Equação de Cahn-Hilliard: mudanças entre as edições

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:<math>f_j^{n+1}= f_j^{n} + \frac{D\Delta t}{(\Delta x)^2} (f_{j-1}^{n} - 2f_j^{n} + f_{j+1}^{n})</math>
:<math>f_j^{n+1}= f_j^{n} + \frac{D\Delta t}{(\Delta x)^2} (f_{j-1}^{n} - 2f_j^{n} + f_{j+1}^{n})</math>


== Resolução da equação de Cahn-Hilliard para FTCS explicito somente para x ==
== Implementação da equação de Cahn-Hilliard 1D pelo método FTCS explicito ==





Edição das 02h26min de 5 de abril de 2021

Grupo: Arthur Dornelles, Bruno Zanette, Gabriel De David e Guilherme Hoss

O objetivo deste trabalho é resolver computacionalmente a equação de Cahn-Hilliard, que descreve o processo de decomposição espinodal de uma mistura binária, e analisar como é seu comportamento com diferentes coeficientes de difusão, utilizando o método FTCS (Forward Time Centered Space). O trabalho foi inspirado no artigo: "numerical methods for the implentation of the Cahn-Hilliard equation in one dimension and a dynamic boundary condition in two dimensions"

Decomposição Espinodal

Decomposição espinodal é o nome dado ao processo no qual uma pequena perturbação de um sistema faz com que, uma fase homogênea termodinamicamente instável, diminua sua energia e separe-se espontaneamente em duas outras fases coexistentes, esse é um processo que ocorre sem nucleação, ou seja, é instantâneo. Ela é observada, por exemplo, em misturas de metais ou polímeros e pode ser modelada pela equação de Cahn-Hilliard.

A Equação de Cahn-Hilliard

Como dito previamente, a equação de Cahn-Hilliard descreve o processo de decomposição espinodal de uma mistura binária. Com o intuito de deduzirmos essa equação, consideraremos - de início - uma mistura binária de dois componentes A e B descritas pelas concentrações dos fluidos ca(x,t) e cb(x,t), respectivamente. [1]

Além disso, podemos considerar que - para uma mistura binária - ca(x,t)+cb(x,t)=1 e portanto podemos simplificar para apenas uma concentração c(x,t):

ca(x,t)=c(x,t),cb(x,t)=1c(x,t).

Tendo isso em vista, podemos agora utilizar a primeira lei de Fick da difusão:

J=Dc.

juntamente da equação da continuidade:

ct+J=0.

Onde D é o coeficiente de difusão e J é a difusão da mistura. Em seguida, ao combinarmos ambas as equações anteriores o resultado gera a segunda lei de Fick da difusão:

ct=D2c.

A partir dessa equação - como não há a existência de um gradiente de concentração espacial - pode-se esperar que não ocorra mudança na concentração da mistura. No entanto, observa-se que quando a separação de fases ocorre, a difusão demonstra ser contrária ao gradiente de concentração, o que não condiz com a equação anterior.

Tendo isso em vista, conclui-se que a concentração não pode ser a razão da difusão, portanto outra força deve estar presente. E, nesse caso, encontrou-se que a principal força responsável pela difusão negativa é o potencial químico (de acordo com Cahn e Hilliard, 1958). Portanto, outra equação pode ser derivada para generalizar a primeira lei de Fick:

J=Mμ.

Onde M é a mobilidade das partículas (análoga à D) e μ é o potencial químico. Com essa nova equação podemos agora também deduzir uma nova equação para a segunda lei de Fick:

ct=M2μ.

Nessa equação, podemos usar a definição do potencial químico através da densidade da energia livre de Gibbs como:

μ=gc.

Onde g é a densidade da energia livre de Gibbs e c é a concentração (de acordo com Schroeder, 1999).

