Equação de Dirac: mudanças entre as edições

De Física Computacional
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Consideraremos neste trabalho a equação de Dirac em duas dimensões, <math>x</math> e <math>y</math>. A escolha dessas coordenadas se dá pela conveniência do acoplamento das EDPs: nesse caso, as quatro equações acopladas passam a ser acopladas duas a duas, facilitando o estudo do sistema.
Consideraremos neste trabalho a equação de Dirac em duas dimensões, <math>x</math> e <math>y</math>. A escolha dessas coordenadas se dá pela conveniência do acoplamento das EDPs: nesse caso, as quatro equações acopladas passam a ser acopladas duas a duas, facilitando o estudo do sistema.


==Construção do Hamiltoniano==
==Construção do Hamiltoniano completo==
Consideremos uma partícula sob ação de um potencial <math>V(\boldsymbol{x};t)</math> (onde <math>\boldsymbol{x} = (x, y, z)^{T}</math>), que afeta a energia potencial da partícula, e de um potencial "escalar" <math>V_{sc}(\boldsymbol{x};t)</math>, que afeta a massa de repouso da mesma. Seguindo uma das propostas possíveis para o Hamiltoniano, temos
Consideremos uma partícula sob ação de um potencial <math>V(\boldsymbol{x};t)</math> (onde <math>\boldsymbol{x} = (x, y, z)^{T}</math>), que afeta a energia potencial da partícula, e de um potencial "escalar" <math>V_{sc}(\boldsymbol{x};t)</math>, que afeta a massa de repouso da mesma. Seguindo uma das propostas possíveis para o Hamiltoniano, temos


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==Partícula sob ação de um potencial==
Portanto, em notação matricial o Hamiltoniano <math>H</math> pode ser escrito como
 
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H = -i \hbar c
\begin{pmatrix}
0 & 0 & \frac{\partial}{\partial z} & \frac{\partial}{\partial x} - i\frac{\partial}{\partial y} \\
0 & 0 & \frac{\partial}{\partial x} + i\frac{\partial}{\partial y} & -\frac{\partial}{\partial z} \\
\frac{\partial}{\partial z} & \frac{\partial}{\partial x} - i\frac{\partial}{\partial y} & 0 & 0 \\
\frac{\partial}{\partial x} + i\frac{\partial}{\partial y} & -\frac{\partial}{\partial z} & 0 & 0 \\
\end{pmatrix} +
\begin{pmatrix}
V + mc^2 + V_{sc} & 0 & 0 & 0 \\
0 & V + mc^2 + V_{sc} & 0 & 0 \\
0 & 0 & V - mc^2 - V_{sc} & 0 \\
0 & 0 & 0 & V - mc^2 - V_{sc} \\
\end{pmatrix}
</math>
<math>
H = \begin{pmatrix}
V + mc^2 + V_{sc} & 0 & -i\hbar c\frac{\partial}{\partial z} & -i\hbar c\frac{\partial}{\partial x} - \hbar c\frac{\partial}{\partial y} \\
0 & V + mc^2 + V_{sc} & -i\hbar c\frac{\partial}{\partial x} + \hbar c\frac{\partial}{\partial y} & i\hbar c\frac{\partial}{\partial z} \\
-i\hbar c\frac{\partial}{\partial z} & -i\hbar c\frac{\partial}{\partial x} - \hbar c\frac{\partial}{\partial y} & V - mc^2 - V_{sc} & 0 \\
-i\hbar c\frac{\partial}{\partial x} + \hbar c\frac{\partial}{\partial y} & i\hbar c\frac{\partial}{\partial z} & 0 & V - mc^2 - V_{sc} \\
\end{pmatrix}
</math>
</center>
 
==Unidades naturais e redução para duas dimensões==
A fim de simplificar o formalismo, adotamos as chamadas "unidades naturais", onde <math> \hbar = c = m = 1 </math>. Note que isso equivale a reescalar as quantidades físicas do problema por um fator adequado. Ao fazer <math>c=1</math>, também assumimos que a partícula está no limite relativístico.
 
Além disso, queremos estudar o problema em duas dimensões. Observamos que <math>\Psi(x,y,z) = \Psi(x,y)</math>; logo, <math>\frac{\partial \Psi}{\partial z} = 0</math>. Portanto, temos o Hamiltoniano simplificado
 
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<math>
H = \begin{pmatrix}
V + 1+ V_{sc} & 0 & 0 & -i\frac{\partial}{\partial x} - \frac{\partial}{\partial y} \\
0 & V + 1 + V_{sc} & -i\frac{\partial}{\partial x} + \frac{\partial}{\partial y} & 0 \\
0 & -i\frac{\partial}{\partial x} - \frac{\partial}{\partial y} & V - 1 - V_{sc} & 0 \\
-i\frac{\partial}{\partial x} + \frac{\partial}{\partial y} & 0 & 0 & V - 1 - V_{sc} \\
\end{pmatrix}
</math>
</center>
 
