Modelo de Keller-Segel para relação população-economia: mudanças entre as edições

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[[Arquivo:evoluca_2d_keller_segel.png|1366px|thumb|center|Evolução da atividade econômica e da população para população inicial uniformemente distribuída]]
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A seguir, foi gerada uma animação com a evolução do sistema até a estabilização da atividade econômica. A estabilidade da atividade econômica foi entendida como <math>max(f^{t+10}_{i,j} f^t_{i,j}) \leqslant \epsilon</math>, onde <math>\epsilon</math> é usado para definir o número de casas decimais, e <math>S</math> é o espaço onde o dinheiro está distribuído. Para este caso <math>\epsilon = 1 \times 10^{-9}</math>
A seguir, foi gerada uma animação com a evolução do sistema até a estabilização da atividade econômica. A estabilidade da atividade econômica foi entendida como <math>max(f^{t+10}_{i,j} f^t_{i,j}) \leqslant \epsilon</math>, onde <math>\epsilon</math> é o valor que regula o erro. Para este caso <math>\epsilon = 1 \times 10^{-9}</math>


[[Arquivo:Evolucao 2d gif.gif|1000px|thumb|center|Animação da evolução do sistema]]
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Edição das 01h57min de 29 de março de 2021

Grupo: Leonardo Barcelos, Luana Bianchi e Rubens Borrasca

O objetivo deste trabalho é implementar o modelo de Keller-Segel, que originalmente descreve chemotaxis: movimento de organismo em direção ou contra algum sinal químico, para um sistema englobando população e atividade econômica. O método computacional utilizado para resolver o problema e implementar o modelo foi o FTCS (Forward Time Centered Space).

Modelo de Keller-Segel

Proposto por Evelyn Fox Keller, física norte-americana, e Lee Aaron Segel, matemático também norte-americano, o modelo de Keller-Segel foi historicamente utilizado para descrever o movimento de bactérias. Introduzido primeiramente em 1970 para descrever a agregação de uma espécie de bolor limoso (ou slime mold) ameboide, Dictyostelium discoideum, o modelo se tornou um dos mais usados nos estudos biológicos-matemáticos. As células deste slime mold se comportam como amoebas individuais, e se alimentam de bactérias, mas quando a quantidade de comida fica pequena, elas se difundem pelo espaço e então se agregam em formato mais alongado, como o formato das lesmas, para uma migração de longa distância. Keller e Segel desenvolveram um modelo matemático para o processo de agregação, em que a chemotaxis tem papel crítico na auto-ormanização das células.

Baseados no que já era conhecido sobre esses organismos, Keller e Segel utilizaram as seguintes premissas:

  • As células estão inicialmente distribuídas sobre o espaço de maneira mais ou menos homogênea, com algumas flutuações aleatótias;
  • As células apresentam chemotaxis em direção ao sinal químico denominado cAMP (cyclic adenosine monophosphate);
  • As células produzem moléculas cAMP;
  • As células e as moléculas cAMP difundem pelo espaço;
  • As células não morrem e não se dividem

De forma simplificada, ocultando alguns detalhes biológicos mais complicados a equação de Keller-Segel é a seguinte:

at=μ2aχ(ac)
ct=D2c+fakc

em que a e c são respectivamente as variáveis de estado para a concentração de células e a concentração de cMAP. μ é o parâmetro de mobilidade das células, χ é o parâmetro da chemotaxis celular, D é a constante de difusão das moléculas cAMP, f é a taxa de secreção de cMAP pelas células, e k é a taxa de decaimento das moléculas cMAP.


Aplicação população-economia

De forma parecida com as premissas de Keller e Segel, os seguintes pontos são assumidos para modelar a relação entre a população e a atividade econômica:

  • A população não cresce e não decresce ao longo do tempo;
  • A economia é ativada por existir mais pessoas em uma região;
  • Sem pessoas a atividade econômica diminui;
  • População e atividade econômica difundem gradualmente;
  • As pessoas são atraídas por regiões com maior atividade econômica

Traduzindo estes pontos em equações matemáticas, se obtêm as seguintes equações:

pt=Dp2pγ(pm)
mt=Dm2m+αpβm

em que p representa a população e m a atividade econômica. α é a constante que determina a taxa de produção de atividade econômica per capita, β é a constante da taxa de decaimento da atividade econômica, Dp e Dm são as constantes de difusão da população e da economia respectivamente, e γ é a constante que afeta a velocidade média do movimento da população.

Comparando o sistema obtido com o problema original de Keller-Segel, percebe-se que se trocarmos células por pessoas e cMAP por atividade econômica os problemas ficam iguais, e até se poderia denominar como moneytaxis a migração das pessoas em direção a atividade econômica, como a chemotaxis descreve o movimento das células em direção ao cAMP.

Método FTCS

O FTCS (Forward Time Centered Space, em tradução livre significa "avançado no tempo, centrado no espaço), é um método de discretização de Equações Diferenciais Parciais(EDP). Para a derivada temporal teremos,

ftfn+1fnΔt

e para a parte espacial,

2fs2fi12fi+fi+1(Δs)2

onde s é uma variável espacial qualquer (x,y,z,...) e t é o tempo.

