Motility-Induced Phase Separation(MIPS): mudanças entre as edições

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Com base nos Diagrama de Fase do sistema(FIG.4) foi possivel extrair os parâmetros característicos dos principais comportamentos do sistema, e testar a simulação nesses diferentes casos. O tempo de relaxação do sistema <math> t_{relax} = 5\times10^5 MCS </math> foi o mesmo medido e utilizado no artigo.
Com base nos Diagrama de Fase do sistema(FIG.4) foi possivel extrair os parâmetros característicos dos principais comportamentos do sistema, e testar a simulação nesses diferentes casos. O tempo de relaxação do sistema <math> t_{relax} = 5\times10^5 MCS </math> foi o mesmo medido e utilizado no artigo.


[[Arquivo: Diagrama_MIPS.png|thumb|upright=2,5|center|none|alt=Alt text|FIGURA 4: Imagem retirada de . Mostra o diagrama de fase do sistema.]]
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Edição das 22h22min de 1 de dezembro de 2021

Grupo: Bernardo Boatini e Murilo Kessler Azambuja

Introdução

A matéria ativa é um tipo de sistema fora do equilíbrio termodinâmico, onde cada "partícula" ou "agente" do sistema tem a capacidade dissipar energia na forma de forças mecânicas exercidas sobre o ambiente no qual está imerso. Esses sistemas muitas vezes podem exibir vários fenômenos novos, como movimentos coletivos quando exige-se um alinhamento das partículas (Como bio-polímeros que se auto organizam, tipo os microtúbulos que são parte do citoesqueleto celular, ou cardumes de peixe, por exemplo), ou os chamados MIPS (Motility-Induced Phase Separation) que são sistemas que apresentam uma mudança de fase física devido à interações que proíbem a ocupação simultânea de um volume do espaço por duas partículas simultâneas. Nestes sistemas, os agentes possuem a capacidede de auto-propulsão, de forma que a condição de balanço detalhado é quebrada no nível microscópico, uma vez que as partículas possuem uma direção preferencial de movimento.Estes tipos de sistema muitas vezes podem ser tratados a partir de uma abordagem hidrodinâmica, na qual são chamados de fluidos ativos, e divergem do comportamento usual de fluidos compostos de matéria usual inativa, os quais são descritos pela equação de Navier-Stokes.

Apesar desses sistemas fundamentalmente quebrarem a condição do balanço detalhado, ainda não é claro se o comportamento estatístico universal de sistemas de fluidos ativos necessariamente divergem daqueles de de sistemas em equilíbrio. A investigação de comportamentos universais nestes tipos de sistema, além de ser um interece central na física, também pode nos permitir utilizar conhecimentos já bem conhecidos (como a transição de fase em sistemas de matéria em equilíbrio termodinâmico) para descrever sistemas novos. Neste trabalho foi reproduzido o artigo [1] onde foi investigada o comportamento crítico de um sistema com MIPS e se viu que este tipo de sistema pertence à classe de universalidade de sistemas em equilíbrio como o modelo de Ising para spin. Para tal, foi utilizada três abordagens diferentes: um modelo hidrodinâmico, uma descrição baseada em teoria de campos e a simulação de um modelo de rede hexagonal.

Modelo

O sistema geral que estamos interessados em descrever é constituído de um conjunto de partículas em um meio com friccção, i.e, em um sistema sem conservação de momentum e com interações que não permitem a ocupação simultânea de duas partículas em um mesmo sítio (FIG. 1).

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FIGURA 1: Imagem retirada de [1]. Em (a) vemos a difusão devido à rotação da direção de movimento preferencial da partícula, em (b) temos o "movimento balístico" (seta verde) e a difusão devido à translação da partícula (setas azuis) e, em (c), vemos a interação entre partículas em sítios vizinhos, impedindo a ocupação simultânea do mesmo sítio por duas partículas.

Uma forma de modelar este sistema é considerá-lo um fluido ativo polar e compressível sem interações de alinhamento entre partículas, de forma que não se espera observar movimentos coletivos. Tal sistema é descrito de forma contínua pela chamada equação de Toner-Tu.

De um ponto de vista microscópico, podemos usar uma formulação discreta baseada na teoria de campos. Neste caso, consideramos uma rede hexagonal bidimensional, com o numero de ocupação de cada sítio da rede restringido por uma constante M (futuramente diremos que M=1, de forma que apenas uma partícula pode ocupar cada sítio).

