Modelo Blume-Capel para partículas de spin 1: mudanças entre as edições

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== Modelo de Ising ==
== Teoria ==
 
=== Modelo de Ising ===


Considere um grupo de partículas com spin <math>1/2</math> que interagem com seus vizinhos mais próximos. Pode-se calcular a energia do sistema através do Hamiltoniano [CITATION]
Considere um grupo de partículas com spin <math>1/2</math> que interagem com seus vizinhos mais próximos. Pode-se calcular a energia do sistema através do Hamiltoniano [CITATION]


<center>
<math>
<math>
H=-J\sum_{<i,j>} \sigma_i \sigma_j
\mathcal{H}=-J\sum_{<i,j>} \sigma_i \sigma_j
</math>
</math>
</center>


Com <math>\sigma_i</math> representando o valor do spin da partícula <math>i</math>, podendo ser <math>\pm 1/2</math>. O somatório representa a energia potencial das partículas vizinhas, onde J representa o comportamento e a propensão ao alinhamento do sistema, podendo ser qualquer número real, no qual valores positivos de <math>J</math> diminuindo a energia quando os spins estão alinhados e, valores negativos a aumentando. Assim, quanto mais longe de 0 $J</math> estiver, mais o sistema tende a um extremo.
Com <math>\sigma_i</math> representando o valor do spin da partícula <math>i</math>, podendo ser <math>\pm 1/2</math>. O somatório representa a energia potencial das partículas vizinhas, onde J representa o comportamento e a propensão ao alinhamento do sistema, podendo ser qualquer número real, no qual valores positivos de <math>J</math> diminuindo a energia quando os spins estão alinhados e, valores negativos a aumentando. Assim, quanto mais longe de 0 $J</math> estiver, mais o sistema tende a um extremo.
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Consideremos agora a aplicação de um campo magnético <math>H</math> externo, paralelo a direção do spin. Esse campo irá adicionar uma energia ao sistema que será
Consideremos agora a aplicação de um campo magnético <math>H</math> externo, paralelo a direção do spin. Esse campo irá adicionar uma energia ao sistema que será


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<math>
<math>
H_{Mag}=-H\sum_{n=1}^N\sigma_n
\mathcal{H}_{Mag}=-H\sum_{n=1}^N\sigma_n
</math>
</math>
</center>


O termo negativo da equação surge pois a energia total do sistema será menor quando os spins estiverem alinhados com campo, com o mínimo de energia sendo <math>-HN</math>, onde todas as <math>N</math> partículas estão com o spin alinhado.
O termo negativo da equação surge pois a energia total do sistema será menor quando os spins estiverem alinhados com campo, com o mínimo de energia sendo <math>-HN</math>, onde todas as <math>N</math> partículas estão com o spin alinhado.
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Assim, a energia total do sistema será[CITATION]:
Assim, a energia total do sistema será[CITATION]:


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<math>
H=-J\sum_{<i,j>} \sigma_i \sigma_j -H\sum_{n=1}^N\sigma_n
\mathcal{H}=-J\sum_{<i,j>} \sigma_i \sigma_j -H\sum_{n=1}^N\sigma_n
</math>
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Agora, consideremos o ensamble canônico, isso é, o conjunto de todos os estados <math>\lambda</math> que o sistema pode estar. Se a energia do sistema for medida com todas as partículas dentro dele estiverem dispostas aleatoriamente, a probabilidade de encontrar o sistema na energia <math>E</math> é: [CITATION]
Agora, consideremos o ensamble canônico, isso é, o conjunto de todos os estados <math>\lambda</math> que o sistema pode estar. Se a energia do sistema for medida com todas as partículas dentro dele estiverem dispostas aleatoriamente, a probabilidade de encontrar o sistema na energia <math>E</math> é: [CITATION]


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<math>
<math>
P(\lambda)\propto e^{-\beta E(\lambda)}
P(\lambda)\propto e^{-\beta E(\lambda)}
</math>
</math>
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com <math>\beta=\frac{1}{k_b T}</math>. Considerando que a soma de todas as probabilidades é 1, deves-se dividir <math>e^{-\beta E}</math> pela soma de <math>e^{-\beta E_n(\lambda)}</math> para todos os estados <math>\lambda</math> ao qual o sistema pode ser encontrado.
com <math>\beta=\frac{1}{k_b T}</math>. Considerando que a soma de todas as probabilidades é 1, deves-se dividir <math>e^{-\beta E}</math> pela soma de <math>e^{-\beta E_n(\lambda)}</math> para todos os estados <math>\lambda</math> ao qual o sistema pode ser encontrado.
Importante ressaltar que soma é sobre <math>\lambda</math> e não sobre todas as energias, pois muitos estados podem gerar a mesma energia, então não é feita uma soma simples por todo o sistema.


