Modelo de Lotka-Volterra: mudanças entre as edições

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Então:<math display="block">\dot{V}\left(\boldsymbol{x}\right)=\alpha\left(x-x_{2}\right)\left(y_{2}-y\right)-\alpha\left(y_{2}-y\right)\left(x-x_{2}\right)=0</math>Temos então a condição de estabilidade <math display="inline">\dot{V}\leq0</math> concordando como que já havíamos obtidos anteriormente.
Então:<math display="block">\dot{V}\left(\boldsymbol{x}\right)=\alpha\left(x-x_{2}\right)\left(y_{2}-y\right)-\alpha\left(y_{2}-y\right)\left(x-x_{2}\right)=0</math>Temos então a condição de estabilidade <math display="inline">\dot{V}\leq0</math> concordando como que já havíamos obtidos anteriormente.
Outro exemplo resolvido numericamente pode ser visto em [[Modelo de Lotka-Volterra amortecido]].


=== Principais materiais utilizados ===
=== Principais materiais utilizados ===

Edição das 22h18min de 12 de abril de 2021

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No modelo de Lotka-Volterra temos as seguintes considerações:

  • Na ausência de predadores, a população de presas aumenta a uma taxa proporcional à população atual;
  • Na ausência de presas, os predadores irão à extinção;
  • O número de encontro entre presas e predadores é proporcional a produto das duas populações.
    • Estes encontros beneficiam os predadores em detrimento das presas.

Dessa forma, as equações são:

  • dxdt=x(a−αy)
  • dydt=y(−c+γx)

Onde:

  • a: taxa de crescimento de presas sem predadores;
  • α:taxa de decréscimo da população de presas devido a predação;
  • c: taxa de mortalidade da população de predadores sem presas;
  • γ: taxa de crescimento de predadores devido a predação.

Separação de variáveis

Utilizando a separação de variáveis, temos:

dydtdtdx=y(−c+γx)x(a−αy)

Logo:

dydx=y(−c+γx)x(a−αy)(a−αy)ydy=(−c+γx)xdx(ay−α)dy=(−cx+γ)dxIntegrando ambos os lados:

aln⁡y−αy=−cln⁡x+γx+Caln⁡y−αy+cln⁡x−γx=C

Onde C é uma constante de integração. Para plotarmos um gráfico, considerando apenas a=α=γ=c=1 Temos então:

ln⁡y+ln⁡x−(x+y)=C

Um ponto de equilíbrio fora da origem é obtido quando:

dxdt=x(a−αy)=0→y=aα=1dydt=y(−c+γx)=0→x=cγ=1

Então neste caso, o sistema oscila em torno de (1,1) e a constante C é definida pelas condições iniciais (x0,y0). Para a condição em que x0=y0=1, então:

ln⁡1+ln⁡1−(1+1)=C−2=C

Então para este conjunto de parâmetros e condições iniciais: ln⁡y+ln⁡x−(x+y)+2=0

Neste caso o sistema vai permanecer no ponto de equilíbrio. Para outras condições iniciais, o sistema vai oscilar em torno do ponto de equilíbrio. Obviamente além do ponto (1,1), temos um ponto de equilíbrio em (0,0). Vamos analisar a dinâmica na vizinhança dos pontos através de um processo simples de linearização.

f(x,y)=ln⁡y+ln⁡x−(x+y)−C com as condições a=α=c=γ=1 e condição inicial arbitrária, plotado no GeoGebra.

Linearização em torno do ponto de equilíbrio

Primeiro podemos perceber que o sistema é quase-linear em torno de (0,0), verificando que satisfaz:

lim(x,y)→(0,0)[parte não linearparte linear]=0

Então lembrando as equações:

  • dxdt=[xa]−(αxy)=[linear]−(não linear)
  • dydt=−[yc]+(γyx)=−[linear]+(não linear)

Logo:

lim(x,y)→(0,0)−αxyxa=lim(x,y)→(0,0)−αay=0lim(x,y)→(0,0)−γxycy=lim(x,y)→(0,0)−γcx=0

Desprezando então os termos não lineares podemos escrever o seguinte sistema linearizado em torno da origem:

(x˙y˙)=(a00−c)(xy)Calculando os autovalores da matriz, obtemos então:

−(a−λ)(−c−λ)=0(a−λ)(c+λ)=0


os seguintes autovalores λ={a,−c}. Como um dos valores tem parte real positiva, então é um ponto instável, especificamente devido aos sinais opostos é um ponto de sela. Como é instável significa que se a condição inicial for próxima de (0,0), a evolução do sistema vai se afastar do ponto de equilíbrio. Essa aproximação também indica que próximo do ponto de equilíbrio, a dinâmica pode ser descrita tanto pelo conjunto de equações não lineares, como pelo sistema linear.

