Transição de fase em dinâmicas de avaliação: mudanças entre as edições

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A situação financeira de cada empresa é descrita por uma variável discreta (<math>R_i</math>), que assume valores inteiros entre 0 e <math>(R_{\text{max}}).</math>
A situação financeira de cada empresa é descrita por uma variável discreta (<math>R_i</math>), que assume valores inteiros entre 0 e <math>(R_{\text{max}}).</math>
O valor (<math>R_i = 0</math>) corresponde a um estado de falência, enquanto (<math>R_{\text{max}}</math>) representa uma empresa em excelente situação financeira.
O valor (<math>R_i = 0</math>) corresponde a um estado de falência, enquanto (<math>R_{\text{max}}</math>) representa uma empresa em excelente situação financeira.
==== 2.2 Condições de contorno====
O modelo impõe duas restrições importantes:
Fronteira absorvente em (R = 0): a empresa é considerada falida. Esse estado é absorvente, ou seja, uma empresa que atinge essa condição não pode mais retornar a um estado financeiro positivo.
Fronteira refletora em (R = Rmax): a empresa atingiu a melhor classificação financeira possível. Qualquer tentativa de aumento adicional é impedida, de modo a manter a variável dentro do intervalo permitido.
====2.3 Evolução da saúde financeira====
A evolução de (R_i) pode ser representada pelo parâmetro (s_i(t)), que segue o modelo de Potts de três estados. Nesse caso, (s_i(t) \in {-1, 0, 1}).
(s_i(t) = -1): a situação da empresa se deteriora.
(s_i(t) = 0): a situação da empresa permanece estável.
(s_i(t) = 1): a situação da empresa melhora.
A evolução temporal dessa variável é dada por:
R_i(t)=R_i(t-1)+s_i(t)+\eta\big(R_i(t-1),,s_i(t)\big)
]
O estado (R_i(t)) depende do estado anterior (R_i(t-1)), da sua evolução (s_i(t)) e da função de correção (\eta), que garante o cumprimento das condições de contorno.
====2.4 Dinâmica interna====
As empresas interagem por meio de uma matriz (J_{ij}), que modela as dependências econômicas entre elas.
Os coeficientes (J_{ij}) são sorteados de acordo com uma distribuição gaussiana de média (J_0) e desvio-padrão (\sigma_J).
Se um coeficiente (J_{ij}) for positivo, as duas empresas tendem a evoluir na mesma direção. Uma deterioração financeira de uma delas aumenta a probabilidade de que a outra também se deteriore. Esse tipo de interação pode representar parcerias comerciais, cadeias de suprimentos ou dependência de um recurso compartilhado.
Se um coeficiente (J_{ij}) for negativo, as empresas encontram-se em situação de concorrência. Nesse caso, uma melhora na situação financeira de uma pode favorecer a deterioração da outra, e vice-versa.
O parâmetro (J_0) representa a intensidade média das interações no sistema, enquanto (\sigma_J) mede sua dispersão.
O parâmetro (J_0) desempenha um papel central no modelo, pois controla o grau médio de interdependência entre as empresas.
====2.5 Energia ====
No caso do modelo de Potts, a energia (H) do sistema é representada pela expressão:
H=-\sum_{i<j} J_{ij},\delta(s_i,s_j)
]
em que (J_{ij}) representa a correlação entre as empresas e (\delta(s_i,s_j)) é o delta de Kronecker, que vale 0 quando (s_i \neq s_j) e 1 quando (s_i = s_j).
Essa energia permite modelar a estabilidade do sistema. Em física, um sistema tende naturalmente a evoluir para estados de menor energia. Assim, configurações de baixa energia são mais prováveis do que configurações de alta energia.
Por exemplo, considere duas empresas interdependentes ((J_{ab}=1)) que se encontram ambas em uma situação financeira desfavorável ((s_a=s_b=-1)). Nesse caso,
\delta(s_a,s_b)=1
e, portanto, H=-1.
Como a energia é baixa, essa configuração é favorecida.
Por outro lado, se essas mesmas empresas forem concorrentes ((J_{ab}=-1)), a energia passa a ser
H=1
e essa configuração deixa de ser favorecida.
Esse resultado é coerente, pois empresas concorrentes não tendem a evoluir na mesma direção.
====2.6 Variável dinâmica si(t)====
Toda a complexidade desse problema reside, portanto, no parâmetro (s_i(t)), que representa a evolução instantânea de uma empresa em função da influência de suas empresas vizinhas.
Em mecânica estatística, um sistema em equilíbrio segue a distribuição de Boltzmann:
Essa distribuição é fundamental e estabelece que os estados de menor energia são mais prováveis, enquanto os estados de maior energia são mais raros. Neste trabalho, substituímos (\beta) por 1, pois a temperatura e a constante de Boltzmann não exercem influência no modelo.
Também aparece (Z), que corresponde à função de normalização da probabilidade (P\big(s_i(t)\big)).