Assim, o resultado é:
Assim, o resultado é:


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<math>
<math>
P(\lambda)=\frac{e^{-\beta E(\lambda)}}{\sum_{\lambda_n} e^{-\beta E(\lambda_n)}}
P(\lambda)=\frac{e^{-\beta E(\lambda)}}{\sum_\lambda' e^{-\beta E(\lambda')}}
</math>
</math>
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Outra coisa importante ainda do modelo de Ising é a magnetização, que representa o quâo ordenado o sistema é à partir do valor médio de todos os spins:
Outra coisa importante ainda do modelo de Ising é a magnetização, que representa o quâo ordenado o sistema é à partir do valor médio de todos os spins:


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<math>
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M=\frac{1}{N}\sum_{n=1}^{N}\sigma_n
M=\frac{1}{N}\sum_{n=1}^{N}\sigma_n
</math>
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== Modelo de Blume-Capel ==
== Modelo de Blume-Capel ==


=== Ennergia do sistema ===
=== Energia do sistema ===


Esse modelo é uma extensão do modelo de Ising onde, ao invés de se trabalhar com partículas de spin <math>1/2</math> onde <math>\sigma_i\in \{-\frac{1}{2},\frac{1}{2}\}</math>, trabalha-se com partículas de spin 1 com <math>\sigma_i\in \{-1,0,1\}</math>.
Esse modelo é uma extensão do modelo de Ising onde, ao invés de se trabalhar com partículas de spin <math>1/2</math> onde <math>\sigma_i\in \{-\frac{1}{2},\frac{1}{2}\}</math>, trabalha-se com partículas de spin 1 com <math>\sigma_i\in \{-1,0,1\}</math>.


Essa mudança de um para três estados não muda de forma significativa o que foi visto anteriormente, mas adiciona um terceiro termo no hamiltoniano <math>H</math>. Como aqui partículas podem ter spin nulo, define-se uma nova medida que está relacionada a quantidade de spins diferentes de zero, o mmomento de quadripolo magnético[CITATION], definido como:
Essa mudança de um para três estados não muda de forma significativa o que foi visto anteriormente, mas adiciona um terceiro termo no hamiltoniano <math>\mathcal{H}</math>. Como aqui partículas podem ter spin nulo, define-se uma nova medida que está relacionada a quantidade de spins diferentes de zero, o mmomento de quadripolo magnético[CITATION], definido como:


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<math>
Q= \sum_{n=1}^N\sigma_n^2
Q= \sum_{n=1}^N\sigma_n^2
</math>
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Esse momento também é adicionado a energia, pois sair do estado <math>\sigma = 0</math> adiciona energia aos sistema, isso faz com que o hamiltoniano completo seja:
Esse momento também é adicionado a energia, pois sair do estado <math>\sigma = 0</math> adiciona energia aos sistema, isso faz com que o hamiltoniano completo seja:


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<math>
<math>
H= - J\sum_{<i,j>} \sigma_i \sigma_j - H\sum_{n=1}^N\sigma_n + D\sum_{m=1}^N\sigma_m^2
\mathcal{H}= - J\sum_{<i,j>} \sigma_i \sigma_j - H\sum_{n=1}^N\sigma_n + D\sum_{m=1}^N\sigma_m^2
</math>
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No modelo de Blume-Capel, o quadrado do momento de quadripolo pode ser substituido por um símples módulo, já que os spins serão -1,0 ou 1.
No modelo de Blume-Capel, o quadrado do momento de quadripolo pode ser substituido por um símples módulo, já que os spins serão -1,0 ou 1.
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Analisa-se o sitema para um dado valor de J e considerando o sistema sem a presença de um campo magnético, de forma que a energia total seja:
Analisa-se o sitema para um dado valor de J e considerando o sistema sem a presença de um campo magnético, de forma que a energia total seja:


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H= - J\sum_{<i,j>} \sigma_i \sigma_j + D\sum_{m=1}^N\sigma_m^2
\mathcal{H}= - J\sum_{<i,j>} \sigma_i \sigma_j + D\sum_{m=1}^N\sigma_m^2
</math>
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Analisando esse sistema simplificado, considerando tempos muito grandes e dividindo tudo por J, o sistema tenderá a três possíveis estados de energia mínima:
Analisando esse sistema simplificado, considerando tempos muito grandes e dividindo tudo por J, o sistema tenderá a três possíveis estados de energia mínima:
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* <math>T/J >> 0</math> e <math>D/J</math> coerente: Aqui, analisando-se <math>P(\lambda)</math>, como <math>\beta\propto T^{-1}</math>, beta é approximadamente 0 e a probabilidade de se encontrar o sistema em dada configuração é a mesma para todas as configurações. Nesse caso, é mais provável que o sistema esteja com <math>M\approx 0</math> e <math>Q > 0 </math> com as partículas com spins aleatórios.
* <math>T/J >> 0</math> e <math>D/J</math> coerente: Aqui, analisando-se <math>P(\lambda)</math>, como <math>\beta\propto T^{-1}</math>, beta é approximadamente 0 e a probabilidade de se encontrar o sistema em dada configuração é a mesma para todas as configurações. Nesse caso, é mais provável que o sistema esteja com <math>M\approx 0</math> e <math>Q > 0 </math> com as partículas com spins aleatórios.


* <math>T/J </math> e <math>D/J</math> coerentes: Aqui, analisando novamente <math>P(\lambda)</math>, estados onde a energia do sistema seja menor que zero serão favorecidos, pois estados positivos terão uma probabilidade menor que 1 (<math>e^{-\tfrac{H}{T}}<1</math>) e estados de energia menor que zero terão uma probabilidade maior (<math>e^{\frac{|H|}{T}}>1</math>), isso fará com que os spins tendam a se alinhar e <math>M</math> e <math>Q</math> serão próximos de 1
* <math>T/J </math> e <math>D/J</math> coerentes: Aqui, analisando novamente <math>P(\lambda)</math>, estados onde a energia do sistema seja menor que zero serão favorecidos, pois estados positivos terão uma probabilidade menor que 1 (<math>e^{-\mathcal{H}/T<1}</math>) e estados de energia menor que zero terão uma probabilidade maior (<math>e^{-\mathcal{-|H| }/T>1}</math>), isso fará com que os spins tendam a se alinhar e <math>M</math> e <math>Q</math> serão próximos de 1




Considerando que exitem 3 regiões e se é possível mudar de uma para a outra, existe um ponto de interseção dos três estados. Esse ponto é chamado de ponto tri-crítico. Os valores de T e D desse ponto ainda não possuem um valor exato, mas aproximações numéricas estipuilam que eles devem ser <math>T\approx 0.610\pm0.005</math> e <math>D\approx 1.965\pm0.001</math> [CITATION]
Considerando que exitem 3 regiões e se é possível mudar de uma para a outra, existe um ponto de interseção dos três estados. Esse ponto é chamado de ponto tri-crítico. Os valores de T e D desse ponto ainda não possuem um valor exato, mas aproximações numéricas estipuilam que eles devem ser <math>T\approx 0.610\pm0.005</math> e <math>D\approx 1.965\pm0.001</math> [CITATION]
=== Unidades Naturais ===
Antes de começar, é conveniente introduzir o conceito de unidades reduzidas. Como apenas razões entre os parâmetros físicos aparecerão nas equações finais, pode-se escolher uma constante como unidade de energia e utilizar unidades naturais [CITAÇÃO], onde <math>k_B = 1</math>. Dessa forma, todas as grandezas passam a ser medidas em unidades de <math>J</math>, sendo comum trabalhar com as variáveis adimensionais
<center>
<math>T^* = \frac{k_B T}{J};</math>
<math>D^* = \frac{D}{J};</math>
<math>H^* = \frac{H}{J}.</math>
</center>
Ao longo deste trabalho, os asteriscos serão omitidos, e todas as grandezas são entendidas como estando em unidades reduzidas.


