Equação de Klein-Gordon: mudanças entre as edições

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== ESTABILIDADE ==
== ESTABILIDADE ==


Para analisar a estabilidade do método, utilizamos os Modos de Fourrier: <math> \psi_i^n=A^n e^{iki \Delta x} </math>
Para analisar a estabilidade do método utilizaremos os Modos de Furrier.


  <math>
\psi_i^{n+1} = 2\psi_i^n - \psi_i^{n-1} + \alpha^2 \left( \psi_{i+1}^n - 2\psi_i^n + \psi_{i-1}^n \right) - \beta^2 \psi_i^n.
  \psi_i^{n+1} = \left( 2 - 2\alpha^2 - \beta^2 \right) \psi_i^n + \alpha^2 \left( \psi_{i+1}^n + \psi_{i-1}^n \right) - \psi_i^{n-1}  </math>
 
 
sendo <math>\psi_i^n = A^n e^{i k i \Delta x} </math> o Modo de Furrier.
 
 
Substituímos <math>\(\psi_i^n), \(\psi_{i+1}^n), e \(\psi_{i-1}^n) </math>na equação:
 
<math>psi_{i+1}^n = A^n e^{i k (i+1) \Delta x} = A^n e^{i k i \Delta x} e^{i k \Delta x}</math>
 
<math>psi_{i-1}^n = A^n e^{i k (i-1) \Delta x} = A^n e^{i k i \Delta x} e^{-i k \Delta x}</math>
 
Substituindo na equação original:
 
 
<math> A^{n+1} e^{i k i \Delta x} = 2 A^n e^{i k i \Delta x} - A^{n-1} e^{i k i \Delta x} + \alpha^2 \left[ A^n e^{i k i \Delta x} \left( e^{i k \Delta x} + e^{-i k \Delta x} - 2 \right) \right] - \beta^2 A^n e^{i k i \Delta x} </ math>.
 
 
Cancelamos o fator comum <math> e^{i k i \Delta x} </math>:
 
 
<math> A^{n+1} = 2A^n - A^{n-1} + \alpha^2 \left[ 2 \cos(k \Delta x) - 2 \right] A^n - \beta^2 A^n </math>.
 
Usamos a identidade <math> e^{i k \Delta x} + e^{-i k \Delta x} = 2 \cos(k \Delta x) </math>:
 
 
<math> A^{n+1} = 2A^n - A^{n-1} + \alpha^2 \left[ 2 \cos(k \Delta x) - 2 \right] A^n - \beta^2 A^n </math>
 
 
Fatoramos:
 
 
<math> A^{n+1} = \left( 2 - 2\alpha^2 - \beta^2 + 2\alpha^2 \cos(k \Delta x) \right) A^n - A^{n-1}. </math>
 
 
A relação de recorrência é:
 
 
<math> A^{n+1} - \lambda A^n + A^{n-1} = 0 </math>
 
 
onde
 
 
<math> \lambda = 2 - 2\alpha^2 - \beta^2 + 2\alpha^2 \cos(k \Delta x) </math>.
 
 
A equação característica associada é:
 
 
<math> \mu^2 - \lambda \mu + 1 = 0 </math>
 
 
onde <math> \mu </math> são as raízes que representam o fator de amplificação.
 
 
Para que o método seja estável, as raízes <math>\mu</math> devem satisfazer <math>\|\mu| \leq 1</math>. Isso é garantido se o discriminante da equação característica satisfizer:
 
 
<math> \lambda^2 - 4 \leq 0 </math>.
 
 
Substituímos <math>\lambda </math>:
 
 
<math> \left( 2 - 2\alpha^2 - \beta^2 + 2\alpha^2 \cos(k \Delta x) \right)^2 - 4 \leq 0 </math>.
 
 
O caso crítico ocorre para o maior valor de <math>cos(k \Delta x)</math>, que é <math>cos(k \Delta x) = 1</math>, e o menor valor, <math>cos(k \Delta x) = -1</math>:
 
 
    Para \(\cos(k \Delta x) = 1\):
   
    <math>\lambda = 2 - 2\alpha^2 - \beta^2 + 2\alpha^2</math>.
 
    Isso simplifica para:
 
  <math>  \lambda = 2 - \beta^2 </math>
 
    Para estabilidade:
 
  <math>  (2 - \beta^2)^2 - 4 \leq 0 </math>.
 
   
  <math> \beta^2 \leq 2 </math>.
 
   
    \item Para <math> cos(k \Delta x) = -1</math>:
   
    <math>\lambda = 2 - 2\alpha^2 - \beta^2 - 2\alpha^2</math>.
   
    <math> \lambda = 2 - 4\alpha^2 - \beta^2 </math>.
 
    Para estabilidade:
 
    <math> (2 - 4\alpha^2 - \beta^2)^2 - 4 \leq 0 </math>.
 
    Após expandir:
   
  <math> 4\alpha^2 + \beta^2 \leq 4 </math>.
   
 
A condição de estabilidade combinada é:
 
 
<math> 4\alpha^2 + \beta^2 \leq 4 \quad \text{e} \quad \beta^2 \leq 2 <math>.
 
 
Essas desigualdades controlam os passos de tempo e espaço, garantindo a estabilidade do método.