Modelo no Continuo

As equações de Tuner-Tu são dadas por [1]

∂tρ+∇⋅𝐠=0,(1a)

∂t𝐠=−ζ∇ρ−κ𝐠+μ∇2𝐠+𝐟,(1b)

onde ρ é o campo de densidade de massa e 𝐠 é o campo de densidade de momentum. A equação (1a) diz respeito à conservação de massa do sistema como um todo. A equação (1b) se assemelha muito à equação de Navier-Stokes, assim podemos ver que o primeiro termo da equação caracteriza a compressibilidade do fluido, o segundo termo representa uma difusão do campo de momentum (o sinal negativo indica que o campo de momentum diminui com o passar do tempo), o terceiro termo representa a viscosidade do fluido e 𝐟 é um ruído Gaussiano com estatísticas espaço-temporais dadas por

⟨𝐟(t,𝐫)⟩=0, ⟨𝐟(t,𝐫)𝐟(t′,𝐫′)⟩=2Dδ(t−t′)δ(𝐫−𝐫′),

onde D é a intensidade do ruído.

No mesmo artigo [1] o autor argumenta que, devido à ausência de interações de alinhamento entre partículas, a emergência de movimento coletivo é impossível. Por este motivo, temos que o campo de densidade de momentum deve ir à zero no limite hidrodinâmico, de forma que 𝐠 não é uma variável livre e pode ser escrita em função de ρ. Desta forma, [1] obtêm que

∂tϕ=∇2δHδϕ+∇𝐟,(2)

onde ϕ(𝐫)=ρ(𝐫)−ρ0 para alguma constante ρ0 e H=a12ϕ2+a23ϕ3+a34ϕ4+b2(∇ϕ)2 é o Hamiltoniano de Landau-Ginzburg. A partir da equação (2), vemos que é possível descrever o sistema a partir da manipulação de dois parâmetros principais: o campo de densidade de partículas ρ (ou ϕ, a menos de uma constante) e a intensidade D do ruído 𝐟.

Modelo no Discreto

Como já foi dito antes, no modelo discreto é utilizado uma rede bidimensional hexagonal com número de ocupação máximo M para cada sítio da rede. Os agentes são divididos em seis tipos distintos de partículas ativas, cada uma se move em uma direção θi (as diagonais do hexágono) e somente vai saltar para o sítio adjacente ao longo desta direção, com uma taxa que depende da ocupação do sítio em questão. Além disso, é possível que uma partícula se transforme em outra, com uma taxa σ, correspondendo assim a um ruído rotacional de cada partícula. Utilizando a notação utilizada em [1], temos que a rede hexagonal é caracterizado pelo conjunto de vetores 𝐑 e a orientação ou tipo da partícula ativa pelo índice i. Desta forma o número de partículas do tipo i ocupando o sítio 𝐑 da rede é denotado por A𝐑θi. Com o formalismo desenvolvido em [2], temos que a teoria de campos nos fornece uma ação dada por

S=∫dt∑𝐑{∑i[A^𝐑θi∂tA𝐑θi(3a)

−γ(M−N𝐑+𝐞θi)A𝐑θi(eA^𝐑+𝐞θiθi−A^𝐑θi−1)](3b)

−∑⟨i,j⟩σA𝐑θi(eA^𝐑θj−A^𝐑θi−1)},(3c)


onde N𝐑=∑jA𝐑θj é o número de partículas total ocupando o sítio 𝐑. A equação (3b), diz respeito ao termo de transição entre uma posição 𝐑 e uma posição 𝐑+𝐞θi na rede hexagonal. Esta transição ocorre à uma taxa γ(M−N𝐑+𝐞θi), de forma que a taxa de transição para o sítio decresce com o aumento do número de partículas ocupando o mesmo. Se o número de partículas ocupando o sítio é M, então a taxa de transição é nula, indicando que não será possível que ocorra uma transição para este sítio. Este termo modela as interações de exclusão de volume discutidas anteriormente. Em nosso caso específico tomaremos M=1. Além disso, a equação (3c) corresponde à transição de tipo da partícula, i.e., à transição do movimento preferencial da partícula de uma orientação θi para uma θj. Esta transição ocorre com uma taxa σ e a notação ⟨i,j⟩ indica que a partícula somente trocará para uma orientação θj que seja adjascente à orientação θi inicial.

Implementação

Nessa secção serão colocados alguns detalhes da implementação da rede, das medidas e da dinâmica de Monte Carlo.

Algoritmo

A dinâmica de Monte Carlo foi implementada de forma que a cada MCS, N partículas do sistema são selecionadas aleatoriamente:

- Primeiramente a partícula decide se vai mudar seu sentido(θ) sorteando um valor d através de uma distribuição gaussiana centrada em 0, com variância igula a intencidade do ruído σ;

- A nova direção é dada por ;

- Depois disso a partícula tem probabilidade 24/30 de andar para o sitio vizinho naquela direção(se ele estiver vazio);

- Caso a partícula não decida andar naquela direção, ela se desloca na direção de outro sitio vizinho(se ele estiver vazio) sorteado aleatoriamente(emulando o comportamento difusivo).