Discretização do Modelo de Keller-Segel em 1D

Em 1D o sistema de equações diferenciais parciais será:

pt=Dp2px2γ[pxmx+p2mx2]
mt=Dm2mx2+αpβm

Agora utilizando a discretização FTCS teremos:

pin+1pinΔt=Dp(Δx)2[pi1n2pin+pi+1n]γ(Δx)2[(pi+1npin)(mi+1nmin)+pin(mi1n2min+mi+1n)]
min+1minΔt=Dm(Δx)2[mi1n2min+mi+1n]+αpinβmin

onde o sub-índice i se refere à coordenada x; e o superíndice n se refere ao tempo. Reorganizando as equações e agrupando alguns termos teremos:

pin+1=pin[12K1K2(mi1nmin)]+K1[pi1n+pi+1n]K2[pi+1n(mi+1nmin)]
min+1=min[1K3λ]+K3[mi1n+mi+1n]+Vpin

onde os termos agrupados são: K1=DpΔt(Δx)2 , K2=γΔt(Δx)2 , K3=DmΔt(Δx)2 , V=αΔt , λ=βΔt

Discretização do Modelo de Keller-Segel em 2D

Em 2D o sistema de equações diferenciais parciais será:

pt=Dp[2px2+2py2]γ[pxmx+pymy+p(2mx2+2my2)]
mt=Dm[2mx2+2my2]+αpβm

Agora utilizando a discretização FTCS e assumindo que Δx=Δy=Δs teremos:

pi,jn+1pi,jnΔt=Dp(Δs)2[(pi1,jn2pi,jn+pi+1,jn)+(pi,j1n2pi,jn+pi,j+1n)]γ(Δs)2[(pi+1,jnpi,jn)(mi+1,jnmi,jn)+(pi,j+1npi,jn)(mi,j+1nmi,jn)+pi,jn((mi1,jn2mi,jn+mi+1,jn)+(mi,j1n2mi,jn+mi,j+1n))]
mi,jn+1mi,jnΔt=Dm(Δs)2[(mi1,jn2mi,jn+mi+1,jn)+(mi,j1n2mi,jn+mi,j+1n)]+αpi,jnβmi,jn

onde os sub-índices i e j se referem às coordenadas x e y respectivamente; e o superíndice n se refere ao tempo. Reorganizando as equações e agrupando alguns termos teremos:

pi,jn+1=pi,jn[14K1K2(mi1,jn2m1,jn+mi,j1n)]+K1[pi1,jn+pi,j1n+pi+1,jn+pi,j+1n]K2[pi+1,jn(mi+1,jnmi,jn)+pi,j+1n(mi,j+1nmi,jn)]
mi,jn+1=mi,jn[14K3λ]+K3[mi1,jn+mi,j1n+mi+1,jn+mi,j+1n]+Vpi,jn

Resultados

1D

Com o intuito de testar melhor a equação e suas consequências, os resultados foram divididos em várias simulações diferentes.

Para todas as simulações realizadas, exceto onde indicado, os parâmetros utilizados foram os seguintes:

N=100

dx=1

dt=0.3

Dm=1

Dp=1

γ=1

α=1

β=1

Além disso, foram utilizadas condições periódicas de contorno (PBC) para a solução das equações diferenciais parciais. Deste modo, pode-se pensar no eixo x como uma "rosquinha", onde, considerando um sistema de tamanho N, os pontos x=0 e x=N estão conectados.

População e Dinheiro em pontos separados

Para esta simulação, considera-se que no tempo 0, toda a população está concentrada em 1 ponto x=𝒞1, enquanto todo o dinheiro está em um outro ponto, distante deste, x=𝒞2. Deste modo, temos as seguintes equações para as condições iniciais:

p(x,t=0)={1,p/x=𝒞1,𝒞1[0,N]0,caso contrario

m(x,t=0)={1,p/x=𝒞2,𝒞2[0,N],𝒞2𝒞10,caso contrario

Na figura abaixo, consegue-se observar o resultado da construção do sistema desta maneira:

Resultados da simulação para o caso de população e dinheiro em pontos separados e distantes na malha

Com toda a população concentrada em 1 ponto (x=20), a atividade econômica cresce consideravelmente neste intervalo ao longo do tempo. Em contrapartida, o local que continha todo o dinheiro no começo da simulação (x=80), em pouco tempo tem a sua renda líquida migrada para onde tem uma densidade populacional maior. Essa tendência indica, portanto, que o sistema é construído de tal forma que a atração da população por regiões de alta renda líquida é menor que a atração do sistema monetário de seguir para pontos de alta densidade populacional.