Tendo em vista a substituição do termo μ por um termo que envolva a concentração dos fluidos, utiliza-se uma equação que descreve a densidade de energia desse sistema através da concentração dos mesmos (derivado em Cahn e Hilliard, 1958):

G=Vf(c)+κ|c|2dV.

Nesse caso, G é a energia livre de Gibbs, f(c) é a densidade de energia livre devido à contribuições de ambas as fases homogêneas e κ|c|2 é a densidade de energia livre devido ao gradiente de concentração.

Além disso, a função f(c) - que representa a energia local - possui o potencial de um poço de potencial duplo. Neste poço, c representa a concentração em escala e está relacionada à temperatura da mistura, que decide se a separação de fases irá - ou não - ocorrer. Esta função pode ser representada pela seguinte equação:

f(c)=(c21)24.

Levando essas informações em conta e - utilizando um parâmetro γ análogo à largura da interface - que é descrito por κ=γ2 é possível encontrar uma equação que descreve a densidade de energia livre de Gibbs para um sistema com duas fases.

g(c)=f(c)+γ2|c|2.

Com essas igualdades agora se torna possível o cálculo de μ em função da concentração dos fluidos:

μ=gc=f(c)c+(γ2|c|2)c=((c21)24)c+γ22c=c3c+γ22c.

Finalmente - utilizando a última expressão encontrada - torna-se possível reescrever o potencial químico em função da mobilidade de suas partículas (M) e a concentração do fluido:

ct=M2(c3cγ2c).

Essa equação final é chamada de equação de Cahn-Hilliard. A equação dependente da difusão é análoga e também funcional:

ct=D2(c3cγ2c).

Método FTCS (Forward Time Centered Space)

O FTCS é um método numérico utilizado para resolver equações diferenciais parciais, tais como a difusão do calor e do transporte de massa, traduzindo, significa "Progressivo no tempo, centrado no espaço". Uma das formas que o método pode ser utilizado é a forma explícita que está descritas abaixo.

nΔt
jΔx

FTCS Explicito

ftfjn+1fjnΔt
2fx2fj1n2fjn+fj+1nΔx2

Para difusão:

fjn+1=fjn+DΔt(Δx)2(fj1n2fjn+fj+1n)

Implementação da equação de Cahn-Hilliard 1D pelo método FTCS explicito

ct=D2(c3cγ22c)
cjn+1cjnΔt=D2x2(c3cγ22cx2)
cjn+1cjnΔt=Duj1n2ujn+uj+1n(Δx)2


cjn+1cjnΔt=D((cj1n)32(cjn)3+(cj+1n)3(Δx)2cj1n2cin+cj+1n(Δx)2γ2cj2n4cj1n+6cjn4cj+1n+cj+2n(Δx)4)
cjn+1=DΔt((cj1n)32(cin)3+(cj+1n)3(Δx)2cj1n2cjn+cj+1n(Δx)2γ2cj2n4cj1n+6cjn4cj+1n+cj+2n(Δx)4)+cjn
cjn+1=DΔt(Δx)2((cj1n)32(cin)3+(cj+1n)3cj1n+2cjncj+1nγ2cj2n4cj1n+6cjn4cj+1n+cj+2n(Δx)2)+cjn

Condição de Estabilidade

A estabilidade dessa equação mostra-se muito mais complicada de se estipular por ela ser uma equação diferencial de quarta ordem se comparada a equação de difusão, Portanto só iremos analisar a seção 3.3 (Experimental and theoretical stability conditions) do artigo Numerical methods for the implentation of the Cahn-Hilliard equation in one dimension and a dynamic boundary condition in two dimensions [1].

Após a linearização e aplicação do teorema de Gershgorin temos que a condição para estabilidade da equação linear para D=1 é:


Δt<(Δx)24+8γ2Δx2

Importante atentar que essa é a condição de estabilidade somente para a equação de Cahn-Hilliard linearizada, não para a original. Tanto que a literatura sobre a equação propõem que Δt (Δx)4, que é o que acontece na condição estabilidade linear quando γ>>Δx.