==Forma explícita final==
Retornando ao problema original, queremos resolver
 
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<math>
i\hbar \frac{\partial}{\partial t} \Psi = H\Psi \to \left[iI_4\frac{\partial}{\partial t} - H\right]\Psi = 0
</math>
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=Discretização=
=Discretização=

Edição das 16h29min de 28 de abril de 2024

Grupo: André Luis Della Valentina, Lucas dos Santos Assmann, Vinícius Bayne Müller

Introdução

A equação de Dirac descreve uma partícula relativística de spin 12, como o elétron, com estrutura análoga a da equação de Schrödinger. Ela surgiu inicialmente como tentativa de explicar discrepâncias entre experimentos e teoria para o espectro do átomo de hidrogênio, possibilitando correções para o cálculo da energia do elétron em diferentes níveis (as chamadas correções de estrutura fina). Além disso, por meio dela foi possível prever a existência de antimatéria: descrevendo o elétron, ela também descreve o pósitron.

A fim de compatibilizar a Mecânica Quântica com a Relatividade Especial, a equação diferencial parcial é de primeira ordem tanto no tempo quanto no espaço (diferentemente da equação de Schrödinger, que é de segunda ordem no espaço). A equação de Dirac pode ser escrita de diversas formas; aqui, apresentamo-la explicitamente como um sistema de EDPs acopladas, mais conveniente para os propósitos do trabalho.

Assim como a equação de Schrödinger, a construção da equação de Dirac vem a partir do operador Hamiltoniano, que descreve a evolução temporal do estado quântico em questão:

it|ψ(t)=H|ψ(t)

onde, como anteriormente, os autovalores de H correspondem aos valores possíveis de energia que o sistema pode assumir.

A mudança com relação à Mecânica Quântica não relativística acontece quando consideramos a energia relativística da partícula:

E2=p2c2+m2c4

Assim, o Hamiltoniano é modificado para representar a medida da energia relativística total.

Dedução da equação de Dirac em duas dimensões

Consideraremos neste trabalho a equação de Dirac em duas dimensões, x e y. A escolha dessas coordenadas se dá pela conveniência do acoplamento das EDPs: nesse caso, as quatro equações acopladas passam a ser acopladas duas a duas, facilitando o estudo do sistema.

Construção do Hamiltoniano completo

Consideremos uma partícula sob ação de um potencial V(x;t) (onde x=(x,y,z)T), que afeta a energia potencial da partícula, e de um potencial "escalar" Vsc(x;t), que afeta a massa de repouso da mesma. Seguindo uma das propostas possíveis para o Hamiltoniano, temos

H=cαp+β(mc2+Vsc)+VI4

onde α=αxi^+αyj^+αzk^; αi e β são matrizes 4x4 adimensionais e p é o vetor momento linear da partícula.

Pode-se mostrar que α e β devem satisfazer certos vínculos, limitando as escolhas possíveis para essas matrizes. A escolha mais simples e usualmente adotada consiste em tomar

β=(I200I2)=(1000010000100001)

αx=(0σxσx0)=(0001001001001000)

αy=(0σyσy0)=(000i00i00i00i000)

αz=(0σzσz0)=(0010000110000100)

Sendo p=i, podemos escrever o produto escalar αp como

αp=i(αxx+αyy+αzz)

Portanto, em notação matricial o Hamiltoniano H pode ser escrito como

H=ic(00zxiy00x+iyzzxiy00x+iyz00)+(V+mc2+Vsc0000V+mc2+Vsc0000Vmc2Vsc0000Vmc2Vsc) H=(V+mc2+Vsc0iczicxcy0V+mc2+Vscicx+cyicziczicxcyVmc2Vsc0icx+cyicz0Vmc2Vsc)

Unidades naturais e redução para duas dimensões

A fim de simplificar o formalismo, adotamos as chamadas "unidades naturais", onde =c=m=1. Note que isso equivale a reescalar as quantidades físicas do problema por um fator adequado. Ao fazer c=1, também assumimos que a partícula está no limite relativístico.

Além disso, queremos estudar o problema em duas dimensões. Observamos que Ψ(x,y,z)=Ψ(x,y); logo, Ψz=0. Portanto, temos o Hamiltoniano simplificado

H=(V+1+Vsc00ixy0V+1+Vscix+y00ixyV1Vsc0ix+y00V1Vsc)

Forma explícita final

Retornando ao problema original, queremos resolver

itΨ=HΨ[iI4tH]Ψ=0

Discretização

Referências

  1. The quantum theory of the electron. Proceedings of the Royal Society of London. Series A, Containing Papers of a Mathematical and Physical Character, v. 117, n. 778, p. 610–624, fev. 1928.
  2. SAKURAI, J. J. Mecânica quântica moderna. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2012.
  3. BAO, W. et al. Numerical Methods and Comparison for the Dirac Equation in the Nonrelativistic Limit Regime. Journal of Scientific Computing, v. 71, n. 3, p. 1094–1134, jun. 2017.