Edição das 21h43min de 29 de junho de 2026

Falência Coletiva de Empresas e Transição de fase em dinâmicas de avaliação

Introdução

Existem muitos riscos na atividade bancária. Neste trabalho foi investigado uma Dinâmica usada para estudar estes riscos. Poder lidar com isso é importante para que a economia ao todo não seja afetada quando os piores cenários aconteçam. Um deles é o risco de Moratórias (Defaults). Uma moratória é definida como um estado em que um banco determina que um devedor não é mais capaz de pagar uma dívida sem com que o banco tome outras ações (p. e. estender o prazo de pagamento). Com isso em mente, um banco sempre precisa ter uma estimativa das suas perdas dado uma moratória para cada entidade capaz de gerar uma dívida [1]. Uma dessa entidades são empresas. Porém, empresas não são entidades independentes. Elas tem relações com outras empresas e isso pode torná-las dependentes uma das outras. Baseado em o quão forte for essa dependência, uma moratória em uma empresa pode levar a uma moratória em outra. Duas empresas que dependem do produto uma outra se veem em uma situação que se caso qualquer uma delas tenha dificuldade financeira, a outra sentirá também e, no pior dos casos, pode acabar com dívidas assim como a sua parceira. Isso é chamado de moratórias em conjunto ou falência coletiva.

Dependências podem surgir de fontes diferentes e nem sempre serão positivas. Empresas podem ter uma parceria de trocas, onde uma depende do que outra produz e a que produz depende da compra da outra. Essa dependência também pode ser indireta, na forma de ambas dependerem de um mesmo recurso. Como ambas usam a mesma matéria prima, caso algo aconteça com a mesma, ambas serão afetadas. Uma competição entre empresas também é uma dependência. A diferença é que quando uma empresa for afetada de forma negativa, a outra será afetada de forma positiva e vice-versa.

Nesse trabalho foi utilizada uma dinâmica simples para identificar essas moratórias. Isso foi feito simulando essa interação entre empresas e criando uma avaliação da situação de cada uma delas. As mudanças nessas avaliações vão vir de duas fontes. A primeira será uma Dinâmica Individual de uma firma, isto é, o estado econômico da mesma e como ela age em relação a isso. A segunda fonte será uma Dinâmica Coletiva das interações entre as empresas semelhante ao Modelo de Potts. Com uma dinâmica desse tipo, veremos duas fases bem definidas no número de moratórias.

Modelo

A condição financeira de uma empresa será descrita por uma variável R com valores discretos 0, 1, …, Rmax. Essa medida de avaliação financeira vai nos dizer que quando R = 0, teremos uma moratória. R é modelado pela Eq. (1).

R(t)=R(t1)+s(t)+η(R(t1),s(t))

Essa avaliação dependerá do seu valor anterior e em cada passo, ela só vai mudar de um em um, pois essa variável s(t) vai ser -1, 0 ou 1. Ou seja, só é possível diminuir em um o R(t) de uma empresa, ou aumenta-lo em 1. O η estará modelando as condições de fronteira, já que o espaço dos R's é limitado. A fronteira R = 0 (Moratória) é absorvente, pois uma empresa não irá se recuperar neste modelo. Já o limite superior, ou seja, Rmax+1 é refletivo, pois não se pode ir além. Isto será modelado com η(R,s)=s se R=0, ou η(R,s)=1 se R=Rmax e s=1, ou η(R,s)=0 para os outros casos.