O artigo compara os dados experimentais de estabilidade com a estabilidade da equação linearizada relacionado na seção 3.3.4 e conclui que para valores de γΔx[0.25,8] a condição teórica encontrada a partir da linearização é uma boa aproximação.

Resultados

Com o intuito de testar como o fator de difusão D afeta a evolução da equação de Cahn-Hilliard, comparamos os resultados para os coeficientes de difusão 1, 0.1, 0.01 e 0.001 e analisamos seus gráficos. Para esse estudo foram utilizadas como condições iniciais a concentração -1 para a primeira metade do espaço e 1 para a segunda metade, e o sistema é livre de condições de contorno.


Gráfico 1: Resultados da simulação variando os coeficientes de difusão (D) para tempos máximos diferentes, γ=3.4/128,Δt=1/500000


Nos gráficos, é possível observar que quanto maior o coeficiente de difusão maior é a velocidade em que a mistura atinge a estabilidade. Além disso, vemos que valores baixos de t produzem soluções mais íngremes que valores altos de t.

Discussão de Resultados

Uma propriedade observada no gráfico 1 é a de que os valores das soluções obtidas utilizando o método FTCS excedem os valores máximos e mínimos permitidos ( C=1 e C=-1), se estivesse modelando uma situação real isso iria contra a lei de conservação de massa, o que pode ocasionar erros nos resultados que exigem uma grande precisão.

O método FTCS explícito limita-se por causa da condição de estabilidade, por isso esse método não é recomendado para modelos com alto γ. Para tais modelos, o método FTCS implícito é mais recomendado por ser incondicionalmente estável.

Implementção

def vector_declaration(L,dx):
  c = [[],[]] # vetor concentração
  espaco = []
  # Condições iniciais
  for i in range(int(L/dx)+4):##+4 pois usaremos dois valores antes e depois do ultimo elemento do vetor c
    if (i<1/2*L/dx+2):
      c[0].append(-1)
      c[1].append(-1)
    else:
      c[0].append(1)
      c[1].append(1)
    espaco.append(round(i/150,3))
  return c, espaco

def CH_equation(gamma, D, dx, dt, L, TEMPO_MAX): # resolução numérica da equação

  c, espaco = vector_declaration(L, dx)
  i = 0
  for time in [t*dt/TEMPO_MAX for t in range(int(TEMPO_MAX/dt))]:
    for l in range(2,len(c[1][2:-2])):
      c1 = c[i][l-1]**3 - 2*c[i][l]**3 + c[i][l+1]**3
      c2 = -c[i][l-1] + 2*c[i][l] - c[i][l+1]
      c3 = c[i][l-2] -4*c[i][l-1] + 6*c[i][l] - 4*c[i][l+1] + c[i][l+2]
      c[1-i][l] = D*dt/(dx**2)*(c1+c2-gamma**2*c3/(dx**2)) + c[i][l]
   i = 1-i

  return(espaco[2:-2],c[1-i][2:-2]) ##retirando os elementos a mais do vetor

tempo=1
tamanho=1/3.5
Difuse= 1
gamma=3.4*1/128
dt=1/500000
dx = 1/128

figure, axis = plt.subplots(2, 2)
plt.figure(dpi=500)

axis[0, 0].plot(*CH_equation(gamma, Difuse, dx, dt, tamanho, tempo/100000), label = "tempo: " + str(tempo/100000))
axis[0, 0].plot(*CH_equation(gamma, Difuse, dx, dt, tamanho, tempo/10000), label = "tempo: " + str(tempo/10000))
axis[0, 0].plot(*CH_equation(gamma, Difuse, dx, dt, tamanho, tempo/1000), label = "tempo: " + str(tempo/1000))
axis[0, 0].plot(*CH_equation(gamma, Difuse, dx, dt, tamanho, tempo/100), label = "tempo: " + str(tempo/100))
axis[0, 0].plot(*CH_equation(gamma, Difuse, dx, dt, tamanho, tempo/10), label = "tempo: " + str(tempo/10))
axis[0, 0].legend(loc="upper left", prop={'size': 6})

