Lançamento Oblíquo Estocástico: mudanças entre as edições

De Física Computacional
Ir para navegação Ir para pesquisar
Msmm (discussão | contribs)
Sem resumo de edição
Joaovgm (discussão | contribs)
Linha 82: Linha 82:
</math>
</math>


Caso o termo <math>B(X,t)</math> for uma constante, exemplo em que a densidade do ar não muda significativamente, o ruído é dito aditivo. Então, a integração da equação é direta, resultando em:
Caso o termo <math>B(X,t)</math> fosse uma constante, exemplo em que a densidade do ar não muda significativamente, o ruído é dito aditivo. Então, a integração da equação é direta, resultando em:


<math>
<math>
Linha 88: Linha 88:
</math>
</math>


onde <math>\xi(t)dt = dW(t)</math> é o incremento de Wiener, um processo estocástico com distribuição gaussiana de largura <math>\sqrt{t}dt</math>.  
onde <math>\xi(t)dt = dW(t)</math> é o incremento de Wiener, um processo estocástico com distribuição gaussiana de largura <math>\sqrt{t}dt</math>.


Entretanto, quando o termo <math>B(X,t)</math> depende do processo estocástico, o ruído é dito multiplicativo e devemos utilizar um cálculo estocástco especial, por exemplo  o cálculo de Itô e de Stratonovich.


 
Entretanto, o termo <math>B(X,t)</math> depende do processo estocástico e ruído é dito multiplicativo, assim, devemos utilizar um cálculo estocástco especial, por exemplo  o cálculo de Itô e de Stratonovich. No cálculo de Stratonovich, as regras de integração, diferenciação, mudança de variáveis etc, se mantém as mesmas do cálculo usual, e a equação é escrita como:
No cálculo de Stratonovich, as regras de integração, diferenciação, mudança de variáveis, etc se mantém as mesmas do cálculo usual, e a equação é escrita como:


<math>
<math>
Linha 99: Linha 97:
</math>
</math>


com o detalhe que o argumento de <math>B(X(t))</math> é, na realidade, cálculado na média de X entre os limites do intervalo de integração. Ou seja, ao escrever a equação em diferenças finitas, obtém-se:
com o detalhe que o argumento de <math>B(X(t))</math> é, na realidade, calculado na média de X entre os limites do intervalo de integração. Ou seja, ao escrever a equação em diferenças finitas, obtém-se:


<math>
<math>
Linha 123: Linha 121:
</math>
</math>


Agora, é necessário explicitar <math>\Delta X(t)</math> na equação acima, porém a dependência de <math>B(X(t))</math> não é linear em relação à altura, o que torna inviável esse procedimento.  
Agora, é necessário explicitar os deltas na equação acima, porém a dependência de <math>B(X(t))</math> não é linear em relação à altura, o que torna inviável esse procedimento.  




Linha 130: Linha 128:
<math>
<math>
dX(t) = \left[A(X(t)) + \frac{1}{2} \frac{\partial B}{\partial X}B(X(t))\right] dt + B(X(t)) \bullet dW(t)
dX(t) = \left[A(X(t)) + \frac{1}{2} \frac{\partial B}{\partial X}B(X(t))\right] dt + B(X(t)) \bullet dW(t)
</math>
Após a substituição dos valores de A(X(t)) e B(X(t)), obtêm-se as seguintes expressões:
<math>
\Delta x(t) = v_x(t) \Delta t
</math>
<math>
\Delta v_x(t) = -\frac{\alpha}{m} v_x(t) \Delta t + \beta e^{-c y(t)}
</math>
<math>
\Delta y(t) = v_y(t) \Delta t
</math>
<math>
\Delta v_y(t) = \left(-g \Delta t -\frac{\alpha}{m} v_x(t) -\frac{c}{2} \beta^2 e^{-2 c y(t)}) \right) \Delta t + \beta e^{-c y(t)}
</math>
</math>


== Resultados ==
== Resultados ==

Edição das 19h31min de 17 de agosto de 2024

O lançamento oblíquo é um clásico problema da mecanica, onde um projétil e lançado com velocidade inicial v em uma direção que faz um angulo θ com a horizontal. Nesse casso iremos considerar o movimento com arrasto em que a força de resistencia do ar é oposta ao movimento e proporcional a velocidade

FAr=kmv

O objetivo é descrever o movimento do projétil em duas dimensões, levando em consideração tanto a força da gravidade quanto a resistência do ar então adicionar um termo de ruido no sistema e analizar seu comportamento.

