Lançamento Oblíquo Estocástico

De Física Computacional
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O lançamento oblíquo é um clásico problema da mecanica, onde um projétil e lançado com velocidade inicial v em uma direção que faz um angulo θ com a horizontal. Nesse casso iremos considerar o movimento com arrasto em que a força de resistencia do ar é oposta ao movimento e proporcional a velocidade

FAr=kmv

O objetivo é descrever o movimento do projétil em duas dimensões, levando em consideração tanto a força da gravidade quanto a resistência do ar então adicionar um termo de ruido no sistema e analizar seu comportamento.

Equações de Movimento

Começamos decompondo as velocidades nas direções x e y

vx=vcos(θ)

vy=vsin(θ)

Para as equações de movimento usamos a segunda lei de Newton nas componentes horizontais e verticais

md2xdt2=kmvx

md2ydt2=mgkmvy

onde:

  • m é a massa do projétil
  • g é a aceleração da gravidade
  • k é o coeficiente de arrasto

Introduzindo vx=dxdt e vy=dydt podemos reescrever as equações como diferenciais de primeira ordem.

dvxdt=kvx

dvydt=gkvy

Essas E.D. possuem solução analitica bastando integrar nos limites adequados. A integração numérica por Euler é dirta a partir das relações a cima e nos da uma trajetoria para comparação quando adicionar o termo de ruido:

vx,j+1=vx,jkvx,jdt

vy,j+1=vy,jgdtkvy,jdt

Utilizando as seguintes condições iniciais x0=0 e y0=0 podemos atualizar a posição

vx=dxdt

xj+1=xj+vx,jdt

vy=dydt

yj+1=yj+vy,jdt

Para modelar o ruído produzido pela densidade do ar, consideramos dois regimes. No primeiro, assumimos que a densidade é constante ao longo da trajetória, ou seja, ρ=ρ0 e, portanto, trataremos o problema como uma EDE com ruído aditivo, onde B(X(t),t)=ρ0=β. Na segunda situação, consideramos que a densidade varia com a altitude do projétil, seguindo a relação ρ=ρ0eyH e, nesse caso, abordaremos como uma EDE com ruído multiplicativo, onde B(X(t),t)=ρ(X(t))=βeyH.

Equação diferencial estocástica

A equação diferencial estocástica a ser resolvida é:

dXdt=A(X(t))+B(X(t))ξ(t).

Caso o termo B(X,t) fosse uma constante, exemplo em que a densidade do ar não muda significativamente, o ruído é dito aditivo. Então, a integração da equação é direta, resultando em:

dX(t)=A(X(t))dt+BdW(t),

onde ξ(t)dt=dW(t) é o incremento de Wiener, um processo estocástico com distribuição gaussiana de largura dt. Escrevendo a equação em diferenças finitas e substituindo os valores de A(X(t)) e de B têm-se:

Δxi=vxiΔt

Δvxi=kvxiΔt+βΔWi

Δyi=vyiΔt

Δvyi=(gkvxi)Δt+βΔWi


Entretanto, o termo B(X,t) depende do processo estocástico e ruído é dito multiplicativo, assim, devemos utilizar um cálculo estocástco especial, por exemplo o cálculo de Itô e de Stratonovich. No cálculo de Stratonovich, as regras de integração, diferenciação, mudança de variáveis etc, se mantém as mesmas do cálculo usual, e a equação é escrita como:

dX(t)=A(X(t))dt+B(X(t))dW(t),

com o detalhe que o argumento de B(X(t)) é, na realidade, calculado na média de X entre os limites do intervalo de integração. Ou seja, ao escrever a equação em diferenças finitas, obtém-se:

ΔX(t)=A(X(t))Δt+B(X(t)+12ΔX(t))ΔW(t).

Ao subsituir os valores de A(X(t)) e de B(X(t)) na equação acima, chega-se em:

Δxi=vxiΔt

Δvxi=kvxiΔt+βeyiHeΔyi2HΔWi

Δyi=vyiΔt

Δvyi=(gkvxi)Δt+βeyiHeΔyi2HΔWi

É importante ressaltar que os incrementos de Wiener que aparecem nas equações para velocidade são independentes entre si, isto é, deverá ser gerado duas variáveis aleatórias com distribuição gaussiana de largura Δt. Agora, é necessário explicitar os Δyina equação acima, porém a dependência de B(X(t)) não é linear em relação à altura, o que torna inviável esse procedimento.


Com isso, a atenção volta-se para o cálculo de Itô, dado por:

dX(t)=[A(X(t))+12BXB(X(t))]dt+B(X(t))dW(t)

Após a substituição dos valores de A(X(t)) e B(X(t)), obtêm-se as seguintes expressões:

Δxi=vxiΔt

Δvxi=kvxiΔt+βey(t)HΔWi

Δyi=vyiΔt

Δvyi=[gkvxiβ22He2Hyi]Δt+βeyiHΔWi

Resultados

Nas figuras abaixo podemos ver as trajetórias de certo objeto para ruído aditivo e ruído multiplicativo considerando o chão em zero.

Figura 1 - Ruído multiplicativoFigura 2 - Ruído aditivo


Esperávamos que as média para ruído aditivo e multiplicativos fossem iguais, dado que o ruído não interfere no cálculo da média, porém como pode ser visto no gráfico abaixo há divergência para o ruído multiplicativo.

Figura 3 - Médias para N = 1000

Tanto a divergência da médias como o aumento da dispersão da trajetórias podem ser explicados pelo modelo que estamos usando na EDE-ito,

Figura 7 - exp

Figura 4 - Médias para N = 10000


Figura 5 - Médias para N = 1000Figura 6 - Médias para ruido alto