Edição das 23h06min de 5 de janeiro de 2025

INTRODUÇÃO

A equação de Klein-Gordon é uma das equações fundamentais na teoria quântica relativística. Ela descreve partículas escalares (partículas sem spin, como os mésons, em seu modelo básico) e é uma extensão relativística da equação de Schrödinger, incorporando a relação de energia relativística de Einstein E=p2c2+m2c4. A equação é nomeada em homenagem a Oskar Klein e Walter Gordon, que a formularam independentemente. De maneira geral, a equação pode ser escrita como:


(+m2c22)ψ(x,t)=0

onde (=2c2t22) é chamado operador de d'Alambert.

Abrindo a equação, é obtido:

2ψt2=c22ψm2c42ψ

2ψt2=c22ψx2m2c42ψ (em uma dimensão)

MÉTODO DAS DIFERENÇAS FINITAS

O método das diferenças finitas é uma técnica numérica amplamente utilizada para resolver EDPs. Ele envolve a discretização das variáveis contínuas (geralmente no tempo ou no espaço), transformando as equações diferenciais em sistemas algébricos que podem ser resolvidos numericamente. Os primeiros passos para utilizar o método é fazer a discretização no tempo e no espaço. Para uma equação no tempo você discretiza o tempo em intervalos Δt criando uma sequência de pontos tn=nΔt. Para uma equação no espaço você discretiza o espaço em intervalos Δx criando uma sequência de pontos xi=iΔx. Depois de discretizar o espaço e o tempo, as derivadas contínuas são aproximadas por diferenças finitas. Isso envolve substituir as derivadas por aproximações baseadas nos valores de uma função nos pontos discretos:

utuin+1uinΔt e 2ut2uin+12uin+uin1(Δt)2 para o tempo.

uxui+1nuinΔxe2ux2ui+1n2uin+ui1n(Δx)2 para o espaço.

Na equação de Klein-Gordon, escrevemos desta o método das diferenças finitas:

2ψ(x,t)t2ψ(x,t+Δt)2ψ(x,t)+ψ(x,tΔt)(Δt)2

2ψ(x,t)x2ψ(x+Δx,t)2ψ(x,t)+ψ(xΔx,t)(Δx)2

ou seja:

ψ(x,t+Δt)2ψ(x,t)+ψ(x,tΔt)(Δt)2=c2ψ(x+Δx,t)2ψ(x,t)+ψ(x,tΔt)(Δx)2m2c42ψ

isso nos leva a equação final:

ψ(x,t+Δt)2ψ(x,t)+ψ(x,tΔt)=c2Δt2Δx2ψ(x+Δx,t)2ψ(x,t)+ψ(x,tΔ,t)m2c4Δt22ψ

chamarei α=cΔtΔx e β=mc2Δt

portanto, ψ(x,t+Δt)2ψ(x,t)+ψ(x,tΔt)=α2ψ(x+Δx,t)2ψ(x,t)+ψ(x,tΔt)β2ψ

ou, mais usualmente: ψin+1=2ψinψin1+α2(ψi+1n2ψin+ψi1n)β2ψ

ESTABILIDADE

Para analisar a estabilidade do método utilizaremos os Modos de Furrier.

\psi_i^{n+1} = 2\psi_i^n - \psi_i^{n-1} + \alpha^2 \left( \psi_{i+1}^n - 2\psi_i^n + \psi_{i-1}^n \right) - \beta^2 \psi_i^n.


sendo ψin=AneikiΔx o Modo de Furrier.


Substituímos na equação:

psii+1n=Aneik(i+1)Δx=AneikiΔxeikΔx

psii1n=Aneik(i1)Δx=AneikiΔxeikΔx

Substituindo na equação original:


An+1eikiΔx=2AneikiΔxAn1eikiΔx+α2[AneikiΔx(eikΔx+eikΔx2)]β2AneikiΔx</math>.Cancelamosofatorcomum<math>eikiΔx:


An+1=2AnAn1+α2[2cos(kΔx)2]Anβ2An.

Usamos a identidade eikΔx+eikΔx=2cos(kΔx):


An+1=2AnAn1+α2[2cos(kΔx)2]Anβ2An


Fatoramos:


An+1=(22α2β2+2α2cos(kΔx))AnAn1.


A relação de recorrência é:


An+1λAn+An1=0


onde


λ=22α2β2+2α2cos(kΔx).


A equação característica associada é:


μ2λμ+1=0


onde μ são as raízes que representam o fator de amplificação.


Para que o método seja estável, as raízes μ devem satisfazer μ|1. Isso é garantido se o discriminante da equação característica satisfizer:


λ240.


Substituímos λ:


(22α2β2+2α2cos(kΔx))240.


O caso crítico ocorre para o maior valor de cos(kΔx), que é cos(kΔx)=1, e o menor valor, cos(kΔx)=1:


   Para \(\cos(k \Delta x) = 1\):
   
   λ=22α2β2+2α2.
  
   Isso simplifica para:
 
 λ=2β2 
  
   Para estabilidade:
  
 (2β2)240.
 
   
 β22.
 
   
   \item Para cos(kΔx)=1:
   
   λ=22α2β22α2.
   
   λ=24α2β2.
  
   Para estabilidade:
  
   (24α2β2)240.
  
   Após expandir:
   
  4α2+β24.
   

A condição de estabilidade combinada é:


<math> 4\alpha^2 + \beta^2 \leq 4 \quad \text{e} \quad \beta^2 \leq 2 <math>.


Essas desigualdades controlam os passos de tempo e espaço, garantindo a estabilidade do método.