axis[0, 1].plot(*CH_equation(gamma, Difuse/10, dx, dt, tamanho, tempo/100000), label = "tempo: " + str(tempo/100000))
axis[0, 1].plot(*CH_equation(gamma, Difuse/10, dx, dt, tamanho, tempo/10000), label = "tempo: " + str(tempo/10000))
axis[0, 1].plot(*CH_equation(gamma, Difuse/10, dx, dt, tamanho, tempo/1000), label = "tempo: " + str(tempo/1000))
axis[0, 1].plot(*CH_equation(gamma, Difuse/10, dx, dt, tamanho, tempo/100), label = "tempo: " + str(tempo/100))
axis[0, 1].plot(*CH_equation(gamma, Difuse/10, dx, dt, tamanho, tempo/10), label = "tempo: " + str(tempo/10))
axis[0, 1].legend(loc="upper left", prop={'size': 6})

axis[1, 0].plot(*CH_equation(gamma, Difuse/100, dx, dt, tamanho, tempo/100000), label = "tempo: " + str(tempo/100000))
axis[1, 0].plot(*CH_equation(gamma, Difuse/100, dx, dt, tamanho, tempo/10000), label = "tempo: " + str(tempo/10000))
axis[1, 0].plot(*CH_equation(gamma, Difuse/100, dx, dt, tamanho, tempo/1000), label = "tempo: " + str(tempo/1000))
axis[1, 0].plot(*CH_equation(gamma, Difuse/100, dx, dt, tamanho, tempo/100), label = "tempo: " + str(tempo/100))
axis[1, 0].plot(*CH_equation(gamma, Difuse/100, dx, dt, tamanho, tempo/10), label = "tempo: " + str(tempo/10))
axis[1, 0].legend(loc="upper left", prop={'size': 6})


axis[1, 1].plot(*CH_equation(gamma, Difuse/1000, dx, dt, tamanho, tempo/100000), label = "tempo: " + str(tempo/100000))
axis[1, 1].plot(*CH_equation(gamma, Difuse/1000, dx, dt, tamanho, tempo/10000), label = "tempo: " + str(tempo/10000))
axis[1, 1].plot(*CH_equation(gamma, Difuse/1000, dx, dt, tamanho, tempo/1000), label = "tempo: " + str(tempo/1000))
axis[1, 1].plot(*CH_equation(gamma, Difuse/1000, dx, dt, tamanho, tempo/100), label = "tempo: " + str(tempo/100))
axis[1, 1].plot(*CH_equation(gamma, Difuse/1000, dx, dt, tamanho, tempo/10), label = "tempo: " + str(tempo/10))
axis[1, 1].legend(loc="upper left", prop={'size': 6})

plt.show()
plt.savefig('graficosDIFUSAO.png', dpi=500)

Referências

[1] SIBBING, Zimo. Numerical methods for the implentation of the Cahn-Hilliard equation in one dimension and a dynamic boundary condition in two dimensions, tese de bacharelado, 2015.

[2] MARKUS, Wilczek. The Cahn-Hilliard Equation, 2015.

[3] CAHN, John W.; HILLIARD, John E. Free Energy of a Nonuniform System. I. Interfacial Free Energy. The Journal of Chemical Physics, 1958.

[4] https://pt.wikipedia.org/wiki/Lei_de_Fick

[5] https://en.wikipedia.org/wiki/Spinodal_decomposition

[6] https://pt.qaz.wiki/wiki/Cahn%E2%80%93Hilliard_equation

[7] Daniel V. Schroeder. An Introduction to Thermal Physics. Addison-Wesley, 1999.