==  Método Monte-Carlo ==
==  Método Monte-Carlo ==
=== Algoritmo ===
Como o número de estados cresce exponencialmente com o número de partículas, não é possível calcular essa distribuição diretamente. Em vez disso, constrói-se uma sequência de estados através de atualizações locais dos spins.
O procedimento consiste em repetir os seguintes passos:
# Escolhe-se aleatoriamente uma partícula.
# Propõe-se um novo valor de spin para essa partícula, escolhido uniformemente entre os três valores possíveis <math>\sigma \in \{-1, 0, 1\}.</math>
# Calcula-se a variação de energia associada à mudança proposta: <math>\Delta E = E_{\text{novo}} - E_{\text{atual}}.</math>
Sabendo a variação de energia, pode-se então decidir se o sistema será ou não atualizado.
=== Probabilidade de transição ===
Partindo do balanço detalhado
<center>
<math>
P(i) W(i \rightarrow j) = P(j) W(j \rightarrow i),
</math>
</center>
E a probabilidade do sistema estar no estado <math>P(\lambda)</math> definida anteriormente, chega-se que:
<center><math>
\frac{P(\lambda_1 \to \lambda_2)}{P(\lambda_2 \to \lambda_1)} = e^{-\Delta E/T}.
</math></center>
uma das maneiras de se definir <math>P</math> que resolvem esse sistema é o algoritmo de metrópolis [CITATION], aqui, a probabilidade de transição é:
<center><math>
P(\lambda_1 \to \lambda_2)=min\left(1,e^{\frac{E(\lambda_2)-E(\lambda_1)}{T}})\right)
</math></center>
Equivalentemente, gera-se um número aleatório uniforme <math>r \in [0,1)</math>. A atualização é aceita se
<center><math>
r < e^{-\Delta E/T}.
</math></center>
essa solução garante,também, que a solução da cadeia de Markov seja exatamente a distribuição de Boltzmann.
Quando o spin aleatório sorteado for igual ao atual, o sistema deve também guardar essa mudança, isso se dá para que o sistema respeite o balanço detalhado e não assuma que a probabilidade de permanência em um estado seja nula.
== implementação ==


Tendo definido todas as informações do modelo, pode-se agora  
Tendo definido todas as informações do modelo, pode-se agora  

Edição das 02h13min de 31 de maio de 2026

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Modelo de Ising

Considere um grupo de partículas com spin 1/2 que interagem com seus vizinhos mais próximos. Pode-se calcular a energia do sistema através do Hamiltoniano [CITATION]

=J<i,j>σiσj

Com σi representando o valor do spin da partícula i, podendo ser ±1/2. O somatório representa a energia potencial das partículas vizinhas, onde J representa o comportamento e a propensão ao alinhamento do sistema, podendo ser qualquer número real, no qual valores positivos de J diminuindo a energia quando os spins estão alinhados e, valores negativos a aumentando. Assim, quanto mais longe de 0 $J</math> estiver, mais o sistema tende a um extremo.

Consideremos agora a aplicação de um campo magnético H externo, paralelo a direção do spin. Esse campo irá adicionar uma energia ao sistema que será

Mag=Hn=1Nσn

O termo negativo da equação surge pois a energia total do sistema será menor quando os spins estiverem alinhados com campo, com o mínimo de energia sendo HN, onde todas as N partículas estão com o spin alinhado.

Assim, a energia total do sistema será[CITATION]:

=J<i,j>σiσjHn=1Nσn

Agora, consideremos o ensamble canônico, isso é, o conjunto de todos os estados λ que o sistema pode estar. Se a energia do sistema for medida com todas as partículas dentro dele estiverem dispostas aleatoriamente, a probabilidade de encontrar o sistema na energia E é: [CITATION]

P(λ)eβE(λ)

com β=1kbT. Considerando que a soma de todas as probabilidades é 1, deves-se dividir eβE pela soma de eβEn(λ) para todos os estados λ ao qual o sistema pode ser encontrado. Importante ressaltar que soma é sobre λ e não sobre todas as energias, pois muitos estados podem gerar a mesma energia, então não é feita uma soma simples por todo o sistema.

Assim, o resultado é:

P(λ)=eβE(λ)λeβE(λ)

Outra coisa importante ainda do modelo de Ising é a magnetização, que representa o quâo ordenado o sistema é à partir do valor médio de todos os spins:

M=1Nn=1Nσn

Modelo de Blume-Capel

Energia do sistema

Esse modelo é uma extensão do modelo de Ising onde, ao invés de se trabalhar com partículas de spin 1/2 onde σi{12,12}, trabalha-se com partículas de spin 1 com σi{1,0,1}.

Essa mudança de um para três estados não muda de forma significativa o que foi visto anteriormente, mas adiciona um terceiro termo no hamiltoniano . Como aqui partículas podem ter spin nulo, define-se uma nova medida que está relacionada a quantidade de spins diferentes de zero, o mmomento de quadripolo magnético[CITATION], definido como:

Q=n=1Nσn2

Esse momento também é adicionado a energia, pois sair do estado σ=0 adiciona energia aos sistema, isso faz com que o hamiltoniano completo seja:

=J<i,j>σiσjHn=1Nσn+Dm=1Nσm2

No modelo de Blume-Capel, o quadrado do momento de quadripolo pode ser substituido por um símples módulo, já que os spins serão -1,0 ou 1.