P(si|s1,...,si1,si+1,...,sN,Ri)=1Zexp(jiJijδ(si,sj)+f(Ri,si))

A função s(t) é semelhante aos spins de partículas para um Modelo de Potts com q = 3. Para N empresas, definiremos uma probabilidade de uma variável si de uma empresa i mudar de estado no instante t. Isto é, será uma probabilidade condicional, onde iremos supor uma transição e analisar a probabilidade disso ocorrer no tempo seguinte, baseado em como o sistema está agora e repetir isso para todas as possíveis transições, vide Eq. (2). Tudo antes da barra em (2) é em t+1 e tudo depois da barra é em t. Ou seja, assumiremos que em t+1, si=1. Calculando P(si=1|s1,s2,...) teremos a probabilidade disso acontecer, analisando em especial o Delta de Kronecker. Ele só será não nulo com os sj que estão no mesmo estado, ou seja, estamos contando quantos estados são iguais ao si que foi suposto. O termo Jij será uma matriz que vai modelar a interação entre as empresas, ou a dependência entre i e j. Cada valor nesta matriz é Gaussiano (Eq. 3) com média J0 e desvio σJ. Além disso Z será uma constante de normalização, para que e f(Ri,si) será o termo que vai modelar a dinâmica interna da empresa (Veremos o caso f=0 e o caso f0). Com isso feito, teremos a possibilidade do nodo si ir para -1 em t+1. Estenderemos isso para P(si=0|s1,...) e P(si=1|s1,...) e teremos todas as possibilidades de transição de si em t+1. Basta agora repetir isso para as N empresas e escolher aleatoriamente o destino de cada nodo baseado nessas probabilidades obtidas.

Os valores Jij podem ser tanto positivos quanto negativos. Quando Jij>0, haverá uma interação positiva entre duas empresas, ou uma cooperação. Essa cooperação pode ser na forma de uma relação de compra e troca, ou na dependência de mesmos recursos. Se um dos nodos tiver algum problema financeiro, ele terá o seu capital afetado e logo diminuirá os lucros dos seus parceiros. Uma mudança em i causará uma mudança em j na mesma direção. Caso Jij<0, haverá uma concorrência entre i e j. Uma mudança em i causará uma mudança em j na direção oposta.

P(Jij)=12πσJ2exp((JijJ0)22σJ2)

Definiremos também o número de moratórias ND (Number of Defaults). Sabemos que há uma moratória quando R=0, então ND será quantos Ri nulos teremos nas N empresas após toda uma simulação. Mas, como Jij será um valor diferente de simulação para simulação e isso levará a valores diferentes de ND, iremos definir uma média de ND como <ND>. Na equação abaixo, K é o número de simulações feitas e NDk é o ND de uma específica simulação.

<ND>=1Kk=1KNDk

Simulações

Referências

  1. Basel II: International Convergence of Capital Measurement and Capital Standards: a Revised Framework, The Basel Committee for Banking Supervision, Basel (2004), http://www.bis.org/publ/bcbs107.htm


Trabalho 2026 : Thao CHOUILLOU e Thomas MAHIOUS

1. Introdução

Os sistemas econômicos são caracterizados por fortes interações entre os diferentes agentes. Em particular, as empresas não funcionam de forma isolada: elas dependem de seus fornecedores, de seus clientes e de recursos compartilhados. Essas interconexões podem gerar importantes efeitos coletivos, especialmente durante crises econômicas.

Um fenômeno particularmente relevante é o da inadimplência (ou falência), que corresponde à incapacidade de uma empresa de honrar seus compromissos financeiros. Quando as empresas estão fortemente interconectadas, a falência de uma delas pode provocar a falência de outras, levando a um efeito em cascata conhecido como falência coletiva.

Neste trabalho, estudamos um modelo simplificado que descreve a dinâmica da situação financeira de um conjunto de empresas em interação. Esse modelo combina uma dinâmica individual, própria de cada empresa, com uma dinâmica coletiva resultante das interações entre elas.

Do ponto de vista da física estatística, esse sistema apresenta analogias com o modelo de Potts, utilizado para descrever sistemas com múltiplos estados possíveis. Em particular, o modelo pode apresentar uma transição de fase, caracterizada por uma mudança abrupta no número de falências quando determinados parâmetros são modificados.

O objetivo deste trabalho é simular esse modelo por meio de métodos de Monte Carlo, reproduzir os resultados já conhecidos e explorar extensões que permitam compreender melhor os fenômenos coletivos associados às falências.


