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O objetivo deste trabalho é aplicar o Shooting method (método do chute) para encontrar as primeiras funções de onda espaciais da Equação de Schrödinger para o caso do poço de potencial infinito. Após, será realizada a evolução temporal através do Método de Crank-Nicolson.
O objetivo deste trabalho é aplicar o Shooting method (método do chute) para encontrar as primeiras funções de onda espaciais da Equação de Schrödinger para o caso do poço de potencial infinito. Após, será realizada a evolução temporal através do Método de Crank-Nicolson.
==Poço de potencial infinito==
Esquematicamente, tem-se:
[[Arquivo:Poço.png|200px|thumb|center|Poço de potencial infinito]]
O potencial pode ser descrito como:
<center><math>
  V(x) =
      \begin{cases}
            0, & \mbox{se } 0\leq x\leq L, \\
            \infty, & \mbox{de outra forma.}
      \end{cases}
</math></center>
Dentro do poço, onde $V=0$, o problema pode ser modelado da seguinte maneira
<center><math>-\frac{\hbar^2}{2m}\frac{d^2\psi}{dx^2}=E\psi , </math></center>
ou
<center><math>\frac{d^2\psi}{dx^2}=-k^2\psi,</math></center> onde <center><math>k\equiv \frac{\sqrt{2mE}}{\hbar}.</math></center>
A solução é dada por
<center><math>\psi(x)=Asen(kx)+Bcos(kx).</math></center>
Aplicando as condições de contorno <math>\psi(0)=\psi(L)=0 </math> e efetuando a normalização da função de onda, obtém-se a solução geral
<center><math>\psi_n(x)=\sqrt{\frac{2}{L}}sen\left(\frac{n\pi}{L}x\right), </math></center>
cujas energias discretizadas são
<center><math>E_n=\frac{\hbar^2k_n^2}{2m}=\frac{n^2\pi^2\hbar^2}{2mL^2}.</math></center>
Utilizando a equação acima, pode-se calcular os valores da energia de cada estado estacionário. Para o caso de um elétron, as energias referentes aos três estados estacionários são <math>E_1=0,376</math> eV, <math>E_2=1,504</math> eV e <math>E_3=3,384</math> eV.
Na próxima seção será feita uma estimativa dos valores acima expostos através do "Shooting method".


==Shooting Method==
==Shooting Method==

Edição das 22h27min de 12 de fevereiro de 2023

Equações de Laplace e Poisson - Eletrostática

Shooting method e Método de Crank-Nicolson aplicados à Equação de Schrödinger

O objetivo deste trabalho é aplicar o Shooting method (método do chute) para encontrar as primeiras funções de onda espaciais da Equação de Schrödinger para o caso do poço de potencial infinito. Após, será realizada a evolução temporal através do Método de Crank-Nicolson.

Shooting Method

Muitos métodos numéricos (e.g. Runge-Kutta, Forward Euler) requerem os valores da função e de sua derivada no ponto inicial. Acontece que podem haver problemas em que estes valores não estarão disponíveis, principalmente o valor da derivada em questão. Uma alternativa seria conjecturar o valor da condição inicial e integrar, através de um método apropriado, em direção à outra condição de contorno: um "chute" apropriado faria com que a integração evoluísse e retornasse um valor muito próximo, a depender da acurácia necessária, ao da condição de contorno. A ideia seria executar os seguintes passos:

  1. Supor um valor para a condição de contorno desconhecida (e.g. y(0) ou y(0));
  2. Integrar o problema através de um método conhecido até a próxima condição de contorno (e.g., y(L));
  3. Se o chute inicial não fez com que o sistema evoluísse até y(L), então deve-se supor outro valor para a condição inicial e repetir o procedimento.

O método descrito acima de forma simplificada recebe o nome, em inglês, de Shooting method, o que em português seria algo como "Método do tiro" ou "Método do chute". Na próxima seção esse método será aplicado para o caso do poço infinito de potencial.

Poço de potencial infinito

Seja a equação d2ψdx2=kψE, onde k=2m2.

Escrevendo com outra notação: ψ¨=kψE.

Dividindo o problema em Δx's pequenos, pode-se reescrever a equação acima da seguinte forma:

ψ¨=Δψ˙Δx=ψ2˙ψ1˙Δxψ2˙=ψ¨Δx+ψ1˙

.

Também:

ψ˙=ΔψΔx=ψ2ψ1Δxψ2=ψ˙Δx+ψ1

.

Além disso:

Δx=x2x1x2=x1+Δx

.

A integração, então, é realizada utilizando as relações 8, 9, 10 e 11, até que se atinja a borda do poço, isto é, x=L.

Com a discretização acima, foi possível implementar o algoritmo. Das condições de contorno do problema, sabe-se que ψ(0)=0, de modo que ψ1=0. No entanto, o valor da derivada ψ1˙ não é conhecido, de modo que supõe-se que seja uma constante, a saber, ψ1˙=1. Chutando que E=0, utilizando a massa do elétron e L=1, obtém-se a primeira solução estacionária:

Solução estacionária (n=1)

Pode-se observar que o valor de energia obtido numericamente é cerca de 4% menor do que aquele obtido analiticamente.

