Equação de Ginzburg-Landau complexa

De Física Computacional
Revisão de 19h51min de 27 de abril de 2024 por Joaovgm (discussão | contribs) (Dedução)
Ir para navegação Ir para pesquisar

A equação de Ginzburg-Landau complexa (CGLE) surgiu inicialmente em 1969 como um modelo para o inicio de instabilidades em problemas de convecção de fluídos. A partir de então, ela se tornou uma das equações não lineares mais estudadas da física, descrevendo uma variedade enorme de fenômenos como:

  • Ondas não lineares;
  • Transições de fase de segunda ordem;
  • Supercondutividade;
  • Superfluidez;
  • Condensado de Bose-Einstein.

A equação de Ginzburg-Landau complexa, quando escrita de modo a minimizar o número de constantes, é dada pela equação abaixo:

At=(1+ic1)2A+A(1ic3)A|A|2.

É possível deduzir a CGLE a partir do oscilador linear harmônico por meio de argumentos de simetria, encontrando a equação de Stuart-Landau, e, em seguida, considerando um sistema estendido no espaço.

Dedução

Espaço de fase do oscilador harmônico

A energia de um oscilador harmônico é expressa pela equação abaixo, onde E é a energia, q e p a coordenada e seu respectivo momento, m é a massa e ω0 a frequência angular

E=p22m+12mω02q2.

Ao realizar as seguintes mudanças de variáveis, qq/m1/2 e ppm1/2, a equação da energia produz trajetórias circulares no espaço de fase de ω0q e p

E=p22+12ω02q2.

Essa é uma importante simetria do oscilador harmônico linear, resultando que a sua energia é proporcional ao quadrado da amplitude de oscilação, não dependendo da fase. Isso sugere uma motivação, qual é o menor termo não linear que pode ser adicionado de modo a preservar essa simetria. Para tanto, o estado do sistema será descrito em coordenadas polares, onde R é a amplitude e ϕ a fase

R˙=0,ϕ˙=ω0.

Definindo a variável complexa A=Reiϕ, a equação acima pode ser reescrita como

A˙=iω0A.

Realizando a transformação de variável AAeiχ, com χ, a equação acima permanece inalterada. Ou seja, a equação é invariante a rotações. Então, busca-se uma função não linear f(A,A*) tal que

A˙=iω0A+f(A,A*)

também seja invariante a rotações.

Então, perante às transformações AAeiχ e A*A*eiχ, a função f(A,A*) deve satisfazer

f(Aeiχ,A*eiχ)=f(A,A*)eiχ,

para que seja possível fatorar o termo responsável pela rotação e obter novamente a equação original.

Considerando pequenas oscilações, é possível expandir f(A,A*) em potências de A e A* até a menor ordem possível que satisfaça a condição e que introduza uma não linearidade à equação. Com isso, obtém-se

f(A,A*)=α1A+α2|A|2A,α1=α1r+iα1i,α2=α2r+iα2i