2. Modelo

2.1 Variável de saúde financeira

A situação financeira de cada empresa é descrita por uma variável discreta (Ri), que assume valores inteiros entre 0 e (Rmax). O valor (Ri=0) corresponde a um estado de falência, enquanto (Rmax) representa uma empresa em excelente situação financeira.

2.2 Condições de contorno

O modelo impõe duas restrições importantes: Fronteira absorvente em (R = 0): a empresa é considerada falida. Esse estado é absorvente, ou seja, uma empresa que atinge essa condição não pode mais retornar a um estado financeiro positivo. Fronteira refletora em (R = Rmax): a empresa atingiu a melhor classificação financeira possível. Qualquer tentativa de aumento adicional é impedida, de modo a manter a variável dentro do intervalo permitido.

2.3 Evolução da saúde financeira

A evolução de (R_i) pode ser representada pelo parâmetro (s_i(t)), que segue o modelo de Potts de três estados. Nesse caso, (s_i(t) \in {-1, 0, 1}). (s_i(t) = -1): a situação da empresa se deteriora. (s_i(t) = 0): a situação da empresa permanece estável. (s_i(t) = 1): a situação da empresa melhora. A evolução temporal dessa variável é dada por:

R_i(t)=R_i(t-1)+s_i(t)+\eta\big(R_i(t-1),,s_i(t)\big) ] O estado (R_i(t)) depende do estado anterior (R_i(t-1)), da sua evolução (s_i(t)) e da função de correção (\eta), que garante o cumprimento das condições de contorno.

2.4 Dinâmica interna

As empresas interagem por meio de uma matriz (J_{ij}), que modela as dependências econômicas entre elas. Os coeficientes (J_{ij}) são sorteados de acordo com uma distribuição gaussiana de média (J_0) e desvio-padrão (\sigma_J). Se um coeficiente (J_{ij}) for positivo, as duas empresas tendem a evoluir na mesma direção. Uma deterioração financeira de uma delas aumenta a probabilidade de que a outra também se deteriore. Esse tipo de interação pode representar parcerias comerciais, cadeias de suprimentos ou dependência de um recurso compartilhado. Se um coeficiente (J_{ij}) for negativo, as empresas encontram-se em situação de concorrência. Nesse caso, uma melhora na situação financeira de uma pode favorecer a deterioração da outra, e vice-versa. O parâmetro (J_0) representa a intensidade média das interações no sistema, enquanto (\sigma_J) mede sua dispersão. O parâmetro (J_0) desempenha um papel central no modelo, pois controla o grau médio de interdependência entre as empresas.


2.5 Energia

No caso do modelo de Potts, a energia (H) do sistema é representada pela expressão:

H=-\sum_{i<j} J_{ij},\delta(s_i,s_j) ] em que (J_{ij}) representa a correlação entre as empresas e (\delta(s_i,s_j)) é o delta de Kronecker, que vale 0 quando (s_i \neq s_j) e 1 quando (s_i = s_j). Essa energia permite modelar a estabilidade do sistema. Em física, um sistema tende naturalmente a evoluir para estados de menor energia. Assim, configurações de baixa energia são mais prováveis do que configurações de alta energia. Por exemplo, considere duas empresas interdependentes ((J_{ab}=1)) que se encontram ambas em uma situação financeira desfavorável ((s_a=s_b=-1)). Nesse caso,

\delta(s_a,s_b)=1 e, portanto, H=-1. Como a energia é baixa, essa configuração é favorecida. Por outro lado, se essas mesmas empresas forem concorrentes ((J_{ab}=-1)), a energia passa a ser H=1 e essa configuração deixa de ser favorecida. Esse resultado é coerente, pois empresas concorrentes não tendem a evoluir na mesma direção.


2.6 Variável dinâmica si(t)

Toda a complexidade desse problema reside, portanto, no parâmetro (s_i(t)), que representa a evolução instantânea de uma empresa em função da influência de suas empresas vizinhas. Em mecânica estatística, um sistema em equilíbrio segue a distribuição de Boltzmann:

Essa distribuição é fundamental e estabelece que os estados de menor energia são mais prováveis, enquanto os estados de maior energia são mais raros. Neste trabalho, substituímos (\beta) por 1, pois a temperatura e a constante de Boltzmann não exercem influência no modelo. Também aparece (Z), que corresponde à função de normalização da probabilidade (P\big(s_i(t)\big)).