Ponto tri-crítico

O ponto mais interessante do modelo Blume-Capel é o ponto tri-crítico.

Analisa-se o sitema para um dado valor de J e considerando o sistema sem a presença de um campo magnético, de forma que a energia total seja:

=J<i,j>σiσj+Dm=1Nσm2

Analisando esse sistema simplificado, considerando tempos muito grandes e dividindo tudo por J, o sistema tenderá a três possíveis estados de energia mínima:

  • D/J>>0: Aqui, o spin de cada partícula tem um peso grande sobre a energia total, o sistema tenderá a um estado onde grande parte dos spins são 0, logo, M e Q são próximos de 0.
  • T/J>>0 e D/J coerente: Aqui, analisando-se P(λ), como βT1, beta é approximadamente 0 e a probabilidade de se encontrar o sistema em dada configuração é a mesma para todas as configurações. Nesse caso, é mais provável que o sistema esteja com M0 e Q>0 com as partículas com spins aleatórios.
  • T/J e D/J coerentes: Aqui, analisando novamente P(λ), estados onde a energia do sistema seja menor que zero serão favorecidos, pois estados positivos terão uma probabilidade menor que 1 (e/T<1) e estados de energia menor que zero terão uma probabilidade maior (e||/T>1), isso fará com que os spins tendam a se alinhar e M e Q serão próximos de 1


Considerando que exitem 3 regiões e se é possível mudar de uma para a outra, existe um ponto de interseção dos três estados. Esse ponto é chamado de ponto tri-crítico. Os valores de T e D desse ponto ainda não possuem um valor exato, mas aproximações numéricas estipuilam que eles devem ser T0.610±0.005 e D1.965±0.001 [CITATION]

Unidades Naturais

Antes de começar, é conveniente introduzir o conceito de unidades reduzidas. Como apenas razões entre os parâmetros físicos aparecerão nas equações finais, pode-se escolher uma constante como unidade de energia e utilizar unidades naturais [CITAÇÃO], onde kB=1. Dessa forma, todas as grandezas passam a ser medidas em unidades de J, sendo comum trabalhar com as variáveis adimensionais

T*=kBTJ; D*=DJ; H*=HJ.

Ao longo deste trabalho, os asteriscos serão omitidos, e todas as grandezas são entendidas como estando em unidades reduzidas.

Método Monte-Carlo

Algoritmo

Como o número de estados cresce exponencialmente com o número de partículas, não é possível calcular essa distribuição diretamente. Em vez disso, constrói-se uma sequência de estados através de atualizações locais dos spins.

O procedimento consiste em repetir os seguintes passos:

  1. Escolhe-se aleatoriamente uma partícula.
  2. Propõe-se um novo valor de spin para essa partícula, escolhido uniformemente entre os três valores possíveis σ{1,0,1}.
  3. Calcula-se a variação de energia associada à mudança proposta: ΔE=EnovoEatual.

Sabendo a variação de energia, pode-se então decidir se o sistema será ou não atualizado.

Probabilidade de transição

Partindo do balanço detalhado

P(i)W(ij)=P(j)W(ji),

E a probabilidade do sistema estar no estado P(λ) definida anteriormente, chega-se que:

P(λ1λ2)P(λ2λ1)=eΔE/T.

uma das maneiras de se definir P que resolvem esse sistema é o algoritmo de metrópolis [CITATION], aqui, a probabilidade de transição é:

P(λ1λ2)=min(1,eE(λ2)E(λ1)T))

Equivalentemente, gera-se um número aleatório uniforme r[0,1). A atualização é aceita se

r<eΔE/T.

essa solução garante,também, que a solução da cadeia de Markov seja exatamente a distribuição de Boltzmann.

Quando o spin aleatório sorteado for igual ao atual, o sistema deve também guardar essa mudança, isso se dá para que o sistema respeite o balanço detalhado e não assuma que a probabilidade de permanência em um estado seja nula.

implementação

Tendo definido todas as informações do modelo, pode-se agora

https://journals.aps.org/prb/abstract/10.1103/PhysRevB.33.1717

https://fiscomp.if.ufrgs.br/index.php?title=Modelo_de_Blume-Capel_bidimensional