Redes Hexagonais

Em modelos do tipo LGCA(Lattice Gas Celular Automata) o tipo de rede, bem como as topologias usadas, podem ser determinantes para as medidas e caracterizações do estado macroscópico. A simetria hexagonal se mostra uma boa alternativa para aumentar os graus de liberdade de uma partícula numa rede, quando comparada com a simetria quadrada. Na geometria hexagonal, assim como na quadrada, todos os sítios vizinhos possuem uma mesma distancia entre si só que com 6 graus de liberdade ao invés de quatro.

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FIGURA 2: Imagem adaptada de [3]. As setas duplas em verde sinalizam os sentidos que seguem trajetórias fechadas passando por só uma borda na topologia "armchair"(a) e "zigzag" (b)

Existem duas topologias possíveis em uma rede hexagonal: "zigzag" e "armchair"[3], e a diferença das duas está principalmente na implementação das condições de contorno periódicas. No caso da topologia em "zigzag"(FIG.2b), o espaço é representado em um paralelogramo, e existem 4 sentidos em que cruzando uma parede a partícula fecha sua trajetória sem ter que cruzar nova mente outra parede do sistema. Na topologia "armchair"(FIG.2a) por outro lado só existem 2 sentidos em que isso acontece.

Sub-Box Sampling Method

O método das subcaixas consiste em dividir o sistema em uma certa quantidade de subsistemas de interesse, permitindo observar a flutuação de densidades apenas nessas regiões.

Nesse trabalho o sistema foi dividido em 4 caixas de tamanho L×L: 2 centradas no centro de massa horizontal do sistema e duas centradas na região horizontal "mais rarefeita", que consequentemente esta a uma distancia de 3L do centro de massa.

Quando os parâmetros permitem que haja separação de fase, duas subcaixas ficam posicionadas exatamente sobre o centro da fase liquida e a mesma coisa para a fase gasosa, permitindo uma medição mais precisa das flutuações de densidade sem considerar as regiões de fronteira.

Porém, essas flutuações se tornam especialmente relevantes no ponto crítico, onde o uso de subcaixas se torna especialmente importante na extração medidas para classificar a transição de fase do modelo em analise.

Medida 1

A primeira medida utilizada para comparar o MIPS com o Ising foi a incompressibilidade isotérmica dos subsistemas χL definida da seguinte forma

χL=⟨N2⟩L−⟨N⟩L2⟨N⟩L

onde ⟨N⟩L denota a média do número de partículas contidas em um subsistema de tamanho L.

A Incompressibilidade isotérmica possui um fator de escala com o tamanho do sistema(χLαLγ/ν), que é conhecido para o caso do Ising 2D (γ/ν=7/4).

Medida 2

A segunda medida proposta é a derivada do cumulante de quarta ordem (U4) com relação a distancia adimensional do ponto crítico (τ=σ−σcσ) calculada no ponto crítico(τ=0). O cumulante é definido da seguinte forma

U4=⟨Δρ2⟩L2⟨Δρ4⟩L

Δρ=ρ−⟨ρ⟩L

Em [1] ⟨.⟩L é descrito como: "[...] an average over the four sub-boxes of finite size L [...]"

O cumulante de quarta ordem possui a propriedade de ser invariante frente a escala do sistema no ponto crítico(FIG.4), e por isso a sua derivada no ponto critico se torna um fator de escala importante para comparar o estado macroscópico do MIPS e do Ising.

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FIGURA 3: Imagem retirada de [1]. Mostra o comportamento esperado do cumulante de quarta ordem para o modelo de MIPS nas proximidades da criticidade em sistemas de diferentes tamanhos.

Em τ=0 a derivada do cumulante de quarta ordem, com respeito a τ, possui um fator de escala αL1/ν, que tambem pode ser encontrado no modelo de Ising(ν=1).

Resultados

Com base nos Diagrama de Fase do sistema(FIG.4) foi possivel extrair os parâmetros característicos dos principais comportamentos do sistema, e testar a simulação nesses diferentes casos. O tempo de relaxação do sistema trelax=5×105MCS foi o mesmo medido e utilizado no artigo.

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FIGURA 4: Imagem retirada de . Mostra o diagrama de fase do sistema.


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FIGURA 5:
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FIGURA 6:
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FIGURA 7:
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FIGURA 8:

Referência

  1. ↑ 1,0 1,1 1,2 1,3 1,4 1,5 1,6 1,7 https://arxiv.org/pdf/1810.06112.pdf Benjamin Partridge, Chiu Fan Lee, "CRITICAL MOTILITY-INDUCED PHASE SEPARATION BELONGS TO THE ISING UNIVERSALITY CLASS"
  2. ↑ Disponível em: https://arxiv.org/pdf/0709.1325.pdf Alexandre Lefèvre, Giulio Biroli, "DYNAMICS OF INTERACTING PARTICLE SYSTEMS: STOCHASTIC PROCESS AND FIELD THEORY"
  3. ↑ 3,0 3,1 HATZIKIROU, Haralambos et al. Extracting cellular automaton rules from physical Langevin equation models for single and collective cell migration. Journal of Mathematical Biology, [s. l.], 2017.