Agora o segundo ponto de equilíbrio, de maneira geral é (cγ,aα). Primeiro reescrevemos o sistema em torno do ponto de equilíbrio, isto é, fazemos um deslocamento u=x−cγ e v=y−aα. Então temos dx=du e dv=dy e substituindo, para x˙:dudt=(u+cγ)a−α(u+cγ)(v+aα)dudt=ua+cγa−αuv−αcγv−ua−caγdudt=−αuv−αcγvE para y˙:

dvdt=−(v+aα)c+γ(v+aα)(u+cγ)dvdt=−cv−caα+γvu+γaαu+cv+caαdvdt=γvu+γaαuPodemos analisar o comportamento em torno do ponto de equilíbrio:

lim(u,v)→(0,0)−αuvαvcγ=lim(u,v)→(0,0)−γcu=0lim(u,v)→(0,0)γvuγauα=lim(u,v)→(0,0)αav=0Desprezando os termos não lineares então:

(u˙v˙)=(0−αcγγaα0)(uv)Então os autovalores correspondentes:

−λ2−γaααcγ=0λ=±−ac=±aci

Como temos raízes puramente imaginárias e λ1=λ2*, temos um centro, ponto de estabilidade. Isto é, se a condição inicial for próxima de (cγ,aα) o sistema evoluirá de forma que o estado do sistema permanecerá próximo do ponto de equilíbrio.

Classificação dos pontos de estabilidade de acordo com os autovalores[1].alt=

Segundo método de Lyapunov

Para avaliar o ponto (x1,y1)=(0,0), podemos usar de maneira análoga ao exemplo do segundo critério de Lyapunov:

V(x)=x2α−y2γ

Como já discutimos V(x0)=0 e a região W+{(x,y)||x|>|y|} onde V(x)>0 para x≠x0 , sendo x0 um ponto de acumulação em W+[2]. Então:

V˙(x)=[∇V]⋅[f(x)]=(2xα,−2yγ)(x˙,y˙)=2x2aα−2x2y+2y2cγ−2y2x=2x2(aα−y)+2y2(cγ−x)Lembrando do nosso segundo ponto de equilíbrio (x2,y2)=(cγ,aα):

V˙(x)=2x2(y2−y)+2y2(x2−x)


Então se estamos próximos suficiente do ponto de equilíbrio em análise (x1,y1)=(0,0), temos então uma instabilidade local pois V˙(x)>0 é positivo definido em W+, uma vez que |y|<|y2| , |x|<|x2|. Olhando o segundo ponto de equilíbrio, (x2,y2)=(cγ,aα), podemos manipular as equações da seguinte forma:

  • dxdt=x(a−αy)=xα(aα−y)=xα(y2−y)
  • dydt=y(−c+γx)=yγ(−cγ+x)=yγ(−x2+x)

Definindo então a seguinte função de Lyapunov:

V(x,y)=x−x2[1+ln⁡(xx2)]+αγ(y−y2[1+ln⁡(yy2)])

Analisando no ponto de e equilíbrio, temos:

V(x2,y2)=x2−x2[1+ln⁡(x2x2)]+αγ(y2−y2[1+ln⁡(y2y2)])=x2−x2+αγ(y2−y2)=0

Agora precisamos que para (x,y)≠0 tenhamos V>0, na região próxima ao ponto de equilíbrio. Separando em dois termos:

V(x,y)=[x−x2(1+ln⁡(xx2))]+αγ[y−y2(1+ln⁡(yy2))]=V(x)+αγV(y)

De forma geral temos V(z)=z−z2(1+ln⁡(zz2)), e precisamos que V(z)>0 quando z≠z2. Além de ser facilmente visto via gráfico para todos os valores aceitáveis z,z2∈[0,1], também podemos analisar a seguinte desigualdade:

z−z2(1+ln⁡(zz2))>0z>z2(1+ln⁡(zz2))zz2>1+ln⁡(zz2)ezz2>ezz2eu>euPodemos ver quer a desigualdade desigualdade é válida exceto se x=1. Mas como fizemos a seguinte substituição u=zz2 então u=1→z=z2, e de fato que queremos que seja positiva definida fora do ponto de equilíbrio. Uma vez que sabemos que V(x,y) é positivo definido, calculamos então:

V˙(x)=[∇V]⋅[f(x)]=[∂V(x)∂x,αγ∂V(y)∂y]⋅[xα(y2−y),yγ(−x2+x)]=[1−x2x,αγ(1−y2y)]⋅[xα(y2−y),yγ(−x2+x)]=(x−x2x)(xα(y2−y))+αγ(y−y2y)(yγ(−x2+x))

Então:V˙(x)=α(x−x2)(y2−y)−α(y2−y)(x−x2)=0Temos então a condição de estabilidade V˙≤0 concordando como que já havíamos obtidos anteriormente.

Outro exemplo resolvido numericamente pode ser visto em Modelo de Lotka-Volterra amortecido.

Principais materiais utilizados

  1. A survey of constructing Lyapunov functions for mathematical models in population biology (Sze-Bi, Revista Taiwanesa de Matemática )
  2. Estabilidade de pontos de equilíbrio e existência de soluções periódicas em alguns modelos bidimensionais (Salvador Tavares de Oliveira, UNESP)
  3. Modelagem Matemática e estabilidade de sistemas predador-presa (Paulo Laerte Natti e outros, UEL)
  4. Modelo de Lotka-Volterra: a dinâmica predador-presa (Rafael Biasi Pata e Elisa Regina Cara, UNIPAMPA)

Citações

  1. ↑ Análise de sistemas não-lineares (Vilma A. Oliveira e José Ricardo Rosolen, USP)
  2. ↑ Stability Analysis of Nonlinear Systems (Roberto Zanasi, Universidade de Módena e Reggio Emília)


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