aumenta até um certo valor e permanecenele. Para explorar este novo fenômeno, os seguintes passos foram feitos para cada valor de β=0.01,0.1,0.2:

  • Para diversos valores de α, executar 700 simulações até a energia estabilizar, salvando a média da energia entre as simulações.
  • Para cada conjunto de dados gerados por um determinado α, selecionar um intervalo de tempo onde a energia está estabilizada e calcular a sua média (E).

Produzindo o gráfico de E×α obtemos

Energia estabilizada média em função de α para diferentes valores de amortecimento. Os painéis da esquerda possui eixos em escala linear e os da direita em escala logarítmica.

as linhas vermelhas são os melhores ajustas de leis de potência na forma E=aαb. Para β=0.1 os dados utilizados no ajuste foram apenas até α=0.6 (indicado pela reta preta vertical no gráfico), pois após esse limite, a lei de potência deixa de ser um ótimo ajuste. É chamativo o fato de todos os coeficientes, independente de β, serem aproximadamente 2.

Pêndulo invertido

O próximo pêndulo a ser considerado é um pêndulo invertido, que possui um potencial harmônico em seu ângulo, ou seja, um dos termos de sua energia potential é k2θ2, sendo que agora θ é zero quando a haste está apontando para cima, conforme ilustrado na figura a seguir

Esquema do pêndulo invertido com movimento vertical livre na base.


Ainda, a base do pêndulo é livre para movimentar-se na direção vertical, é justamente nesse local onde será adicionado uma força ruidosa. A equação de movimento neste caso é

θ¨=2bmθ˙+1l(g+u¨)sen(θ)kmθ

O primeiro termo vem da resistência do ar, o segunda se origina da gravidade e do deslocamento de u e o último provém da "mola" em θ. Vamos supor que existe uma força atuando na base que pode ser modelada, novamente, por ruído branco gaussiano fu(t)=αξ(t), ou seja, temos que u¨(t)=fum=αmξ(t)