Para o caso n=2:

Solução estacionária (n=2)

Aqui, o valor obtido numericamente é aproximadamente 5% maior do que o valor obtido analiticamente.

Para o caso n=3:

Solução estacionária (n=3)

Para este caso, o valor numérico é cerca de 1% menor do que o valor analítico.

Método de Crank-Nicolson

Seja a equação diferencial

ft=L1rf(r,t)

,

onde Lr é um operador diferencial linear em r.

Em forma discretizada no tempo, pode-se escrever

fn+1(r)fn(r)=Lrfn(r)dt

.

Por simetria, pode-se escrever a equação acima utilizando um f à direita:

fn+1(r)fn(r)=Lrfn+1(r)dt.

A equação acima é dita "explícita" pois, para o cálculo de fn+1, só é utilizado o valor já explicitamente calculado fn. Já a equação anterior é chamada implícita pois fn+1 está presente explicitamente. Em termos numéricos, um método peca pelo excesso enquanto o outro o faz pela falta, de modo que um resultado mais satisfatório pode ser obtido ao tomar-se a média dos dois:

fn+1(r)fn(r)=dt2(Lrfn+1(r)+Lrfn(r)).

Após alguma álgebra:

fn+1(r)=(1dt2Lr)1(1+dt2Lr)fn(r)

.

Chamando M=I+dt2Lr e E=Idt2Lr, onde I indica a matriz identidade, pode-se reescrever a equação acima na seguinte maneira:

fn+1=E1Mfn

.

Trata-se do método de Crank-Nicolson, mais estável e preciso do que os métodos implícito e explícito. Caso o problema apresentar condições de contorno, estas serão devidamente implementadas nos elementos das matrizes M e E.

Equação de Schrödinger

Seja a equação de Schrödinger unidimensional

iΨt=22m2Ψx2+VΨ

.

Efetuando a discretização das variáveis através do Método de Crank-Nicolson, obtém-se:

Ψt=Ψjn+1ΨjnΔt;
22m2Ψx2=22m[(Ψj+1n+12Ψjn+1+Ψj1n+1)+(Ψj+1n2Ψjn+Ψj1n)2Δx2];
VΨ=12[Vjn+1Ψjn+1+VjnΨjn].

Substituindo as discretizações na eq. de Schrödinger:

i(Ψjn+1ΨjnΔt)=24m(Δx)2[(Ψj+1n+12Ψjn+1+Ψj1n+1)+(Ψj+1n2Ψjn+Ψj1n)]+12[Vjn+1Ψjn+1+VjnΨjn].

Supondo =m=1 e separando as partes explícita e implícita, obtém-se, após alguma álgebra:

Ψjn+1[1+iΔt2(1Δx2+Vjn+1)]+Ψj1n+1[iΔt4Δx2]+Ψj+1n+1[iΔt4Δx2]=Ψjn[1iΔt2(1Δx2+Vjn)]+Ψj1n[iΔt4Δx2]+Ψj+1n[iΔt4Δx2].

Definindo

aiΔt4(Δx)2

e

bj(1+iΔt2)(1Δx2+Vj),

obtém-se:

Ψjn+1bj+Ψj1n+1a+Ψj+1n+1a=Ψjnbj*+Ψj1na*+Ψj+1na*.

A equação acima pode ser escrita em forma matricial, de modo que:

C^Ψn+1=D^Ψn,

onde

C^=[b0a0...0ab1a0...00ab2a0000.........abj1a00...0abj]

e

D^=[b0*a0...0a*b1*a*0...00a*b2*a*0000.........a*bj1*a*00...0a*bj*]

Para avaliar a evolução temporal do sistema, é necessário encontrar Ψn+1. Utilizando resultados anteriores, pode-se obter Ψn+1 através da seguinte relação:

Ψn+1=C^1C*^Ψn

Poço de potencial infinito

Para o presente caso a ideia é obter a evolução temporal do sistema, impondo condições de contorno iguais a zero, de modo que os operadores C^ e D^ ficam:

C^=[100...0aba0...00aba0000.........aba00...001]

e

D^=[100...0a*b*a*00...00a*b*a*0000.........a*b*a*00...001]

A ideia é que o primeiro e o último termo do tanto do vetor Ψn quanto do vetor Ψn+1 seja constante, o que satisfaz as condições de contorno do presente caso. Também é interessante notar que os índices b são todos constantes, visto que no presente caso o potencial dentro do poço é nulo.

Implementando o algoritmo descrito acima, obteve-se:

Evolução temporal (n=1)

Evolução temporal para o caso n=1. Nesta animação e nas subsequentes, foram sobrepostas as partes real e imaginária da equação de Schrödinger: a linha azul diz respeito à parte real enquanto a amarela, à imaginária.

Evolução temporal (n=2)

Na figura acima, tem-se a evolução do caso n=2.

Evolução temporal (n=3)

Por último, o caso n=3.