Grupo - Eq. d Schrödinger não-lineares acopladas

De Física Computacional
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Bósons são partículas de spin inteiro e possuem funções de onda simétricas. Tais partículas obedecem às estatísticas de Bose-Einstein, de forma que a existência de múltiplas partículas (deste tipo) indistinguíveis em um mesmo estado quântico é possível.

Condensado de Bose Einstein e Equação de Schrödinger Não-Linear

Para temperaturas muito próximas de zero absoluto, uma parte considerável de um sistema de muitos bósons vai se encontrar no seu estado de menor energia, ou seja, no mesmo estado de menor energia.

A acumulação de bósons neste estado fundamental é chamada de condensado de Bose-Einstein. Um dos fatos mais interessantes do ponto de vista experimental deste tipo de condensado é que fenômenos quânticos se tornam visíveis macroscopicamente.

No caso de temperaturas ultrafrias (em concordância com a maioria dos experimentos envolvendo átomos alcalinos), a dinâmica do estado de partículas condensadas pode ser modelada por meio da equação de Schrödinger não-linear. Neste caso o condensado é descrito por uma única função de onda ψ(r), e |ψ(r)|2 é interpretado como a densidade de partícula, e consequentemente o número total de átomos é dado por:

N=dr|ψ(r)|2

A energia associada a este estado ψ(r) do condensado para bósons no estado fundamental é, de acordo com a teoria de campo médio, igual a

E=dr(22m|ψ(r)|2+V(r)|ψ(r)|2+12Uo|ψ(r)|4)

A minimização desta energia no que diz respeito a variações infinitesimais de ψ(r), com um número total de átomos constante, obtém-se a seguinte equação de Schrödinger não-linear

iψ(r)t=22m2ψ(r)+V(r)ψ(r)+Uo|ψ(r)|2ψ(r)


Método Numérico

A equação de Schrödinger dependente do tempo pode ser escrita em notação de operadores como

iψt=Hψ

onde H representa o operador Hamiltoniano do sistema. Como H é um operador linear, uma possível discretização da equação acima é dada por

iψjn+1ψjnΔt=k=0N1Hjkψkn

Esta forma é conhecida como uma forma explícita no tempo, uma vez que o valor futuro de ψ depende exclusivamente do valor atual de ψ. Em notação matricial, o desenvolvimento algébrico da expressão acima fornece

Ψn+1=(𝐈iΔt𝐇)Ψn

onde Ψn é o vetor coluna com os valores de $ \psi $ no tempo n, e 𝐈 é a matriz identidade. Outra forma possível de discretização é a discretização implícita no tempo, dada por

iψjn+1ψjnΔt=k=0N1Hjkψkn+1

em que o valor futuro de ψ depende tanto dos valores atual e futuro de ψ. É possível mostrar que a forma matricial que corresponde à equação acima é dada por

Ψn+!=(𝐈+iΔt𝐇)1Ψn

O método de Crank-Nicolson, por sua vez, consiste em tomar a média dos esquemas explícito e implícito, de forma que

iψjn+1ψjnΔt=12k=0N1Hjk(ψkn+ψkn+1)

Tal método, além de possuir alta acurácia, é incondicionalmente estável na integração de muitas equações diferenciais parciais. Tomando a versão matricial da equação de Schrödinger discretizada por Crank-Nicolson, obtém-se

Ψn+1=ΨniΔt2𝐇(Ψn+Ψn+!)

ou ainda, por manipulação algébrica,

(𝐈+iΔt2𝐇)Ψn+1=(𝐈iΔt2𝐇)Ψn

Isolando o termo Ψn+1 na expressão acima, encontra-se

Ψn=(𝐈+iΔt2𝐇)1(𝐈iΔt2𝐇)Ψn


Implementação e Código

A integração da equação de Schrödinger pelo método de Crank-Nicolson

Ψn=(𝐈+iΔt2𝐇)1(𝐈iΔt2𝐇)Ψn

pode ser reescrita na seguinte forma

Ψn+!=(𝐈+iΔt2𝐇)1[2𝐈(𝐈+iΔt2𝐇)]Ψn=[2(𝐈+iΔt2𝐇)1𝐈]Ψn

Definindo 𝐐=12[𝐈+iΔt2𝐇], a equação acima pode ser expressa como

Ψn=(𝐐1𝐈)Ψn=𝐐1ΨnΨn

Portanto, a evolução dinâmica do sistema pode ser avaliada separando o processo em duas partes. Primeiramente, o sistema linear

𝐐χ=Ψn

é resolvido para o vetor χ e, em sequência, os valores da função de onda são atualizados de acordo com

Ψn+1=χΨn

Uma matriz tridiagonal possui a seguinte forma

𝐀=[β0γ000α0β1γ100α1β20000βN1]

ou seja, apenas os termos da diagonal principal e os termos imediatamente acima ou abaixo são não-nulos. Ela pode ser armazenada de forma mais compacta no formato


Ac=[*β0γ0α0β1γ1α1β2γ2αN2βN1*]

onde os elementos denotados por um asterisco não são utilizados.

Consequentemente, o sistema linear $ \mathbf{Ax} = \mathbf{b}$ pode ser resolvido pelo método de eliminação Gaussiana, também conhecido como algoritmo de Thomas neste caso. O procedimento é dividido em duas partes: por primeiro, a eliminação progressiva é realizada, que consiste em determinar equações lineares equivalentes que independam de αi. Neste passo, as equações recursivas para os novos elementos da diagonal principal βi e do vetor 𝐛 são

β'i=βiαi1β'i1γi1,i=1,...,N1

e

b'i=biαi1β'i1b'i1,i=1,...,N1

com β'0=β0 e b'0=b0. Na etapa seguinte, em que ocorre a chamada substituição regressiva, a última equação é resolvida para obter xN1=b'N1/β'N1, e este resultado é inserido na equação anterior, gerando uma relação recursiva da forma

xi=b'iγixi+1β'i,i=N2,...,0


Como a matriz 𝐐 é tridiagonal, o sistema linear 𝐐χ=Ψn pode ser resolvido com o uso do algoritmo de Thomas para obter χ e, em sequência, χ é utilizado para obter Ψn+1.

O código abaixo foi implementado para integrar numericamente duas equações de Schrödinger não-lineares acopladas, que foram discretizadas sobre uma rede unidimensional da seguinte forma

iψit=ω(ψi1+ψi+1)+Viψi+U1|ψi|2ψi+U2|ϕi|2ψ

e

iϕit=ω(ϕi1+ϕi+1)+Viϕi+U1|ϕi|2ϕi+U2|ψi|2ϕi


que representam a evolução dinâmica de dois condensados de Bose-Einstein nesta mesma rede. O último termo de ambas as equações denota o acoplamento do sistema.

Para esta integração numérica, foram utilizados N=301 sítios, para um período total de 50 “segundos” e um passo de tempo de Δt=0,001 “segundos”, onde as unidades de tempo possuem aspas pois são adimensionais τ=ωt/.