Além disso, outra observação interessante é que nota-se para t uma tendência inerente da densidade populacional em seguir uma distribuição de shape gaussiano sob a malha. Considerando que a equação que define o movimento populacional com o tempo contém um termo difusivo, e que a solução para uma difusão simples em 1 dimensão também assume um shape gaussiano, este resultado faz sentido. Mas uma coisa interessante é que, depois de se desfazer de seu formato inicial, o total de dinheiro sob a malha tende a seguir a distribuição populacional, porém com um desvio padrão maior (maior abertura na Gaussiana). Essa observação indica que, para centros econômicos (regiões com alto m) a tendência é que suas periferias também possuam valores altos de renda, apesar da população consideravelmente menor. Além disso, para regiões fora do contorno de centros econômicos (distância maior do que 3 vezes o desvio padrão da gaussiana) a atividade econômica é basicamente nula, assim como a densidade populacional. Este último fato descreve de forma genérica e simplista o comportamento atual observado em metrópoles nos dias de hoje: uma cidade grande possui alto número de habitantes, alta renda, seus contornos também apresentam atividade econômica forte (porém menor que o centro), mas para um raio suficientemente grande, tanto dinheiro quanto população caem exponencialmente.

População uniforme e sem dinheiro no sistema para t = 0

Nesta simulação, considera-se que, para t=0, não há dinheiro sob a malha. Deste modo, a equação que descreve o dinheiro no sistema ao longo do tempo pode ser escrita como:

m(x,t=0)=0,x[0,N]

Além disso, a população é iniciada de forma aleatória sob a malha. Deste modo, não há tendência inicial à formação de centros com alta densidade de população.

Esta forma inicial da população se assemelha muito à proposição inicial que Keller-Segel fizeram para um sistema celular, como descrito acima. Na prática, temos uma concentração homogênea com pequenas flutuações ao longo do eixo.

Resultados da simulação para o caso de m(x,t=0)=0, e população iniciada aleatoriamente.

Na imagem acima, para t = 0 (início da simulação) compreende-se melhor as condições iniciais do sistema. Enquanto que a população, aleatoriamente distribuída sob o eixo x, se assemelha a um ruído branco, o dinheiro não existe na malha.

Na segunda coluna de imagens, nota-se um ponto interessante: a formação de clusters de população (e consequentemente, de dinheiro). Estes clusters são, na verdade, picos que aparecem no gráfico de p(x,t), e indicam alta concentração da população em pontos específicos. Além dos picos claramente visíveis (um deles próximo a x=50, e outro próximo a x=90) pode-se enxergar, também, sub-picos nas bases destes picos de população. Para t=24.9 e dt=0.3, deduz-se que o sistema, nesta representação, havia passado por 83 iterações até então, o que indica que, durante estas 83 iterações, haviam mais clusters de população em tempos passados, menores porém definidos. E estes "mini-clusters" se agruparam até formar os 2 picos que vemos.

Com o passar do tempo na simulação, nota-se que o comportamento continua, de modo que para a última coluna de figuras é visível que apenas 1 dos picos iniciais se manteve, enquanto o outro foi praticamente inteiro "engolido" pela cauda do maior. Este comportamento de formação de 1 único cluster de população, com shape gaussiano, já havia sido observado na simulação anterior, para t suficientemente grande.

Simulação do mesmo sistema anterior, para t suficientemente grande (t = 270 neste caso) a ponto de chegar em um estado próximo ao equilíbrio, onde as funções que descrevem população e renda do sistema praticamente não se alteram mais com o tempo.

A figura acima mostra o que acontece caso deixemos o mesmo sistema apresentado antes evoluir até um estado de equilíbrio, onde não há alterações para a população ou renda do sistema. Neste caso, observa-se com mais clareza uma curva de shape gaussiano, em localização bem próxima àquela que vimos para t=124.8 na figura anterior, tanto para a distribuição da população quanto da renda. E mais uma vez, mesmo que não muito perceptível pois as 2 curvas apresentadas são bem largas, o desvio padrão da curva que descreve a renda aparenta ser maior que o desvio padrão da curva que descreve a população.

2D

Para o caso em duas dimensões, foi utilizada uma distribuição populacional uniforme em todo o espaço. Já a distribuição econômica, no instante t=0 começou da seguinte forma: Em cada canto do espaço foi atribuído um valor de 0.125, no centro 0.2 e ao redor do centro em 4 pontos 1. A seguir, é confirmado um comportamento que foi observado no caso unidimensional, em que os picos concentrados, após a evolução do sistema, tomam a forma de gaussianas. É possível notar também que a população tende a "clusterizar" em torno dos locais em que a atividade econômica tinha valores altos no início da simulação. Isso se deve principalmente ao termo que é influenciado pela constante γ do sistema de EDPs que modela o sistema.

Evolução da atividade econômica e da população para população inicial uniformemente distribuída

A seguir, foi gerada uma animação com a evolução do sistema até a estabilização da atividade econômica. A estabilidade da atividade econômica foi entendida como max(fi,jt+10fi,jt)ϵ, onde ϵ é o valor que regula o erro. Para este caso ϵ=1×109

Animação da evolução do sistema

Os parâmetros utilizados para gerar as imagens foram os seguintes: L=100, ds=1, dt=0.3, Dm=0.5, Dp=0.5, α=1.2, β=0.03, γ=1

Discussão

Programas

Referências

Sayama

Scherrer

[1]