Equações de Movimento

Começamos decompondo as velocidades nas direções x e y

vx=vcos(θ)

vy=vsin(θ)

Para as equações de movimento usamos a segunda lei de Newton nas componentes horizontais e verticais

md2xdt2=kmvx

md2ydt2=mgkmvy

onde:

  • m é a massa do projétil
  • g é a aceleração da gravidade
  • k é o coeficiente de arrasto

Introduzindo vx=dxdt e vy=dydt podemos reescrever as equações como diferenciais de primeira ordem.

dvxdt=kvx

dvydt=gkvy

Essas E.D. possuem solução analitica bastando integrar nos limites adequados. A integração numérica por Euler é dirta a partir das relações a cima e nos da uma trajetoria para comparação quando adicionar o termo de ruido:

vx,j+1=vx,jkvx,jdt

vy,j+1=vy,jgdtkvy,jdt

Utilizando as seguintes condições iniciais x0=0 e y0=0 podemos atualizar a posição

vx=dxdt

xj+1=xj+vx,jdt

vy=dydt

yj+1=yj+vy,jdt

Para modelar o ruído produzido pela densidade do ar, consideramos dois regimes. No primeiro, assumimos que a densidade é constante ao longo da trajetória, ou seja, ρ=ρ0 e, portanto, trataremos o problema como uma EDE com ruído aditivo, onde B(X(t),t)=ρ0=β. Na segunda situação, consideramos que a densidade varia com a altitude do projétil, seguindo a relação ρ=ρ0eyH e, nesse caso, abordaremos como uma EDE com ruído multiplicativo, onde B(X(t),t)=ρ(X(t))=βeyH.

Equação diferencial estocástica

A equação diferencial estocástica a ser resolvida é:

dXdt=A(X(t))+B(X(t))ξ(t).

Caso o termo B(X,t) fosse uma constante, exemplo em que a densidade do ar não muda significativamente, o ruído é dito aditivo. Então, a integração da equação é direta, resultando em:

dX(t)=A(X(t))dt+BdW(t),

onde ξ(t)dt=dW(t) é o incremento de Wiener, um processo estocástico com distribuição gaussiana de largura tdt.


Entretanto, o termo B(X,t) depende do processo estocástico e ruído é dito multiplicativo, assim, devemos utilizar um cálculo estocástco especial, por exemplo o cálculo de Itô e de Stratonovich. No cálculo de Stratonovich, as regras de integração, diferenciação, mudança de variáveis etc, se mantém as mesmas do cálculo usual, e a equação é escrita como:

dX(t)=A(X(t))dt+B(X(t))dW(t),

com o detalhe que o argumento de B(X(t)) é, na realidade, calculado na média de X entre os limites do intervalo de integração. Ou seja, ao escrever a equação em diferenças finitas, obtém-se:

ΔX(t)=A(X(t))Δt+B(X(t)+12ΔX(t))ΔW(t).

Ao subsituir os valores de A(X(t)) e de B(X(t)) na equação acima, chega-se em:

Δx(t)=vx(t)Δt

Δvx(t)=αmvx(t)Δt+βecy(t)e0,5cΔy(t)

Δy(t)=vy(t)Δt

Δvy(t)=gΔtαmvx(t)Δt+βecy(t)e0,5cΔy(t)

Agora, é necessário explicitar os deltas na equação acima, porém a dependência de B(X(t)) não é linear em relação à altura, o que torna inviável esse procedimento.


Com isso, a atenção volta-se para o cálculo de Itô, dado por:

dX(t)=[A(X(t))+12BXB(X(t))]dt+B(X(t))dW(t)

Após a substituição dos valores de A(X(t)) e B(X(t)), obtêm-se as seguintes expressões:

Δx(t)=vx(t)Δt

Δvx(t)=αmvx(t)Δt+βecy(t)

Δy(t)=vy(t)Δt

Δvy(t)=(gΔtαmvx(t)c2β2e2cy(t)))Δt+βecy(t)

Resultados